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 A alvorada não chega, Um texto...
noonessoul
Posted: May 17 2005, 05:04 PM


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Joined: 29-March 04



Já não posto nada aqui à algum tempo, muito por causa de não existir muito para postar aqui de novo. Contudo, no outro dia, saiu-me isto e, após pensar se valeria mesmo a pena, resolvi coloca-lo por aqui. Para os que estranharem a sequencia lógica (se ela existe) do texto, não estava nas minhas perfeitas faculdades nesse dia ;)

A alvorada não chega

“Já é tarde para dizer não!”, pensou Maria Eduarda enquanto Jorge lhe dava a mão, ternamente. “O mundo acaba um dia e eu tinha tantos planos para depois!” A mera ideia que isso fosse realmente acontecer aterrorizava-a profundamente.
O sol escondia-se sobre o mar, num derradeiro adeus. As gaivotas sobrevoavam as ondas, os seus gritos transbordando de dor e sofrimento, como se percebessem que o fim se aproximava, todos os dias. Sentados nos bancos da frente do Volkswagen Mini negro, abraçados e de mãos juntas, Jorge e Maria Eduarda sabiam que aqueles eram os seus últimos momentos. Ele enrolava os cabelos dourados dela entre os dedos, tentando fazer caracóis que nunca ganhariam forma. Ela, por sua vez, deixava que o seu olhar se perdesse no nada, muito para além da linha indistinta onde o sol parecia agora esconder-se.
— Achas mesmo que vale a pena? — perguntou, distraidamente, ela.
— Não sei… É possível.
Olhando para ele violentamente, as duas esmeraldas enlameadas que lhe brilhavam sobre as pálpebras faiscando, zangadas. Como era possível não lhe ler ele o pensamento, como era possível ser ele tão insensível naquele momento? Não resistiu e deu-lhe uma estalada para descarregar toda a irritação.
— Para quê isto? — Ele olhava para Maria Eduarda com aquela expressão ingénua que a seduzira, outrora.
— Para não seres assim…
A estupidez de toda aquela conversa insurgiu-se nela. A vida acabaria um dia, amanhã até, e eles ali estavam, a discutir como sempre, da mesma maneira como discutiam sempre. Jorge puxou um cigarro e acendeu-o num único movimento, saboreando-o lentamente.
Tirou o cigarro da boca com uma mão, aproximou a face dela da sua e deu-lhe um beijo.
— Não te ponhas com beijos e vamos embora… Estou farta de estar aqui!
Mentalmente, para evitar mais discussões, bufou para aliviar a tensão. Maria Eduarda era incrível, nos mais variados sentidos. A pele branca conferia-lhe a aparência de um anjo descido à terra e tornado carne, e o seu cabelo dourado resplandecia mais que a espada flamejante que aguarda no Éden desde sempre. Era bonita, bela e todos os outros sinónimos que fossem precisos encontrar para a qualificar, nunca sequer chegando aquilo que ela era realmente. Por outro lado, como um demónio feito mulher, era um vulcão em permanente erupção, cuspindo fúria ao mínimo sinal de discordância com o que ela pensava. Por ironia do destino, e o destino tem uma tendência algo obsessiva em ser irónico, esse demónio e anjo convergiam em Maria Eduarda numa forma tão perfeita que era quase impossível não resistir aos seus múltiplos encantos. Uma teia irresistível que ela tecera em redor de Jorge e da qual ele nunca desejava escapar…Girou a chave lentamente e o Mini arrancou.
Maria Eduarda olhou para Jorge. Era um raciocínio intricado compreender porque gostava ela tanto dele. Ela sabia-se bonita, ainda que consciente dos seus indecifráveis defeitos, e ele, Maria Eduarda sabia-o, estava longe dos homens que habitavam as telas de cinema e as revistas e o ansiado paraíso das mulheres. E, no entanto, existia uma ligação entre eles tão forte que a mera ideia de se separar dele, mesmo que ela o tentasse esconder de tudo e de todos, se tornava dolorosa. Mesmo nos seus pensamentos mais profundos, ela tentava esconder esses sentimentos, dizendo que podia ter quem quisesse, que ele não fazia nada e tantas outras desculpas que apenas a faziam sentir mais a presença dessa ligação.
— Achas que vale a pena estarmos assim, como estamos? Achas, Jorge? Achas?
Ele olhou pelo retrovisor, tentando ver a placa que indicava o caminho. Mas ele já sabia o que a placa dizia, ou diria, se indicasse verdadeiramente o caminho que queria seguir. Ele via apenas duas possibilidades, simplesmente. O primeiro era um tudo ou nada enevoado, perdido entre duas garrafas de cerveja e uma mulher qualquer, alguém perdido na história pessoal de Jorge, passada ou futura ou mesmo presente. Não parecia um caminho agradável, mas não tinha um mau aspecto. Até parecia feliz… Pelo menos sorria, e isso é um princípio, nunca um fim!
Anoitecera lá fora.
Jorge sabia que o segundo caminho também existia, mas nunca imaginou que as garrafas de cerveja também lhe fizessem de moldura. Mas, esquecendo tão sui generis ambiência, era um caminho tão diferente! Conseguia ver Maria Eduarda mais velha, mas apenas a expressão mais carregada denunciava a passagem dos anos. Fora isso, não perdera a beleza de sempre e as maçãs do rosto que o haviam enlouquecido enquanto jovem permaneciam no seu semblante como um desafio. Jorge via duas meninas, ambas louras e de tez pálida a correr pela casa, brincando como se o amanhã fosse apenas mais um dado adquirido. E este caminho era muito agradável, até demais para o esquecer assim, num cerrar de pálpebras…
Um gotejar suave, mas constante começou a precipitar-se do firmamento, pingando levemente os vidros do carro.
Maria Eduarda estava longe dali. Os seus pensamentos perdiam-se entre aulas infindáveis de anatomia, um sem número de nomes em farmacologia e, para alongar a lista, as intermináveis preocupações com casa, marido, filhos. Desejava mesmo ter essa vida, que parecia vir ao seu encontro quase contra sua vontade? Haviam outras possibilidades, tinham de existir. Algo que surgisse de um não, um não origina sempre um sim, não é?
A estrada ficava cada vez mais sombria, como se tivesse erguido sobre si um luto solene.
Haviam outras vidas para viver, elas tinham que existir. Maria Eduarda sentia-se encurralada nos seus pensamentos, quase como se estivesse presa nos efeitos psicóticos de um qualquer pesadelo febril. Respirou fundo. Pensava demais. Não havia nada a temer. Numa dedicatória de um livro qualquer, a sua mãe escrevera “Persegue os teus sonhos”, ou algo parecido. O que é a vida senão um sonho do qual podemos acordar a qualquer momento?
Jorge entreabriu as pálpebras, Maria Eduarda acordou do seu sonambulismo desperto e o airbag disparou enquanto o carro capotava pela noite escura. Havia um terceiro caminho para Jorge e uma outra vida para Maria Eduarda, algo com que eles não haviam realmente pensado nem sequer imaginado nos seus piores sonhos: o fim. Pois, por vezes, a alvorada não chega…

This post has been edited by noonessoul on May 17 2005, 08:46 PM
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Bluewitch
Posted: May 17 2005, 08:27 PM


Escritor sem editora


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Estes condutores inconscientes...é sempre a mesma coisa, então agora conduz-se de olhos fechados? :P
Está bom e é estranho o fim, mas o problema está mesmo pelo texto... tens uma máquina de semear hiféns, palavras como "terna-mente", "aproxi-mava", "dedica-tória" e "interminá-veis" não têm hifén, há por aí muitas espalhadas no texto.
Mas apesar de tudo, saltando esses pequenos pormenores, está interessante.
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noonessoul
Posted: May 17 2005, 08:42 PM


Membro do Círculo


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Nem tinha reparado. O problema é que faço hifenização no Word e quando passei para aqui (copy-paste) ficaram. Vou emendar. Obrigado.
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Snipper Lundur
Posted: May 17 2005, 11:26 PM


Grande Escritor


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de facto, a sequencia logica está algo esquisita... eu não desgostei nem gostei. Soube-me a insípido... Penso que a ideia é até interessante, mas merece um desenvolvimento mais cuidado.
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Desolation Angel
Posted: May 22 2005, 01:43 PM


Escritor de 2ª


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Joined: 19-October 04



Eu cá gostei, como snipper disse tens umas falhas mas só uma é que é realmente importante que é o titulo, acho qwue é muito revelador...
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