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 Mitos e Arquétipos, uma base para uma série de textos
Kamen
Posted: May 20 2005, 05:08 PM


Grande Escritor


Group: Membro
Posts: 766
Member No.: 4
Joined: 29-March 04



Estou a estudar isto há pouco tempo, mas o que sei chega por agora. Tenho de transmitir esta mensagem que a mim me parece que foi ligeiramente perdida. No fundo todos nós ainda sabemos isto, mas isso faz parte do sentido daquilo de que vou falar.

O arquétipo é o significado inerente das coisas. Segundo o dicionário o arquétipo é “…tipo primordial; modelo; protótipo; paradigmas; tipos ideal e supremo de que as coisas sensíveis são cópias; em Jung, conteúdos do inconsciente colectivo, ou seja, as imagens e símbolos ancestrais, presentes nas mitologias, lendas, tradições, etc., e são os modelos endógenos de condutas e produções imaginativas…”

A um arquétipo corresponde uma palavra, pois as palavras codificam símbolos. Pode-se dizer que aos arquétipos correspondem as palavras originais, as que os traduzem na sua totalidade. Mas esta linguagem, também ela, mítica, está perdida e as palavras desde então deturpadas em novas palavras que podem hoje em dia tentam expressar vários arquétipos de uma vez (sem sucesso) ou mesmo nenhum.
Como no texto, os arquétipos são tudo. Mas têm uma interpretação interessante hoje em dia. Ou seja, o arquétipo de, digamos: cadeira, encontra eco em muitas civilizações e povos. Mas acontece que cada um interpreta o arquétipo de acordo com a sua cultura, língua e historia, ou seja, interpretações inerentes ao povo em questão. Todas as cadeiras do mundo representam o arquétipo, mas nenhuma é o arquétipo puro. O mesmo com os mitos.
Os mitos variam de povo para povo, transmitindo basicamente a mesma mensagem, apenas codificada de maneira a que cada povo a compreenda, se aproxime desta e consequentemente do inconsciente colectivo, do sentido de ser humano.
A reinterpretação do mito é chave de uma existência. Os ritos são pois então a entrada em prática dos arquétipos, são a recriação das coisas. A base mitológica de um povo é o relato de fora do tempo de tudo aquilo que levou aquele momento. Exemplos de mitos são as justificações de como se deu a divisão dos sexos, a mortalidade, o aparecimento da terra como hoje é (pois a terra sempre existiu), a derrota do caos pela ordem, etc...

Em povos, mas associados à sua base mitológica, encontra-se uma coisa interessante. Quando algo terrível acontece, eles pedem à criatura superior chefe que volte e recrie o mundo. Não se trata de um remendo para o mal que o povo quer, na realidade querem que o mundo seja feito novamente, pois naquele tempo era tudo bom, e na recriação, novos mitos podem nascer para que tal coisa maléfica nunca exista. Na realidade querem uma purificação dos mitos, de uma aproximação do divino e como tal da base, dos arquétipos.
Esta história do retorno é ela própria um exemplo que dei, um exemplo muito poderoso. Pode-se pensar que é uma crendice de povos bárbaros e selvagens, mas estaríamos a perder o básico, que esta crença é um arquétipo. O que pensam que é o mito, e notem a palavra, do desejado/encoberto? Não queremos que ele venha para nos remediar a situação. Ele vem para recriar o país, para de tabula rasa começar a edificar o país como devia ser. E como é que devia ser? Como nos descobrimentos, o nosso momento áureo, e de certa maneira, pertencente ao nosso tempo fora do tempo. Os descobrimentos são a nossa época mítica, e ecoam as épocas míticas dos antigos lusitanos. A transcrição de Viriato para D. Afonso Henriques e até mesmo Vasco da Gama é algo que merece o seu próprio estudo. O mito através do rito repete-se e torna as coisas boas. O ritual é então a prática dos mitos. Como tal, a sua reinterpretação e renovação, uma recriação do mundo ou parte deste de maneira que as coisas voltem a ser jovens e boas.
O rito gera a religião. A religião então encerra em si os ritos provenientes dos mitos. Ao agirmos de acordo com eles sabermos que estamos a fazer bem, pois assim foi feito no tempo antes do tempo por criaturas sábias, altas e avançadas. O afastamento disto leva os povos a perderem a sua identidade, a perderem-se e a caírem.

"A imaginação procede da captação de um arquétipo, enquanto a fantasia é o reflexo do seu afastamento e, por esse motivo, é um acto estéril, inútil, que provem mais da vaidade como expressão da ignorância do que do apelo da necessidade." (Eduardo Amarante)
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Sith'Ari
Posted: Jun 6 2005, 05:47 PM


Escritor de 2ª


Group: Moderadores
Posts: 609
Member No.: 17
Joined: 31-March 04



respondo aki a o k o Tomoe disse noutra thread mas não me parecia útil responder lá pk o tópico já mudou.

QUOTE
Ok, o tema do mito e arquétipo foi abordado pelo Kamen nos últimos três threads que ele fez, no entanto não da forma mais eficiente, na minha opinião.
Ora, supondo que destes threads perceberam o que é um arquétipo, então um mito será o arquétipo de uma acção. Ou seja, é uma acção no seu estado mais puro e simples, algo que foi feito por um deus, um antepassado ou um herói. Essa acção tomou lugar num espaço chamado de Tempo Mítico, o tempo fora do tempo.
O facto dessa acção ser conhecida pelo homem dá-lhe a certeza de que ela pode ser refeita no tempo histórico, e que a recriação da tal acção e lavará mais perto dos deuses e dos seus desígnios. Assim temos que todos os ritos litúrgicos e rituais religiosos são uma recriação de um mito (lembrem-se da comunhão, que recria a ultima ceia).


mas então não consideras a hipótese de existirem mitos baseados no tempo histórico (e não no tempo mítico)? ou estás a encarar o tempo histórico como o tempo da actualidade e o passado faz parte do tempo mítico???

estou a referir-me ao k me disseste no outro dia sobre a era de ouro portuguesa corresponder ao tempo mítico e aos mitos judaicos como o êxodo.


outra coisa, e mitos que ocorreram antes do tempo?? encaixam-se também no Tempo Mítico??? Obviamente estou a falar das variadas cosmogonias, incluindo as mais abstractas como a que te referi hoje
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Tomoe
Posted: Jun 6 2005, 06:15 PM


Escritor de 2ª


Group: Moderadores
Posts: 564
Member No.: 7
Joined: 29-March 04



Ora, primeiro de tudo é persiso dizer umas das frases mais batidas de todo o sempre. Tudo é relativo. Bem julgo que isto se aplica ao que é chamado de Tempo Mitico e Tempo Historico.
Existem vario factores, o mais importante é que esses acontecimentos "historicos" foram recriações, com sucesso, de Mitos anteriores, como tal é como se o mito tomasse uma nova forma, outra encarnação por assim dizer. A partir desse momento torna-se tão viavel seguir o Mito como a sua recriação, pois na verdade estes são a mesma coisa. Depois vem o facto, pelo menos no caso Portugues, da "queda" e degenaração. Ou seja, os Descubrimentos só se tornam Mitos verdadeiros a partir do momento em que a sua presença no Tempo Historico quase desaparece, turnando-se como que uma memoria longincua. Só faz sentido chamar aos Descubrimentos de Mitos no contexto social em que nos encontramos agora.
Basicamente o Mitos dos Descubrimentos é o mesmo de qualquer outra via ou religião e está prufundamente enraizado com o Sabastianismo e o Encuberto. Trata-se um um tempo que que havia Ordem, essa Ordem foi perdida (por qualquer razão) e como tal espera-se um messias que recrie o Mito, trazendo de novo a Ordem. Tempo Historico ou não... na verdade pouco intereça... é relativo.

Não sei se fui claro...



Quanto á segunda pergunta... sim, o tempo mitico é basicamente tudo o que tenha acontecido antes do tempo historico, quer exista tempo ou não.
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Tomoe
Posted: Jun 6 2005, 06:18 PM


Escritor de 2ª


Group: Moderadores
Posts: 564
Member No.: 7
Joined: 29-March 04



Só uma frase para resumir grande parte do post:

O Tempo Historico torna-se Tempo Mitico, tudo depende do povo e do contexto.
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Sith'Ari
Posted: Jun 6 2005, 06:19 PM


Escritor de 2ª


Group: Moderadores
Posts: 609
Member No.: 17
Joined: 31-March 04



portanto ou os acontecimentos historicos sao recriações de mitos ou os acontecimentos foram mistificados.
oki dokie.
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