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A nauseante vida da classe média em Portugal, (filosofia ou nem tanto)
| Prometeu agrilhoado |
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Escritor sem editora
  
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Joined: 17-February 05

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A nauseante vida da classe média em Portugal
No Portugal actual, a vida de uma típica família da classe média é um superlativo e agónico atentado ao bom gosto e aos bons costumes. Um pântano fétido, crepuscular, onde vejo sucumbir os espíritos mais belos e subtis. Este Império decadente alicerçado num doentio arremedo e medíocre uniformização, que alguém um dia entendeu por bem denominar de classe média, mais não é hoje em dia do que o informe rosto visível de uma progressiva subalternização do indivíduo ao meio, às ilusórias contingências de uma vida empedernida e excessivamente materialista, onde todos parecem saber recitar de cor e de olhos fechados (alguns se calhar até durante o sono) a ladainha capitalista do lucro a todo o custo e do salve-se quem puder. Ao humanista esclarecido, conhecedor da vida fora da matéria, outra hipótese não resta do que o auto isolamento na sua torre estóica e ideal (nada alegórica), para se subtrair mentalmente a esse horroroso espectáculo de autofagia colectiva. A televisão, esse vampírico superego social, funciona como o aríete deste silencioso movimento degenerativo, acelerando a alegre corrida para o abismo, ocultado sob um cínico e perverso véu de livre-arbítrio. Se a liberdade fosse só isto! A indução e a mentira são as armas infalíveis adoptadas pelos modernos tiranos, envoltos sob o manto espúrio de uma hipócrita democracia onde todos falam e ninguém se ouve. Democracia representativa… Que ‘bela’ invenção! Só conheço uma forma de verdadeira democracia; chama-se democracia directa e não esta medusa economicista que há muito se apoderou do esdrúxulo xadrez político, movendo a seu bel-prazer os seus insignificantes peões sofistas de forma a manterem as massas entretidas num atavismo colorido de pseudo liberdade e pseudo comunhão social. Sociedade da informação… Deixem-me rir! Sociedade da desinformação, sociedade-espectáculo é o que nos servem numa trasbordante bandeja doirada… Vemo-nos, no entanto, compelidos a reconhecer a óbvia inteligência subjacente a esta reinvenção hierárquica. Hoje em dia, e muito assertivamente, o poder já não se impõe pela coerção ou pela superstição (embora ela ainda exista), impõe-se mais eficazmente pelo fascínio demagogo. Nunca o ouro dos tolos brilhou tão amplamente como agora. Mais inteligente ainda; a sepultura vai sendo orgulhosamente cavada pelos seus futuros inquilinos. Voltamos assim ao ponto de partida e fechamos o círculo, que é o mesmo que dizer à ignorante classe média. Ser classe média significa ser-se classe intermédia, e por isso classe-espelho, alter-ego psicossomático de uma envolvente pirâmide social. Apelando ingenuamente à isenção de alma do leitor, apetece-me perguntar: Haverá algo mais assoberbadamente enervante para um espírito livre e atinente aos bons costumes do que o carneirismo endémico próprio da classe média? Esse superposto subconsciente colectivo que se manifesta como o fulcro irradiante da mais estéril plasticidade, como o cerne dinamizador das mais abruptas espirais de irracionalidade. A classe média em Portugal porfia numa espécie de amofinado minimalismo existencial, onde todos os que a integram se procuram histericamente igualar numa mediocridade sem precedentes, infantilmente esquecidos no mirífico recreio dos sentidos. O importante é possuir um carro topo de gama (quando só um é suficiente), uma colecção de telemóveis de última geração, os trapos da moda (que é ridiculamente circular) e comer abundantemente, entre outras infindáveis miragens materiais. Todos iguais e todos felizes (aparentemente). Todos solícitos arquitectos dum leviano padrão hedonista. Todos assíduos ‘frequentadores’ do stress e do tédio. Todos rustres e ignóbeis, rumando sorumbaticamente para o sedutor abismo…
Vasco Macieira (21/03/2005)
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