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 A religião católica não pode existir, mas existe... ou não?
Kamen
Posted: May 20 2005, 05:09 PM


Grande Escritor


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É algo interessante. Cada religião procede de um povo. Como tal está articulada com a interpretação que este povo dava aos arquétipos de acordo com a língua, cultura e historia que desta maneira era criada.
Quando uma pequena populações desenvolve uma religião, está a pensar nas suas necessidades, está a apoiar-se nos seus mitos e nos ritos que acha necessários ao seu dia-a-dia. Ora lá longe, quando um grupo de judeus criou uma pequena seita chamada de cristianismo, estava com ideia nas suas próprias necessidades. Passavam um mau bocado com a ocupação Romana, queriam um salvador. Queriam que o ser divino descesse e fizesse o mundo novamente. E, dentro da sua maneira de ver as coisas, assim havia acontecido. Um ser havia, num tempo mítico, criado uma doutrina que permitiria todos eles viverem em harmonia. Notem que o “tempo mítico” é aqui tornado lei passado alguns tempos, com a contagem dos anos a partir do acontecimento.
Agora há um problema. As pessoas maravilhadas aceitaram esta como sendo a sua religião, porquê? Normalmente tal acontece porque estas estão afastadas dos seus próprios mitos regionais, e ao observarem uma outra interpretação dos arquétipos sentem o poder ali. Os arquétipos são iguais em todo o lado, a interpretação é diferente. A existência dos arquétipos no "inconsciente colectivo" é aquilo que explica o aparecimento de mitos semelhantes por todo o mundo. O arquétipo é aquilo que nos faz humanos. A ligação desejada do humano ao arquétipo uma necessidade básica. A ligação mais básica é através de ritos codificados em religiões. Quando a religião local perde o seu "gás", quando cai na indiferença pela falta de comprimento de ritos a coisas descambam.
Normalmente isto ocorre quando a sociedade cresce demais, e quando os ritos, aquilo que liga a pessoa aos tempos míticos, ás suas divindades, à sua origem, passa a ser uma coisa de elites. A pessoa não se associa mais às entidades, um pequeno grupo faz isso por ela.
O povo descontente procura algo que o aproxime da sua existência, algo que o justifique. Uma nova religião, o cristianismo torna-se então católico.
O processo de catolizar, de tornar a igreja universal é como se deve estar a ver, anti natural. Para que o mito se associe a todos os povos tem de ser o mais estéril de simbolismo e de significado.
Esta igreja tornou-se então numa "coisa" sem espírito. Mas com o tempo algo ocorreu, ritos e mitos locais. Divindades locais cujos ritos e mitos eram demasiado fortes entraram na chamada igreja universal, tornando-a estranhamente colorida, com uma cor diferente para cada país. As pessoas voltavam a procurar por elas mesmas os mitos que as caracterizavam.
Obviamente que abominações desalmadas como a inquisição tentaram ordenar isto, tentaram homogeneizar o mundo, mas sem sucesso.
O sonho de uma igreja universal é tão tolo quanto o "Esperanto" a língua universal. Cada povo imprime a sua assinatura própria: língua, cultura e historia.
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Spectral
Posted: May 20 2005, 09:34 PM


Grande Escritor


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QUOTE
O sonho de uma igreja universal é tão tolo quanto o "Esperanto" a língua universal


O "sonho" não foi tão tolo como isso afinal. Passados 2000 anos, a Igreja Católica é o que mais se pode aproximar a uma Religião "global", com uma capacidade de captação e absorção de elementos locais sem ter que ceder um ponto no seu discurso.
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Kamen
Posted: May 20 2005, 09:47 PM


Grande Escritor


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Discurdo totalmente.
O sentido de "catolico" é universal. Uma só igreja para todo o mundo. Ao ceder localmente está a afastar-se da igualdade global. Como se explica a inquisição? A inquisição acabava por servir para abafar certos cultos locais, como o da pascoa rosada cá em Portugal.
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Spectral
Posted: May 21 2005, 12:07 AM


Grande Escritor


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Tens que ver as coisas no sentido mais global. Em que medida é que fenómenos típicamente locais e com influências exteriores, como pex Fátima ou os hábitos de crucificação da Páscoa nas Filipinas, interferem com o essencial, que ambas as comunidades que os praticam são católicas em tudo os relevantes?

Esses fenómenos locais não chegam para diferenciar a Igreja Católica de um local para o outro.

Digo eu...
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Kamen
Posted: May 21 2005, 12:30 AM


Grande Escritor


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Logo a igreja como idiologia e modo de contactar o sagrado e de manter os ritos é diferente em Portugal e nas Filipinas. SErá então a mesma igreja? A mesma religião? Lá por ser controlado pela mesma instituição não quer dizer nada. A maneira de contactar o sagrado, como doisse, difere, logo como igreja universal falha. Tem de se adaptar a cada local, não implementa os mesmos ritos em todo o lado, mas apenas localmente. Dentro de si tem diversiade, mas é uma diversiade que se deve a ser interpretada por povos diferentes. Logo na realidade os povos restruturam a igreja para si. A universalidade procurada falaha, o que na realidade se espalha de uns para os outros é pouco mais que burucracia e um sistema economico e trafico de influencias bastante interessante.
A igreja é de certa maneira um poder politico. A politica é a transcrição dos combatentes do campo de batalha fisico para o mental. As armas são ideias e joga-se para ganhar. é o reino de guerreiros e não de clerigos. Muito menos de burguesia com pensamentos em margens de lucro, mas isto é outra conversa...
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PACS
Posted: May 23 2005, 11:13 PM


Escritor sem editora


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Permitam-me que meta a minha colherada neste assunto.
Por um lado é óbvio que o Kamen tem razão: os príncipios de fazer da igreja católica algo universal falharam...apenas no modus operandi, isto é, pela força e coacção, vulgo inquisição. Estes métodos revelaram-se desastrosos e quase causaram uma calamidade, felizmente o erro foi reconhecido e a tolerância tornou-se o novo método. Daí o facto de haver diferenças no modo de se ser católico. Mas estas diferenças não significam que haja micro-religiões dentro do catolicismo, apenas formas diferentes de viver a fé. Por exemplo, Fátima: o facto de uma pessoa ir até lá a pé ou de carro, todos os anos ou esporadicamente, não as torna mais os menos crentes, apenas revela que elas vivem a sua fé de maneira diferente. O mesmo acontece nas Filipinas, aqueles que se deixam crucificar não são per si mais crentes do que os outros, apenas vivem a sua fé de forma diferente.
Assim sendo, para concluir, apesar de haver formas diferentes de viver a fé, a religião assenta nos mesmos princípios: crença numa entidade tripartida (Pai, Filho, Espírito Santo), crença em que o Filho de Deus veio à Terra pra salvar os pecadores e morreu para os salvar (como Ele disse: "Aquele que não peca e é justo não precisa que o salvem pois já se salvou!"). O facto de a Igreja ir encorporando pequenas coisas apenas revela uma coisa: Tolerância.
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Snipper Lundur
Posted: May 23 2005, 11:27 PM


Grande Escritor


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Joined: 15-April 04



Se a língua portuguesa pode ter diferentes sotaques em, digamos, Lisboa e no Porto, sem deixar de ser uma só língua, porque há-de a religião ser diferenciada com base em pequenas regionalidades com uma intenção inerente à global?

Eu, por acaso, até curto a ideia do esperanto :lol:
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Kamen
Posted: May 23 2005, 11:44 PM


Grande Escritor


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Eu simplesmente digo que a igreja catolica como projecto falhou. O projecto era de criar uma só religião para todo o mundo. Mesmas crenças, mesmos ritos, mesmas ideologias em todo o lado. Ora, isso não se verifica.
O Pacs salientou que pessoas diferentes vivem a religião de modo diferente. É mais que natural, tal como um povo interpreta as coisas de acordo com a sua historia, cultura e lingua, também as pessoas individuais intepretam de acordo com o que sabem, a sua personalidade (cultura de certo modo), Historia pessoal e maneira de comunica com o exterior e os outros. MAs o problema não está aqui, está a nivel organizativo. A tolerancia está a permitir sub cultos dentro do grande culto. Aqui está. Como projecto de uma igreja para todos os povos falhou, pois é na realidade uma instituição que reje várias igrejas por todo o mundo.
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Sith'Ari
Posted: Jun 6 2005, 05:39 PM


Escritor de 2ª


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Joined: 31-March 04



metendo aki um bacodo a colher e desviando o assunto um pouco acho k o objectivo nunca foi esse, ker dizer, não mais do k kualker outra religião (lembro-me do islamismo). Acho que o termo Católica foi introduzido como sendo A religião oficial do mundo da altura(i.e. o Império Romano).

agora quanto a ter falhado acho que qq religião que parte de certos principios não muito católicos(universais, refiro-me obviamente à questão das mulheres, entre outras) estava obviamente destinada ao fracasso no aspecto global. Sobreviveu às custas de Clementino e depois dos Reis Europeus mas note-se que muita gente sempre procurou algo mais completo, daí a Santa Inquisição (que permitiu à Igreja reinar durante mais uns séculos sob a capa do medo e o punho de ferro).

Na actualidade a sobrevivência garante-se pela aceitação. Num mundo que mais não é que uma aldeia global, onde o Homem atingiu o pico de seu esplendor (pelo menos na História que conhecemos) a tolerância tem de ser imposta por coisas como a Declaração dos Direitos do Homem. Há coisas que já não fazem sentido.
E voltando á Igreja Romana, a sua sobrevivência, agora mais do que nunca devido à diversidade de meios de comunicação que permite ao povo acesso a dados que anteriormente nunca teria, sós e garante pela sua adaptação. Não a adaptação do povo à vontade da Igreja, mas a adaptação da Igreja à vontade do povo. E as vontades do povo variam com a cultura, entre outras coisas.

Concerteza ninguém discordará se eu disser que actualmente a sobrevivência da Igreja Católica passa por um novo concílio para rever certos aspectos, como a importância da mulher na Igreja. Por enquanto vai dando para os gastos, mas mais cedo ou mais tarde isto vai ser inevitável.
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Spectral
Posted: Jun 7 2005, 07:22 PM


Grande Escritor


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Joined: 29-March 04



QUOTE
Concerteza ninguém discordará se eu disser que actualmente a sobrevivência da Igreja Católica passa por um novo concílio para rever certos aspectos, como a importância da mulher na Igreja. Por enquanto vai dando para os gastos, mas mais cedo ou mais tarde isto vai ser inevitável.


Concordo, mas esta tendência e necessidade é mais relevante no mundo Ocidental. Em minha opinião durante um bom par de gerações a linha actual da I.C. serve perfeitamente ( ou seja estes temas fracturantes e polómicos para nós não assume m esta revelância por lá) na América Latina e África, que podem transformar-se cada vez mais o bastião católico, por oposição à velha, decadente e pervertida Europa :)

Daí o facto de muita gente ter achado na altura que um papa desses continentes teria feito muito sentido, mas a velha guarda do Vaticano conseguiu impôr mais uma vez a sua vontade (talvez pela última vez).
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