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Seis “meses” passaram, Damernesh gozando plenamente dos benefícios da liberdade. Ainda é muito cedo para assegurar um futuro próspero, mas a nova e superior legislação assegura uma crescente melhoria no nível de vida. Avizinha-se uma era de auto- -descoberta, à medida que o povo de Damernesh se apaixona novamente pelo seu passado.
Mas as coisas não podiam correr bem. Katrine, jovem diplomata apresentada no manuscrito anterior, descobre agora que o mundo é só dicotomias. Presa entre as suas terras natais e o seu país de adopção, goza de um luxo que já tinha esquecido, o luxo da responsabilidade. Mas cedo descobre que a utopia é frágil. E que vai ter que lutar por ela.
Já a personagem Terin continua nas suas deambulações, não desejando perfeição mas sim aperfeiçoamento. Reaprendendo a pouco a pouco o seu lugar no mundo, Terin foge da solidão ao mesmo tempo que a persegue. Cedendo pouco a pouco à sua maior força, a sua curiosidade, consegue vencer os fantasmas da sua personalidade.
Abraçando a escuridão.
Outras personagens contribuem para o clima de agitação, cada uma com a sua própria agenda e visões personalizadas do glorioso futuro de Damernesh. Conspirações trilham o país, onde todos, desde reformadores religiosos até armadores falidos, passando por empreendedores líderes militares parecem ter algo a dizer sobre o desconhecido amanhã. Mas coisas estranhas surgem perante esse clima de desconfiança.
Como pecados, coisas desconhecidas até a altura.
E por fim a Revolução morre, deitando pelo chão milhares de sonhos. E assim abandonámos por instantes Damernesh e viajamos até terras exóticas e distantes, onde uma civilização de tradição e dever percebe que tem que mudar.
Mas quanto pode mudar até deixar de ser igual a si mesma?
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