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 Maria de Magdala: a Verdade, The Truth is Out There
Spectral
Posted: May 1 2004, 12:37 AM


Grande Escritor


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Como o Strigoi disse, não estamos a discutir religião, estamos a discutir história.

E de qq maneira eu sempre pensei que "religião, futebol e política" deviam discutir-se, mas sempre respeitando a opinião dos outros, o que é bastante diferente da atitude :" há coisas que não se discutem", q apenas conduz à ignorância.

QUOTE
A história do ínicio da era cristã, e a história do inicio de algumas religiões, não a religião em si. baseando-me nos unicos dados que possuimos: Evangelhos Canónicos, Apócrifos, Nag Hammadi Library e Dead Sea Scrolls


Não te esqueças que existem mais fontes: os poucos registos romanos que existem dão uma prespectiva interessante sobre a coisa ( embora estranhamente, existem bastantes detalhes dos períodos 150-50 BC e 50-100 AD , mas não do período intermédio) e talvez a fonte que o ser humano tenha tido menos hipóteses de alterar : a arqueologia ( como aliás dá para ver pelo post do Oblivion)

Já agora, se as pessoas querem participar nestas discussões, dava jeito que olhassem para os posts que estão antes. Assim evitava-se tar a repisar os mesmos temas à distância de uma página, como a Páscoa judaica e as relações romano/cristãs e as suas causas, e as respostas "tortas" resultantes.

This post has been edited by Spectral on May 1 2004, 12:39 AM
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PACS
Posted: May 1 2004, 01:21 PM


Escritor sem editora


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Talvez eu não me tenha explicado bem, ou então percebi mal a informação de alguns posts e escolhi mal as palavras...Eu nao queria dizer que os argumentos aqui utilizados eram anti-cristãos, embora talvez tenha sido isso mesmo que aconteceu. Por isso apresento as minhas desculpas.

Como já disse o que tinha a dizer sobre o tema, mais não postarei.
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silent_dark
Posted: May 2 2004, 10:49 AM


Escritor de 2ª


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Bem, ainda bem que a Internet na minha escola se avariou e eu não assisti a este confronto sujo. Não achei nada bom o que se passou aqui. As previsões oblivianas até um certo ponto acabaram por se concretizar. OPs posts tornaram-se agressivos e isso nunca é bom.

Não venho responder aos novos argumentos entretanto apresentados porque ainda preciso de pensar mais e de voltar a reler para tudo apreender bem. Só venho tocar num dos pontos fundamentais da discussão: a modificação dos evangelhos para a eliminação do conflito cristãos-romanos, que tem sido apresentado como uma das provas mais racionais para que haja deturpação das escrituras, alegando que os cristãos quereriam que a sua religião não ofendesse muito so romanos.
Porém, meditando neste facto, ocorreu-me: porque razão haveriam os cristão de se quererem relacionar bem com os romanos? Sim, os cristãos nunca fizeram nada para terem boas relações com os romanos, ou pelo menos foi isso que eu estudei em História. De facto, censuravam a sociedade romana e a sua organização abertamente, criticavam ferozmente a barbárie que eram os jogos de gladiadores, recusavam prestar culto ao Imperador! Parece-me que, definitivamente, eles não estavam minimamente interessados em ter boas relações com os Romanos, por isso, para que é que haviam de alterar os evangelhos?
Ainda sobre o Conselho de Niceia, relembremos que Constantino o convocou porque, ao declarar o Crsitianismo legal, queria aproveitar a força dos cristãos como um factor de coesão, e, ameaçando esse projecto, começavam a surgir certas heresias. Para as condenar e definir a doutrina ortodoxa- a correcta, a oficial desses primeiros tempos- convocou o Conselho de Niceia.
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Spectral
Posted: May 2 2004, 05:14 PM


Grande Escritor


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QUOTE
porque razão haveriam os cristão de se quererem relacionar bem com os romanos?


Porque os Romanos dominavam todo o mundo "conhecido" da altura dah ( desculpa lá :P ).
Não seria muito bom apresentar uma religião que se pretendia "universal" ( e aqui está uma das grandes diferenças para o Judaísmo), como tendo sido originado num conflito com as autoridades Romanas locais.
Não se esqueçam que cerca de 40 anos dps da morte de Cristo , houve a grande revolta dos Judeus, reprimida a ferro e fogo pelos Romanos, até à tomada e quase destruição de Jerusalém e ao episódio de Massada ( que tem as suas semelhanças com aquele episódio dos cátaros que o Strigoi várias vezes refere).

De tal maneira que as distinções entre cidadão romano e cidadão livre do Império foram-se esbatendo, até que cerca de 200 AD todos os cidadãos livres foram tornados cidadão romanos, iguais perante a lei. Ou seja, houve uma constante integração das províncias no Império, de modo a torná-los romanos ( naquela altura já havia vários judeus cidadãos romanos, como Paulo).

Outro promenor: não se esqueçam que a civilização Romana era extremamente tolerante a nível religioso, como o prova a penetração das religiões orientais na própria Roma. As perseguições aos cristãos, motivadas por estes não poderem rezar a falsos deuses, eram a excepção e não a norma. Normalmente estava convencionado que cristãos (e judeus) rezariam ao seu Deus pelo Imperador.

Não se deixem enganar pelo mito dos cristãos a serem comidos por leões no Coliseu (não há provas que o Coliseu alguma vez tenha visto estes episódios). Claro que houve perseguições ferozes, mas foram localizadas e apenas em certos espaços de tempo.
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Sith'Ari
Posted: May 2 2004, 06:23 PM


Escritor de 2ª


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ah, já agora, só quero dizer que os catolicos, ao contrario dos gnosticos eram os mais perseguidos, por acreditarem no martinismo(ou algo do género, refiro aos martires).
eles acreditavam que quando confrontados com as autoridades romanas que lhes perguntavam se adoravam outros deuses que nao o imperador(ou algo parecido) nao podiam nehar deus nem cristo.
enquanto que os gnosticos o faziam livremente para escapar a perseguições deste género.
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silent_dark
Posted: May 3 2004, 02:23 PM


Escritor de 2ª


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QUOTE
Strigoi said: "...lhes [aos cristãos] perguntavam se adoravam outros deuses que nao o imperador(ou algo parecido) nao podiam nehar deus nem cristo.
enquanto que os gnosticos o faziam livremente para escapar a perseguições deste género. "


Não querendo estar aqui com fervosismos religiosos, eu diria que isso é que é ser fiel ao que se acredita, não fugir só para salvar a pele. Sócrates também não disse que não só para não morrer.

QUOTE
Spectral said: "Não se deixem enganar pelo mito dos cristãos a serem comidos por leões no Coliseu (não há provas que o Coliseu alguma vez tenha visto estes episódios). Claro que houve perseguições ferozes, mas foram localizadas e apenas em certos espaços de tempo. "


Não posso deixar de concordar com tudo o que disseste antes no teu post, mas tenho de discordar desta última afirmação. Então, para isso, tudo o que estudávamos a história está errado! E as perseguições de Nero? E de Diocleciano?
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Sith'Ari
Posted: May 3 2004, 05:25 PM


Escritor de 2ª


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QUOTE
Não querendo estar aqui com fervosismos religiosos, eu diria que isso é que é ser fiel ao que se acredita, não fugir só para salvar a pele. Sócrates também não disse que não só para não morrer.


também sem querer entrar em detalhes de gnosticismo, acredita que isto tem a ver com as crenças bases de cada religião(nomeadamente o gnosticismo). não é uma questão de fidelidade...

This post has been edited by StrigoiVii on May 3 2004, 05:26 PM
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Tomoe
Posted: May 3 2004, 05:44 PM


Escritor de 2ª


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Até explico melhor. Para o Catolico a morte de martir é uma coisa "boa", o derradeiro sacrificio pela fé, indo para o ceu. Mas para o Gnostico a morte apenas serve para lhe atrasar a gnose e voltar a reencarnar, ou seja, uma coisa má. Portanto não há problema ninhum em querer salvar a pele, dessa forma é que pode seguir a sua religião.
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Sith'Ari
Posted: May 3 2004, 06:17 PM


Escritor de 2ª


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ok, tomoe, embora tenhas razão a kestão não se prende só por aí.
É que para o gnóstico não interessa ter de se afirmar gnóstico ou cristão para outros, ainda mais hylicos, pois não é isso que fará com que ele se salve(o que corresponde ao ir para o céu católico) quando morrer, mártir ou não.
ainda poderia elaborar mais nisto se fosse buscar o "The Gnostic Gospels" mas agr não estou um bocado ocupado.
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Spectral
Posted: May 3 2004, 07:01 PM


Grande Escritor


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QUOTE
Não posso deixar de concordar com tudo o que disseste antes no teu post, mas tenho de discordar desta última afirmação. Então, para isso, tudo o que estudávamos a história está errado! E as perseguições de Nero? E de Diocleciano?


São exemplos dos casos pontuais ( mas ferozes é claro) que eu tinha referido anteriormente.

Mas também são casos diferentes: as perseguições de Nero parecem ter sido um pouco exageradas, tal como a história que ele próprio incendiou Roma ( pouco provável), devido a toda a lenda à volta do caso ( o exemplo máximo é o Quo Vadis ).

Por outro lado as perseguições de Diocleciano foram das mais ferozes de sempre. Inscreveram-se na política de afirmação do poder autoritário de Dicleciano ( que tinha adquirido o poder pela força), e na deriva do conceito de "imperador" para um nível semi-devino ( mais uma vez um conceito oriental a actuar em Roma.). Mas ( posso estar enganado agora), tenho a ideia de que os imperadores que se seguiram a Diocleciano foram muito mais tolerantes ( ou então não tinhma tempo para essas coisas, com tanta guerra civil pelo meio :blink: ).

Como resumo, acho que se pode dizer que o Império Romano foi, falando genericamente, mais tolerante para o Cristianismo ( e as outras religiões "estrangeiras" em geral) do que a Europa Medieval para com o Islamisimo ou Judaísmo ( já para não falar nas tais de "heresias" de que os catáros são um bom exemplo...)
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Spectral
Posted: May 3 2004, 11:33 PM


Grande Escritor


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QUOTE
QUOTE 
Não querendo estar aqui com fervosismos religiosos, eu diria que isso é que é ser fiel ao que se acredita, não fugir só para salvar a pele. Sócrates também não disse que não só para não morrer. 



também sem querer entrar em detalhes de gnosticismo, acredita que isto tem a ver com as crenças bases de cada religião(nomeadamente o gnosticismo). não é uma questão de fidelidade...



só agora vi...

bem eu acho que podemos encarar a coisa sobre um ponto de vista de moral e de princípios, deixando essa questão religiosa ( que também tem a sua lógica é claro) de lado. E sim, aí esses cristãos merecem elogios, porque morreram pelo que acredetivam, e não mentiram ou fingiram falsas fés só para se salvarem. Há que elogiar a coragem...

Além de que como o Silent disse, não é só uma questão de acreditares que te salves ou não ( o céu ou inferno), mas de coerência de princípios e ideias.

This post has been edited by Spectral on May 3 2004, 11:34 PM
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Sith'Ari
Posted: May 4 2004, 09:47 PM


Escritor de 2ª


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é pah, acho k estão enganados mas nao vos vou tentar convencer. como disse vamos discutir história

This post has been edited by StrigoiVii on May 4 2004, 09:54 PM
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Spectral
Posted: May 4 2004, 10:00 PM


Grande Escritor


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QUOTE
é pah, acho k estão enganados mas nao vos vou tentar convencer. como disse vamos discutir história


hum ?

não percebi ( então os gajos não podem simplesmente ter sido corajosos e fiéis à sua religião até ao fim ?)

mas siga e vamos discutir história como disseste

This post has been edited by Spectral on May 4 2004, 10:00 PM
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Sith'Ari
Posted: May 4 2004, 10:21 PM


Escritor de 2ª


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QUOTE
então os gajos não podem simplesmente ter sido corajosos e fiéis à sua religião até ao fim ?


a kestão, e só para esclarecer o meu ponto, não para entrarmos em discussão, é que para o gnostico isso não é uma questão de fiel à sua religião, pk a sua religião só a ele diz respeito; a gnose é pessoal. não interessa confirmar isso a exteriores, sejam eles homens ou deuses inferiores(tipo Jeová). Isso porque O Deus dos gnósticos simplesmente sabe se o sopmos ou não, desde que sejamos verdadeiros connosco.


qt a historia, ja recebi o "The Gnostic Bible", um dos livros que contém alguns textos apócrifos. assim que os for lendo vou postando comentários

This post has been edited by StrigoiVii on May 4 2004, 10:22 PM
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Spectral
Posted: May 4 2004, 11:00 PM


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QUOTE
QUOTE 
então os gajos não podem simplesmente ter sido corajosos e fiéis à sua religião até ao fim ?



a kestão, e só para esclarecer o meu ponto, não para entrarmos em discussão, é que para o gnostico isso não é uma questão de fiel à sua religião, pk a sua religião só a ele diz respeito; a gnose é pessoal. não interessa confirmar isso a exteriores, sejam eles homens ou deuses inferiores(tipo Jeová). Isso porque O Deus dos gnósticos simplesmente sabe se o sopmos ou não, desde que sejamos verdadeiros connosco.


exacto, mas eu estava sempre a falar apenas dos cristãos/católicos, não dos gnósticos...

uii esse livro deve tar carregadinho de revelações bombásticas :D
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Sith'Ari
Posted: May 5 2004, 05:54 PM


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QUOTE
exacto, mas eu estava sempre a falar apenas dos cristãos/católicos, não dos gnósticos...

exacto, só estava a defender o outro ponto de vista

QUOTE
uii esse livro deve tar carregadinho de revelações bombásticas

acredita que sim, desde o evangelho de Tomé até ao de Maria Madalena, passando pelo de Filipe, o apocalypse de Adão, o livro secreto de João, de Tomé, etc.etc.
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Kamen
Posted: May 6 2004, 02:23 PM


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Jesus e a sua familia:

(Posted Image)
Mat12:46 While he yet talked to the people, behold, his mother and his brethren stood without, desiring to speak with him.

Mat12:47 Then one said unto him, Behold, thy mother and thy brethren stand without, desiring to speak with thee

(Posted Image)
Luke8:19 Then came to him his mother and his brethren, and could not come at him for the press.

Luke8:20 And it was told him by certain which said, Thy mother and thy brethren stand without, desiring to see thee.

----------------------------
Marias para todos!

(Posted Image)
John19:25 Now there stood by the cross of Jesus his mother, and his mother's sister, Mary the wife of Cleophas, and Mary Magdalene.

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Sith'Ari
Posted: May 8 2004, 09:24 PM


Escritor de 2ª


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ok, ppl antes de mais devo dizer, em relação aos pontos levantados pelo PACS, que:

QUOTE
"Depois disto, desceu a Cafarnáum com a mãe, os irmãos e os discípulos, e ai ficaram alguns dias"  João 2:12

como podem ver este excerto claramente distingue os discipulos dos irmãos de jesus.

QUOTE
P.S:- Algo que me esqueci de referir no outro post, o facto do nome de Tomé querer dizer Gémeo, para mim não quer dizer nada. Podia aqui começar a discutir o significado dos nomes, mas não vale a pena. Tomé até era conhecido entre os discipulos como didimo...

Pois era, mas tive a pesquisar e Toma(Tomé) é hebraico para gémeo e Dídimo(Didymus) é grego para gémeo(vide The Bible Encyclopedia).

mas estou aki para vos dizer que aparentemente os eruditos actuais acreditam na existência de um outro evangelho, mais antigo.
Isto provém do facto de que dos evangelhos sinópticos(mateus, marcos e lucas), o de marcos é o mais "fraquinho" em conteúdo. com isto quero dizer que os outros dois têm as histórias e ensinamentos contidos em marcos e outros mais(embora com pekenissimas variações tipo o sermao ser na montanha em mateus e na planicie em lucas).
Isto levou os eruditos a crer na exitencia de uma outra fonte8além do evangelho de marcos) para estes dois evangelhos, e foi denominado de evangelho Q(de Quelle, alemão para 'fonte'). Mas este, tal como o de Tomé, é um evangelho de ensinamentos e não de narração(como os canónicos) e deverá ser mais antigo que o de Tomé, o que o colocará por volta de metade do 1o século, i.e. cerca de 20 anos após a crucificação!!!!!!
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silent_dark
Posted: May 9 2004, 09:45 AM


Escritor de 2ª


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Só uma pequena achega para a nossa discussão: o Código Da Vinci contém muitas destas ideias e a propósito do livro saiu no Mil Folhas , o suplemento literário semanal do PÚBLICO, um artigo onde eram analisadas algumas ideias patentes na obra, nomeadamente a de Maria Madalena ser a mulher de Cristo. Não quer dizer que o que o artigo diz seja a minha crença e esteja de acordo com ele. Mas noutros pontos também não discordo. Acima de tudo, coloco-o aqui como mais uma achega para a nossa reflexão e debate.

QUOTE

Por António Marujo

Maria Madalena era casada com Jesus? 

Não há, nos evangelhos, nada que fale desta hipótese. O normal, entre os judeus do tempo de Jesus, era que um homem casasse e constituísse família. Mas essa regra tinha excepções no mundo judaico, e esse parece ser também o caso de Jesus: vários profetas do Antigo Testamento não casaram, os monges essénios de Qumran - que inicialmente casavam - deixaram o casamento e viveram celibatários durante umas sete décadas (facto referido pelo historiador romano Flávio Josefo), o próprio João Baptista não casou, vivendo no deserto. Maria Madalena, uma das mais fiéis seguidoras de Jesus, acompanhou o seu grupo, permaneceu junto da cruz até à morte de Cristo e foi a primeira a testemunhar a ressurreição e a falar com o seu Mestre. É essa proximidade que Dan Brown utiliza para fazer dela a mulher de Jesus, depositária da sua herança e o próprio Graal - que, afinal, não seria o cálice usado por Jesus na sua Última Ceia com os discípulos, mas Maria Madalena em pessoa, como o expoente da dimensão feminina que o cristianismo anularia. O casamento não parece muito provável. Se ele tivesse acontecido, seria normal que os evangelhos o relatassem, mesmo que isso, por qualquer entendimento conspirativo, como Brown insinua na trama narrativa, fosse visto como negativo pelas primitivas comunidades cristãs. As narrativas evangélicas estão cheias de acontecimentos pouco simpáticos para a imagem dos primeiros cristãos: as dúvidas dos apóstolos, as negações de Pedro, as lutas internas pelo poder...

Maria Madalena era a mulher adúltera de que falam os evangelhos?

Não. A confusão entre as duas personagens foi sendo feita ao longo de séculos, mas Maria Madalena, da qual Jesus "expulsara sete demónios", e a "mulher adúltera" são duas figuras diferentes. A identificação entre ambas, recorda Joaquina Nobre Júlio ("Jesus e as Mulheres nos Evangelhos", ed. Multinova), foi feita por autores e obras tão diferentes como Hegel ou a "Legende dorée", de Voragine. Mas "nada justifica nos evangelhos" a identificação das duas como a mesma pessoa. As referências a Maria Madalena apontam-na como aquela a quem Jesus curou - provavelmente de algum problema psicológico -, que depois está junto da cruz quando Cristo é crucificado e que se torna a primeira testemunha da ressurreição. É este episódio que dá origem à representação do "Noli me tangere" (Não me toques, em latim), cena pintada por vários artistas. No evangelho segundo São João, conta-se que Maria Madalena estava à procura do corpo de Jesus, quando o próprio lhe aparece e, depois de o reconhecer, ela se aproxima dele, "exclamando em hebraico: 'Rabbuni', que quer dizer 'Mestre!'". E Jesus responde-lhe: "Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: 'Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus.'"

Havia mulheres entre os seguidores de Jesus?

Talvez, sem o saber, seja aqui que Dan Brown mais se aproxima do que terá acontecido na realidade. As investigações mais recentes confirmam frases dos textos bíblicos do Novo Testamento, de acordo com as quais algumas mulheres acompanhavam Jesus, integrando o grupo dos mais próximos seguidores. Maria Madalena, ou de Magdala, como por vezes também é referida, era uma delas, de tal modo que Joaquina Nobre Júlio escreve (na obra antes citada) que ela "é o expoente máximo do discipulado de Jesus e a primeira testemunha da ressurreição". Mas não foi só Maria Madalena. Logo a seguir à ressurreição, quando as primeiras mulheres se dirigem ao sepulcro onde Jesus tinha sido depositado, aparecem-lhes "dois homens em trajes resplandecentes" que lhes perguntam: "Por que buscais o Vivente entre os mortos? Não está aqui; ressuscitou! Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia..." Estes elementos levam vários teólogos (e sobretudo teólogas) a defender que, muito provavelmente, haveria mulheres também na Última Ceia - não apenas uma, como pretende Brown, quando se refere ao quadro de Leonardo Da Vinci, mas várias.

(...)
O cânone bíblico foi estabelecido por Constantino?

Dan Brown vai beber algumas das suas intuições aos evangelhos apócrifos, alguns deles descobertos em Nag-Hammadi, em 1947. Esses textos aparecem tardiamente para "preencher os vazios" deixados pelos quatro evangelhos canónicos sobre a vida de Jesus, como diz o padre Joaquim Carreira das Neves, exegeta bíblico e professor na Universidade Católica. Assim sendo, Brown tenta menorizar os escritos dos primeiros cristãos dizendo que foi Constantino, no início do século IV, a fixar o cânone com intuitos políticos. Mais uma ideia ao serviço da narrativa: Constantino não se preocupou com isso, embora tenha usado a sua conversão e a sua posterior gestão de discussões no interior do cristianismo com intuitos claramente políticos, como hoje é reconhecido pelos historiadores. Os quatro evangelhos canónicos foram, depois das cartas de São Paulo, os primeiros textos a ser escritos e dos primeiros a ser aceites pelo cânone bíblico neotestamentário - ou seja, pela generalidade das comunidades cristãs dos séculos II e III. Mas a sua definição completa só se verifica no século XVI, com o Concílio de Trento, em 8 de Abril de 1546 (para os católicos) e o movimento da Reforma (para os protestantes).


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silent_dark
Posted: May 9 2004, 09:51 AM


Escritor de 2ª


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Reparei agora que a meio duma das perguntas que transcrevi há uma referência a outro artigo, que ainda não tinha lido. Passei agora uma vista de olhos rápida por ele e parece-me que também pode ajudar a continuar o nosso debate. Ei-lo pois. E desculpem estes textos serem tão longos...

QUOTE

Por Joaquim Carreira das Neves
Padre; membro da Ordem dos Frades Menores (Franciscanos); exegeta bíblico. Excertos de um texto a publicar na revista "Communio".


Nunca devemos esquecer que Jesus nada escreveu nem mandou escrever. Apenas mandou pregar. Os evangelhos são fruto desta pregação, na sequência da "memória" oral e, mais tarde, escrita, dos apóstolos, profetas, evangelistas. Segundo os dados mais recentes da crítica histórica e textual dos quatro evangelhos canónicos - Mateus, Marcos, Lucas, João - nenhum dos seus autores terá sido testemunha ocular e, portanto, companheiro de Jesus. Foi a Igreja do século segundo que os "nomeou" como tal para melhor fazer passar a mensagem. Confundia-se "canonicidade" com "autoridade". O certo é que estes evangelhos entraram na liturgia das igrejas e, por ela, no cânone. Foi a Igreja que "escolheu", entre vários escritos, os 27 livros do NT, não sem algumas dificuldades internas. Nem é por acaso que a definição última do cânone só aconteça com o Concílio de Trento.

A história dos livros canónicos é realmente difusa e controversa. Não nos é possível estabelecer os princípios absolutos que levaram a Igreja judaica e a Igreja cristã a determinar os livros canónicos dos não-canónicos. Para o cânone cristão podemos afirmar que o princípio da apostolicidade foi importante, isto é, se um livro estava ou não de acordo com a pregação apostólica primitiva e se era lido e proclamado na liturgia das igrejas primitivas como palavra de Deus (1Tm 4, 13; 2Tm 3, 15). As cartas de Paulo são o primeiro exemplo de escritos do Novo Testamento, desde os anos 50 a 62. Mas nem sempre foram bem aceites (2 Pd 3, 16). E das 14 cartas de Paulo, segundo a crítica histórica, textual e literária, podemos afirmar que 7 são paulinas e outras 7 pseudo-paulinas, isto é, da "escola" paulina. Nos princípios do séc. II, algumas comunidades cristãs davam o mesmo valor aos actuais 27 livros canónicos como também às cartas de Inácio de Antioquia. E as primeiras produções literárias da época pós-apostólica, como eram a "Didakhé", cartas de Barnabé, de Clemente Romano e de Policarpo juntavam o "Pastor de Hermes" e outros escritos aos do Novo Testamento e Antigo Testamento. No "Fragmento de Muratori", de meados do séc. II, não se citam como Sagrada Escritura a carta (epístola) aos Hebreus, Tiago, terceira carta de João, primeira e segunda de Pedro. Mas aparece como livro canónico o Apocalipse de Pedro e como leitura sagrada para uso privado o "Pastor de Hermes". Por outro lado, já são proibidos os livros gnósticos, os escritos de Marcião e dos frígios saídos de Montano. Nos finais do séc. II as igrejas mais importantes do oriente grego e do ocidente latino conheciam os quatro evangelhos, treze cartas de Paulo, a carta de Tiago, a primeira de Pedro e a primeira de João. Orígenes já cita todos os livros do NT e Eusébio de Cesareia apresenta como canónicos ou reconhecidos ("omologoumenoi") os quatro evangelhos, as 14 cartas paulinas, Apocalipse, primeira de Pedro e primeira de João. Como discutidos ("antilegomenoi-deuterocanónicos") apresenta Tiago, Judas, Pedro, segunda e terceira de João. O sínodo de Hipona, no ano 393, determina de maneira oficial todos os livros do NT.

As diferenças substanciais de forma e conteúdo entre os três evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) e o quarto evangelho (João) são um bom exemplo para concluirmos que os evangelhos dependem das tradições orais e escritas das comunidades primitivas. Por detrás de cada evangelho está uma ou mais comunidades, espalhadas pelo império romano. Os evangelhos não nos apresentam as "ipsissima verba" de Jesus (as palavras que saíram tal e qual da boca de Jesus). Os evangelistas não andaram com Jesus e quem andava com ele não usava gravador, máquina de filmar, nem tomava apontamentos. Mesmo assim, é espantoso como os sinópticos nos apresentam a doutrina de Jesus, centrada no sintagma "Reino de Deus", de maneira tão original, através de parábolas, comparações, pequenos discursos, apotegmas, milagres e demais narrativas. (...)

Evangelhos apócrifos

Os evangelhos "apócrifos" foram escritos depois dos quatro canónicos com fins ideológicos muito próprios. Apresentam-nos narrativas e sentenças de Jesus substancialmente diferentes das dos canónicos. Eles nascem, naturalmente, para preencher os "vazios" deixados pelos evangelhos canónicos. Jesus era grande de mais para não se saber nada da sua infância, juventude, aprendizagem. O mesmo se diga de sua mãe, S. José, irmãos e demais família. As discussões teológicas sobre Jesus, apenas homem ou apenas Deus, já se encontram na primeira carta de S. João. As linhas cristológicas dos "docetas" e "monofisitas", por um lado, e dos "gnósticos", por outro, originaram os seus próprios livros. Assim nasceram, a partir do séc. II, os evangelhos e demais literatura apócrifa. Esta literatura já é conhecida pelos Padres da Igreja, sobretudo os apologetas, que a combatem para defesa da ortodoxia cristã. Sobressaem S. Ireneu de Lião e S. Epifânio, mas, também, S. Agostinho, S. João Crisóstomo e tantos outros. Com a liberdade oferecida aos cristãos por Constantino, estes escritos e seus corifeus foram marginalizados. Reapareceram em 1945-47 no antigo mosteiro egípcio de Nag-Hammadi. Estão traduzidos e estudados em todas as línguas ocidentais mais importantes e são objecto de grandes discussões nos dias de hoje. O movimento religioso da "New Age" faz deles uma espécie de cânone escriturístico das suas ideias religiosas. Enquanto que a era do "peixe" foi dominada pelo cânone judaico e cristão clássico, a era do "aquário" está a ser dominada por estes escritos apócrifos. Segundo os seus mentores, os evangelhos mais primitivos são estes apócrifos e não os clássicos da Igreja Católica, Protestante e Ortodoxa. As autênticas palavras de Jesus, sua vida, morte e ressurreição, vêm nestes livros que a Igreja de Constantino pôs de lado.

Neste aspecto, os célebres AGRAPHA de Jesus recebem um novo alento com esta mudança de paradigma. E a verdade é que estes novos AGRAPHA estão a invadir a literatura ocidental e, com ela, o apetite de novidade, de descoberta e de motivação sobre o "novo" Jesus e o seu mundo. (...)

[Obras como o] romance de Dan Brown devem ser vistas como ficções, que têm o interesse de qualquer texto literário, mas não podemos considerá-las rigorosos de um ângulo mais fundo da análise exegética. Não nos fornecem nenhum AGRAPHA válido para melhor compreendermos a real pessoa de Jesus. Valem pela reflexão que nos levam a fazer, mas não têm assento na história ou na tradição. Em suma, são alicerçados sobre areia e não sobre rocha (Mt 7, 26-27).
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