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O Culto da Deusa
| silent_dark |
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Escritor de 2ª
   
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O CULTO DA DEIA, O CULTO DUMA IDEIA... Parte 0- Prólogo
“Os dias da deusa tinham chegado ao fim. O pêndulo balouçara. A Mãe-Terra tornara-se um mundo do homem, e os deuses da destruição e da guerra cobravam o seu tributo. Durante dois mil anos, o ego masculino correra à solta sem o freio do seu par feminino.”
BROWN, Dan; O Código da Vinci (DVC), pg.155
Foi ao ler esta afirmação no DVC que tomei a decisão de escrever este artigo que pretende analisar a evolução do culto da deusa na história das religiões até à implementação do Cristianismo e até mesmo um período depois do nascimento de Cristo, que considero importante para a discussão geral das temáticas abordadas no livro. O objectivo deste ensaio é tentar mostrar que, ao contrário do que Dan Brown pretende insinuar com a sua última afirmação citada, não foi há 2000 anos que o ego masculino começou a correr sem freio, mas muito antes. Intendo provar que a decadência do culto da deusa principiou muito antes e que, ao contrário das ideias expressas nas páginas 154 e 155 do sue romance, não foi a Igreja que trouxe consigo a marginalização da mulher, tanto na sociedade como na religião. As minhas fontes não são vastas, mas têm todas um bom carimbo histórico. Cita-las-ei muito ao longo deste artigo, tanto para reforçar as minhas ideias como para as comprovar graças a uma fonte credível. Devido a esse elevado número de citas, utilizarei abreviaturas para me referir à bibliografia. A saber, GHU (Grande História Universal, Editora Folio); OAH (Olhar a História 7, Porto Editora); ZR (Zoroastrismo, Colecção Guerras e Religiões, Editora Quidnovi) e ainda um site sobre os mistérios de Eleusis, que aquando da parte a eles dedicada indicarei. Dan Brown chega a ser intrigante na citação que escolhi: acusa a Igreja de ser a responsável pela deterioração da imagem feminina mas refere-se a deuses, no plural. Quem são estes deuses? Os deuses da destruição e da guerra? Em que sentido a palavra deuses no plural é compatível com a religião monoteísta cristã? É bizarro... É que é a esses deuses que eu atribuo as culpas pela decadência do culto da deusa, como revelarei no artigo! Porém, tais divindades não as conheço eu do panteão cristão. Mas é aos cristãos que Brown acusa, como se deduz das páginas. Por fim, para concluir, eis um esquema do artigo, sujeito a alterações. Parte I- Paleolítico, Neolítico e Revolução Urbana Parte II- Antigos Egípcios Parte III- Zaratustra e Derivados Parte IV- Antigos Helenos Parte V- Antigos Romanos Parte VI- A mulher no Cristianismo Parte VII- Os Cátaros Parte VIII- Epílogo e Outros Espelhos
Abri este novo tópico precisamente para discutirmos o culto da deusa. Este é o meu contributo, que pouco a pouco, dentro das medidas do tempo que tiver disponível, aqui colocarei. Mas muitos deste fórum decerto terão importantes contributos a fazer, não só no sentido de comentarem o que escrevi e escreverei, mas também para nos fornecerem novas informações, visto serem mais versados no assunto do que eu. Com todos conto para dinamizar este tópico.
11/X/2004
This post has been edited by silent_dark on Oct 16 2004, 09:57 PM
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| silent_dark |
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Escritor de 2ª
   
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O CULTO DA DEIA, O CULTO DUMA IDEIA... Parte I- Paleolítico, Neolítico e Revolução Urbana
Para percebermos o culto da deusa, há que recuar até aos primórdios originais da humanidade. É do conhecimento geral que o homem do Paleolítico era nómada e recolector, logo, alimentava-se ou daquilo que a natureza lhe dava (culturas que cresciam selvagens e frutos campestres) ou daquilo que ele caçava. É, pois, natural que os primeiros ritos e demonstrações de religião estejam intimamente relacionados tanto com a fertilidade da terra como com a sorte nas caçadas. Esses ritos e práticas acabaram por extravasar para a arte, e criaram uma simbologia, como tudo o que é próprio ao ser humano. É assim que, para que as caçadas corressem bem, surgem a arte parietal, mais conhecida por arte rupestre, utilizando o ocre vermelho (“...os animais pintados [...] simbolizavam o desejo de sorte na caçada...”-OAH). Por sua vez, de forma a atraírem a fertilidade da terra, esculpiam estatuetas femininas com os órgãos sexuais exageradamente gravados na pedra (“...as Vénus constituíam amuletos para atrair a fecundidade.”- OAH). No Neolítico, tal prática continuou. E assim, continuaram as esculturas a que já nos referimos, mas que neste período passam a ser designadas por Deusa-mãe. São os cultos agrários: práticas de tipo religioso em que se adora elementos da Natureza relacionados com a agricultura e a fertilidade da terra. Naturalmente, que a mulher será o espelho humano dessa fertilidade, e adquire pois importância, isso o comprovam as estátuas, no simbolismo religioso. (“Reconhecia [...] a função reprodutora da mulher e representou-a em estatuetas – a Deusa-mãe.”- OAH) Eis que porém vem a aurora da decadência do culto feminino, com a chamada Revolução Urbana. Atingimos a idade dos metais. (“O culto da fertilidade pareceria o mais antigo, [...] apareceu já na época pré-histórica e chegou ao limiar da idade dos metais...”- GHU). “Com a idade dos metais pareceu prevalecer o culto de personagens masculinas. A produção artística do período consistiu, quase exclusivamente, em bronzes que representavam ofertantes e guerreiros. Este facto é indicativo duma evolução social muito importante, ou seja, o crescente peso duma classe militar...”. Esta classe social distinga-se também pelo cavalo, que foi, pouco a pouco, sendo introduzido “pelos povos nómadas indo-europeus e estepários que, em movimentos sucessivos, chegaram à Europa. À figura do cavalo vinculou-se a do disco solar, de provável origem indo-europeia.”. -GHU Falo do disco solar porque, pouco a pouco, também os astros ocuparam o seu panteão nestes ritos primitivos. Destaca-se a luz e o sol, que correspondem, respectivamente, à mulher e ao homem (por isso a lua tão cedo se converteu num símbolo poético: ela representa a mulher, que o poeta canta.) Esta associação continua noutras religiões, por exemplo, na grega, em que o Sol correspondia a Hélio (não a Apolo!) e a lua à sua irmã, Selene (e não Ártemis! Dela falaremos mais adiante, igualmente, pois o seu papel no culto da deusa é significativo). Destes dois, contudo, é definitivamente o sol que vai receber todos os louvores e cultos, reduzindo a lua a uma posição mínima, o que reflecte já a alvorada do fim dos dias do culto da deusa. A GHU faz um belo apanhado do estado da situação nos meados da Idade dos Metais. Passo a citar. “Concluindo, pode-se pensar num deslocamento do culto da fertilidade e da terra para o dos heróis ou divindades masculinas, o que ocorreu no contexto da aparição do bronze e da consolidação do patriarcado. A mudança religiosa está ligada a amplas reformas económicas e sociais que se produziram na Europa na Idade do Bronze, salto da comunidade agrícola para a comunidade artesanal e guerreira, do nomadismo para a organização sedentária, do uso de instrumentos de pedra para os de metal. [...] Com a consolidação da agricultura e da criação de gado, a função do homem no processo de procriação tornou-se mais evidente e vital. Por isso, associou-se à Deusa Mãe um marido, que assumia as funções de reprodutor, mesmo sendo ele servo ou o filho da deusa. Com o tempo, foi-se convertendo num companheiro do mesmo nível ou mesmo superior. Com a concentração da energia criativa no princípio masculino, reconhecido como o que gera, a deusa tendeu a perder, em parte, o papel predominante [...].” Mas a Deusa não morreu, reciclou-se...
11/X/2004
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| Sith'Ari |
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Escritor de 2ª
   
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kamen: qt aos santos, tás a referir-te apenas à Católica, eu não. Acho que foi mesmo nas religiões em geral, como o exemplo do Judeísmo que dei. Claro que excepções, como a japonesa que referiste.
daemonfey: acho k o "ente" superior não deverá ter sexo, deverá ser o tao, que transcende o yin e o yang, o kether que transcende chokmah e binah, o hermafrodita que transcende hermes e afrodite(embora este exemplo esteja incorrecto dum ponto de visa ocultista, dá para perceber). abaixo desse acho k deverá haver equilibrium: deuses e deusas(nota as minusculas), anjos e anjas, resumindo: emanações masculinas e femininas (ou positivas e negativas) e todas deviam ser tratadas de igual modo.
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| silent_dark |
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Escritor de 2ª
   
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Obrigado por estas reacções positivas da parte de todos. Se ainda não postei outras partes do ensaio foi essencialmente por duas razões: a primeira vaga de testes na escola; e, segundo, as novas ramificações que tenho descoberto. Vi que havia muitas culturas (céltica, fenícia, cartaginense, cretense...) que estava a descurar. Para além do mais, constatei que os materiais que tinha em casa não eram suficientes de modo nenhum, o que me vai obrigar a fazer pesquisas na Net, especialmente no que toca a estes cultos pré-helénicos, pois sobre os gregos já eu tenho documentação vária e extensa. Contudo, este é um trabalho que me esta a dar prazer e no qual estou mesmo empenhado, querendo levá-lo até ao fim, pouco a pouco. Pode ser que nas próximas duas semanas aparece qualquer coisa aqui... São duas semanas de tréguas na escola, sem testes... Esta vida de estudante só dá cabo de mim!
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| silent_dark |
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Escritor de 2ª
   
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Sei que devo estar a parecer aquele tipo criticado pelo Gato Fedorento: falam, falam; falam, falam; mas não fazem nada! Eu prometi, promeit; promeit, prometi; e agora náo posto nada! É verdade: mas peço que me concedem um tempo até às férias de Natal. Já sei o que hei de escrever sobre o Egipto após muita confusão (é que a grande Deusa do Egipto, a meu ver, não é Ísis, mas...Hathor!), após ter reflectido sobre a naturea ou naturezas da Deusa. Foi isso que me deu mais trabalho. Agora só precisava mesmo dum tempo, paciência, sentar-me uma tarde ao computador e escrever. Se foram brandos e concederem até ao Natal, eu garanto que só capaz de por até para além do Egipto...E já percebi algo: isto vai ser um trabalho em constante renovaçáo, pois novas informações para completar os textos estão sempre a surgir...
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