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 EVOLUÇÃO, (filosofia)
Prometeu agrilhoado
Posted: Mar 29 2005, 10:57 AM


Escritor sem editora


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Evolução

Independentemente do número de vezes que a História seja reescrita pelo impulso totalitário, demótico e uniformizador dos vitoriosos (e vitoriados) líderes das massas, restará ainda assim um rastilho permanente de presciência e memória primordial na consciência daqueles que estando libertos das malhas apertadas do endoutrinamento e da ortodoxia militante, se fazem pelas suas palavras e pelo seu exemplo denunciadores incansáveis do embuste ilusório do poder e da mentira solícita, comprometidos unicamente com a busca incansável do bem e da verdade, armados apenas de ideal e de utopia, constituindo-se dessa forma como a persistente alavanca do titubeante avanço da humanidade.
É pura fantasia oligárquica, pensar-se que será algum dia possível, através de uma massificação sem rosto e sem alma, apagar a natureza intrinsecamente heterodoxa de um ser essencialmente pensante e sensível como é o Homem. É, no fundo, por estarem conscientes disso mesmo, que os modernos líderes planetários (ou seria mais assertivo chamar-lhes antes líderes panfletários?) tentam subverter essa clara realidade com um excesso de ‘doxa’, de frenesim opinativo, remetendo assim as massas para uma espiral irracional de pseudo informação, mantendo os indivíduos placidamente segregados e isolados como um corpo à deriva num revoltoso mar de dúvida e desesperança, e consequentemente afastados dos centros de decisão. Mas certo é que até os grilhões propagandísticos de uma sociedade hipnotizada pela vertigem cega da informação habilmente manipulada, quebrarão necessariamente um dia, raiando então com mais força sobre o horizonte a alvorada libertadora da Evolução. EVOLUÇÃO. NÃO REVOLUÇÃO. As revoluções, descontando já a apoplexia insciente e criminosa que despoletam nos espíritos mais permeáveis, apenas mudam o rosto do poder, o rosto visível das hierarquias privilegiadas. Elevam a classe que dirige a revolução ao plano hierárquico anteriormente ocupado pela classe destituída, mantendo-se contudo e no essencial inalteradas as realidades sociais subjacentes à própria revolução.
Numa revolução, as massas são cinicamente instrumentalizadas pelos seus instigadores tendo unicamente um fim em vista: a substituição de uma classe por outra (imediatamente abaixo) no topo da pirâmide hierárquica. Por outras palavras, a pura e simples usurpação do poder. E uma vez aí comodamente instalada, essa classe adopta automaticamente todos os tiques próprios do dirigismo (autocrático ou não – hoje em dia é quase indiferente), centralizando em si e nos seus correligionários todos os privilégios socio-económicos daí decorrentes, transformando-se num sucedâneo ainda mais nocivo e perigoso da classe antecedente. Aos dirigidos cabe-lhes somente a inexorável subalternização, alquebrados sob anátema terrível da perpétua dominação.
No entanto, essa aparente inexorabilidade esconde em si mesma uma ficção histórica bem montada. A ficção da obrigatoriedade de uma arregimentação social, estruturando-se a sociedade em classes e partidos, estimulando-se por essa via a disseminação de um corporativismo estéril, sectário e claustrofóbico, como se não existisse alternativa.
Mas na realidade existe uma alternativa, e é tão evidente que me custa aceitar o facto de a maioria não a conseguir vislumbrar! Essa alternativa chama-se EVOLUÇÃO INDIVIDUAL na direcção incontornável (mas não linear) da AUTO-REGULAMENTAÇÃO.
O indivíduo plenamente emancipado, bem delapidado na sua complexa existência psicossomática, conhecedor do livre-arbítrio e capaz de auto domínio, é a LEI em si, sábio e equilibrado, dispensando governo ou policiamento.
A evolução humana no sentido de uma integral individuação é a derradeira e real sublevação. A ÚNICA.
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Oblivion
Posted: Apr 2 2005, 12:38 AM


Boss (not bottled)


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QUOTE (Prometeu agrilhoado @ Mar 29 2005, 10:57 AM)
Mas na realidade existe uma alternativa, e é tão evidente que me custa aceitar o facto de a maioria não a conseguir vislumbrar! Essa alternativa chama-se EVOLUÇÃO INDIVIDUAL na direcção incontornável (mas não linear) da AUTO-REGULAMENTAÇÃO.
O indivíduo plenamente emancipado, bem delapidado na sua complexa existência psicossomática, conhecedor do livre-arbítrio e capaz de auto domínio, é a LEI em si, sábio e equilibrado, dispensando governo ou policiamento.
A evolução humana no sentido de uma integral individuação é a derradeira e real sublevação. A ÚNICA.

Isto é perfeitamente utópico na prática, mas é óbvio que seria o ideal. Mas se ambicionamos a individuação (e aqui não falo da minha perspectiva, mas da tua), onde entra "a mente colectiva"?
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Desolation Angel
Posted: Apr 2 2005, 12:44 AM


Escritor de 2ª


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Joined: 19-October 04



Se a anarquia fosse aplicada em rigor e tds conseguissem respeitar o proximo isso ñ seria utopia, o homem é k impede o sonho :(
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Oblivion
Posted: Apr 2 2005, 12:49 AM


Boss (not bottled)


Group: Admin
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Joined: 29-March 04



por isso é que é utopia... utopia é algo inconcretizável... aqui só há homens...
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Kamen
Posted: Apr 2 2005, 03:45 AM


Grande Escritor


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Joined: 29-March 04



Um governante chines uma vez apercebeu-se que haviam muitos criminosos no seu país. Reveu as leis que os antepassados fizeram e abuliu muitas. Se não há leis não há criminosos. Ao diminui-las, tornou o seu reinado num dos melhores e mais pacificos de todos.
Ele conhecia-se a conhecia a natureza humana. compreendia as necessidades do povo pois conhecia as sua sproprias necessidades.
Actualmente, enquanto os goverantes que temos nem sabem o que querem (querem dinheiro e poder, mas num ciclo vicioso, de mais e mais, sem que no fim lhes dêem real uso), como podemos esperar que saibam o que quer o povo?
Um espirito colectivo tem de ser criado, algo que não misture as identidades numa amalgama, apenas as vontades, de maneira aque um esfoço conjunto impila a sociedade como um todo em frente. Só de pensar que a sociedade portuguesa foi toda iniciada em simultaneno durante os descobrimentos portugueses... mas não acabou bem...
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Prometeu agrilhoado
Posted: Apr 4 2005, 10:42 AM


Escritor sem editora


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Denoto aí uma certa confusão na exegese. Eu não estou a propor nenhum sistema novo de governo ou de regulação social. O que eu digo e perdoem a insistência, é que pela sua própria evolução o Homem pode chegar a uma espécie de auto-regulamentação. Não existe nenhum enquadramento sócio-jurídico que não seja reflexo directo de uma lei moral a pripori. Porventura, pode algum enquadramento jurídico sobrepor-se à sensibilidade e consciência sociais? É por isso mesmo que se tenta uniformizar as conciências para mais facilmente se introduzir costumes que mais tarde adquirem força de lei. Ó Desolation, anarquia não é propriamente o que eu tenho em mente. Daqui a mais até estavamos a fazer eleições em casa para ver quem mandava, não?
O que eu digo muito simplesmente é que o indivíduo plenamente emancipado, consciente do seu livre-arbítrio e dos seus semelhantes, capaz de auto domínio, está por isso acima da lei (e não contra ela) porque é a lei em si mesmo.
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