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Bem, como o título indica esta thread é para se ir pondo notícias. Comentários às notícias são bem vindos, mas para um debate mais aprofundado pode-se abrir um novo tópico. Como vão reparar para estas bandas "ciência" é sinónimo de "física", mas se tiverem notícias interessantes de outra área ( desde que não seja ciência política, religiosa ou bizarrias semelhantes B) ) não hesitem em pôr. Aqui vai a 1ª http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?...6853&idCanal=35Físicos austríacos anunciam "teletransporte" de informação de um átomo para outro Lusa Um grupo de físicos do Instituto de Informação e Óptica Quântica de Innsbruck, na Áustria, anunciaram ter conseguido, pela primeira vez no mundo, "teletransportar" informação contida num átomo para outro. Nesta investigação, que é notícia de primeira página na revista científica britânica "Nature", participou Anton Zeilinger, conhecido pelas suas experiências com fotões "entrelaçados", partículas que têm as mesmas propriedades - transformam-se da mesma maneira onde quer que estejam e qualquer qualidade adquirida por uma delas transfere-se instantaneamente para a outra. Os investigadores de Innsbruck conseguiram agora dar mais um passo em frente ao passarem informação quântica contida num ião de cálcio de um átomo para outro. Devido às minúsculas dimensões dos objectos das suas experiências, os físicos sabem que qualquer observação pode alterar o resultado das suas investigações. Para resolver este problema, utilizam as partículas "entrelaçadas", que se criam com raios laser a uma temperatura próxima do zero absoluto (-273 graus), para quase parar o movimento molecular. Usam-se dois átomos com este tipo de iões "entrelaçados", com os números 2 e 3, ambos com as mesmas características. Se a partícula 2 é modificada por uma terceira, como a número 1, essa alteração transfere-se imediatamente para a número 3, que está "entrelaçada" com a número 2. Foi assim que os cientistas explicaram o "teletransporte" de uma informação contida no ião 1 para o ião 3, utilizando como mediação o ião 2. Outro projecto no qual trabalham os físicos austríacos é o desenvolvimento de computadores quânticos, de velocidade muito superior à dos binários e com uma capacidade praticamente infinita para armazenar informação. -*- Fotónica e computadores quânticos à vista... :rolleyes:
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Aqui vai um textozito do José Matos, sobre a vergonha que o não pagamento das quotas ao ESO:
| QUOTE | Portugal é membro de pleno direito do Observatório Europeu do Sul (ESO) desde Janeiro de 2001. Como todos os países que pertecem ao ESO tem que pagar uma quota anual que no nosso caso é de 1,5 milhões de euros. Além disso, está a pagar em "suaves" prestações de 800 mil euros cada, a chamada quota de entrada. Esta quota é uma espécie de jóia que se paga para entrar num clube tão selecto. Normalmente paga-se toda de uma vez só, mas Portugal conseguiu negociar na altura o seu pagamento em prestações ao longo de cinco anos. Ora o nosso querido governo esqueceu-se de pagar não só quota anual de 2003, como também a prestação da jóia de 2003 e de 2004, que é paga sempre em Janeiro. Isto levou a que o ESO retirasse o direito de voto aos nossos dois representantes no conselho do ESO. E avisou mesmo que se as quotas não forem pagas brevemente perdemos o acesso aos telescópios do ESO. Parece que foi a primeira vez na história do ESO, que um país se esqueceu de pagar as quotas. O ministério já disse que ia pagar tudo, mas a situação mostra obviamente um país de contrastes. Consegue organizar um europeu de futebol, mas não consegue pagar a tempo e horas as quotas numa organização internacional. O que dirão lá fora de nós?
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Como se o que está acima não fosse vergonha suficiente, agora é a vez do CERN não receber o dinheiro de Portugal...
QUE VERGONHA!
| QUOTE | Portugal Não Está a Cumprir Compromissos com o CERN Sábado, 26 de Junho de 2004
Problema arrasta-se há dois anos
Atraso nos pagamentos pode comprometer parte do novo acelerador de partículas europeu
Teresa Firmino
O Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), em Genebra, na Suíça, está a construir um novo acelerador de partículas. É o Large Hadron Collider (LHC), que deverá começar a funcionar em 2007, acelerando partículas subatómicas e fazendo-as colidir, para desvendar os mistérios mais ínfimos da matéria. Mas para entrar no mundo do muito pequeno, os aceleradores têm de ter detectores que analisam as partículas resultantes dos choques - é no desenvolvimento de um desses detectores, o CMS, que participam cerca de 25 cientistas portugueses. O problema é que não receberam as verbas previstas para 2003 e 2004, destinadas à construção de componentes vitais do CMS. Por isso, o director-geral e o presidente do Conselho do CERN planeiam visitar Portugal em breve.
Para o físico João Varela, o coordenador do grupo português na experiência CMS, esta situação é "grave". "Portugal está em vias de perder a face", diz o professor do Instituto Superior Técnico (IST) e investigador no Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), ambos em Lisboa.
A participação no LHC de Portugal, um dos 20 países-membros do CERN, desde 1985, foi acordada em 1995. O país assinou um acordo de colaboração na experiência ou detector CMS, que é composto por quatro detectores (o de fotões e electrões, o de muões, o de hadrões e o de partículas carregadas).
Para se perceber a importância do CMS, nele participam 2500 cientistas de 120 instituições de várias partes do mundo - o LIP, que lidera o grupo português, é uma das 120. Desde universidades e institutos de investigação até empresas, dos países-membros do CERN e de outros países com acordos de colaboração, como os EUA, o Canadá ou Rússia, participam na construção do CMS.
Portugal comprometeu-se a contribuir com 2800 milhões de francos suíços (1848 milhões de euros), seguindo um calendário até 2007, destinados à construção do sistema de selecção e aquisição de dados do detector de fotões e electrões do CMS. Deste montante, 400 mil francos (264 mil euros) seriam em dinheiro e já foram pagos. Os restantes 2400 milhões de francos (1584 milhões de euros) seriam em equipamentos desenvolvidos pelos cientistas e pela indústria portugueses. "As verbas começaram a ser transferidas em 1996, e não houve percalços até 2002. Até agora, foram transferidos 1600 milhões de francos suíços", diz João Varela.
Mas em 2003 e 2004, as verbas previstas - 700 mil francos suíços, ou 462 mil euros - não chegaram à equipa portuguesa, composta por investigadores do IST e do Instituto de Engenharia e Sistemas de Computadores (Inesc) de Lisboa, além do LIP. Também participaram cientistas do Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (Inegi), no Porto, que já concluíram a sua parte. Entre 2005 e 2007, a equipa deverá ainda receber 500 mil francos (330 mil euros).
"O problema é que as verbas de 2003 e 2004 não chegaram, nem se sabe quando vão chegar", diz João Varela. Tem falado com o director do LIP, o físico e ex-ministro da Ciência José Mariano Gago. "Pergunto-lhe o que se passa, mas ele também não sabe."
Com essas verbas, a equipa ia passar a construir, em colaboração com a indústria, entre 2003 e 2005, os protótipos que desenvolveu. "Corremos o risco de não ter financiamento para construir a instrumentação que nos responsabilizámos a construir. Tem de ser construída agora", sublinha o físico. "O grupo português responsável pela construção de componentes vitais para a experiência CMS no LHC não tem condições de respeitar os compromissos por falta de verbas", alerta.
Credibilidade portuguesa em causa
Que consequências podem ter essa falta de verbas, que deviam ter sido pagas pelo Estado português? "Podem ser muito desagradáveis. Se Portugal não construir este sistema, a experiência CMS não funciona", responde João Varela. "É impensável que Portugal não respeite este compromisso. Seria um golpe demasiado rude na credibilidade da ciência portuguesa. Os 2500 cientistas que participam na experiência CMS não se privariam de espalhar a notícia. Espero que o Governo compreenda a tempo o que está em jogo", alerta ainda.
"Se não solucionarmos o problema, a nossa credibilidade baixa a um ponto mínimo e a possibilidade de integrarmos outras colaborações reduz-se. Ninguém vai querer colaborar com uns tipos que depois não cumprem os compromissos. E vai afectar outras áreas, porque estas coisas sabem-se."
O CERN está a par deste problema, até porque Portugal também não pagou parte das quotas de 2003 e as de 2004. Ontem, o assessor de imprensa do CERN, James Gillies, referiu que a organização espera a "resolução amigável" do problema. O director-geral do CERN, Robert Aymar, e o presidente do conselho, o órgão de decisão máxima, Enzo Iarocci, planeiam vir a Portugal em breve, acrescentou.
Para já, o país vai ter de pagar juros pelas quotas de 2003 e se, até ao fim de Dezembro, não saldar a contribuição de 2004, não só terá de suportar esses juros como perderá o direito de voto no conselho do CERN. É isso que acontece quando se falha o pagamento das quotas por dois anos.
O Ministério da Ciência e do Ensino Superior (MCES) garantiu, também ontem, que pagará: "Está já a decorrer no âmbito do Ministério das Finanças a tramitação para o pagamento das contribuições em dívida, as quais integram algumas experiências no âmbito do CERN e nas quais se inclui o projecto que é referido." Os pagamentos serão feitos com verbas do Plano de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) do MCES, e já foi pedida autorização para tal ao Ministério das Finanças.
Novo Acelerador Tem Mão Portuguesa Sábado, 26 de Junho de 2004
Desde 1995 que cientistas portugueses participam na construção no novo acelerador de partículas europeu, o Large Hadron Collider (LHC). Desenvolvem um sistema de aquisição de dados do detector de fotões e electrões, um dos quatro detectores da experiência CMS. Para tal, a equipa portuguesa desenvolveu vários protótipos e agora é preciso construí-los na versão final.
O Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) desenvolveu, em colaboração com o Instituto de Engenharia e Sistemas de Computadores (Inesc), o protótipo de umas placas electrónicas do sistema de aquisição de dados do detector. "Agora, temos de produzi-las em quantidade", diz o físico João Varela, coordenador do grupo português na experiência CMS, e é para isso que é necessário o dinheiro, que não tem vindo, do Ministério da Ciência. Dependendo do tipo de placa, as quantidades a construir variam entre 100 e 1000.
Para o mesmo sistema de aquisição de dados, uma empresa portuguesa de microelectrónica, a Chipidea, cujos circuitos integrados vão para mais de 20 países, também fez um "chip" conversor analógico-digital de alto desempenho. "Os protótipos já foram testados e estão a funcionar." É preciso construir cerca de 100 mil "chips", mas, diz João Varela, não há dinheiro.
"Todos os protótipos estão feitos. Para produzir, testar e pôr a funcionar toda esta electrónica, é preciso trabalho e dinheiro."
A participação portuguesa na experiência CMS contou ainda com o Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (Inegi), que desenvolveu e construiu protótipos de umas estruturas em fibra de carbono, com grande estabilidade mecânica, destinadas ao suporte dos lasers de alinhamento do detector. Fizeram-se vários protótipos e o maior, com cinco metros, já foi transportado para o Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), em Genebra, Suíça, onde se localizará o novo acelerador. Vão ser utilizadas 36 estruturas destas, ainda por construir. Portugal não é financeiramente responsável pelo seu fabrico - é o próprio CERN -, embora haja a possibilidade de o Inegi ser contratado para essa tarefa, refere João Varela.
Além disto, a empresa de metalomecânica Euroiso fabricou dez peças mecânicas e de ajuste da posição dos anéis do magneto supercondutor do CMS (um grande íman que gera um campo magnético muito intenso), que foram concebidas por um grupo do CERN. "Estas estruturas de suporte permitem, através de um sistema de injecção de óleo para redução do atrito, mover com grande precisão os anéis do magneto, com um peso total de dez mil toneladas."
Com a experiência CMS, os físicos pretendem estudar as colisões entre protões para responder a questões ainda sem resposta. É o caso do bosão de Higgs, uma partícula que explica por que todas as outras têm massa. A procura de uma prova da sua existência move os cientistas desde os anos 60, quando foi postulado pelo físico Peter Higgs, da Universidade de Edimburgo. Sem a sua detecção, falta um elemento crucial ao modelo-padrão - a teoria básica da física que descreve as partículas elementares, como os electrões, quarks e muões, e as interacções entre elas, como a força electromagnética, a fraca e a forte. Não dá resposta para a questão de como as partículas têm massa. O bosão de Higgs é tão importante que foi alcunhado partícula de Deus.
"Na visão que temos hoje do 'puzzle', o bosão de Higgs é a melhor explicação para as zonas que falta preencher. Mas pode ser que o modelo-padrão esteja errado. Pode ser que no LHC se venha a descobrir que, afinal, a resposta às nossas perguntas é outra e que o bosão de Higgs foi apenas uma miragem", diz João Varela. "O LHC é, essencialmente, uma busca em direcção ao desconhecido."
Esse rumo ao desconhecido passa ainda pela procura de dimensões extra no espaço-tempo, ou seja, por saber se, além das quatro dimensões do mundo macroscópico (três espaciais e uma temporal), existem dimensões só perceptíveis a uma escala microscópica. "As dimensões suplementares podem ser uma via para compreender a misteriosa força gravítica, que hoje se encaixa mal nas teorias quânticas das outras três interacções. Mas pode ser outra miragem..."
É para o saber que o LHC está a ser construído, com a experiência CMS e outras, num túnel circular com 27 quilómetros de comprimento, por baixo da fronteira franco-suíça, a 100 metros de profundidade, onde funcionou, até ao ano 2000, o maior acelerador de partículas do mundo, o Large Electron-Positron Collider (LEP). T.F.
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| QUOTE | Gulbenkian Prémio para Ciências Básicas Quarta-feira, 30 de Junho de 2004 Público
Cinco investigadores foram distinguidos com o Prémio Gulbenkian de Ciência, no valor de 25 mil euros, por trabalhos sobre a evolução das redes e a Internet, matemática aplicada e cosmologia. "Das Redes Biológicas à Internet e ao www", de Serguey Dorogovtsev, coordenador do Departamento de Física da Universidade de Aveiro, e José Fernando Ferreira Mendes, também de Aveiro, analisa redes complexas. José Francisco Rodrigues, da Universidade de Lisboa, foi distinguido pelo seu trabalho de matemática aplicada: "Inequações variacionais hiperbólicas de primeira ordem e algumas aplicações." O terceiro trabalho premiado, na área da teoria das cordas, é da autoria de Miguel Sousa da Costa, da Faculdade de Ciências do Porto, e Lorenzo Cornalba, do Instituto de Física Teórica da Universidade de Amesterdão.
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Quem é ele, quem é ele ? :P :P (esta é pro pessoal de Aveiro)...
e aquela do russo "cordenador" do dep de física lolol B) esse homem acho que é de S. Peterburgo lolol B)
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A Cassini-Huygens começa a mostrar serviço ( todas as notícias tiradas do Público):
| QUOTE | Anéis de Saturno Têm Novo Álbum de Fotografias Por TERESA FIRMINO, em Pasadena Sábado, 03 de Julho de 2004
Especialista nos anéis de Saturno, a investigadora Carolyn Porco, do Centro de Ciências Espaciais do Instituto de Tecnologia da Califórnia, não disfarçava o contentamento durante a apresentação pública das primeiras imagens dos anéis de Saturno tiradas pela sonda Cassini-Huygens. "Estou surpreendida com a beleza das imagens. Algumas são tão impressionantes que pensava que a minha equipa estava a mostrar-me simulações dos anéis e não os anéis", dizia a responsável pela equipa de imagem da sonda anteontem, na conferência de imprensa realizada no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em Pasadena (Califórnia).
A sonda fez 61 imagens dos anéis na madrugada de 1 de Julho, pouco depois de terminada a delicada manobra de inserção da Cassini-Huygens na órbita de Saturno. Quase sete anos após a partida da Terra, passou finalmente por entre os anéis do planeta, por uma separação que existe entre os anéis F e G. Atravessou os anéis vinda de um plano inferior, primeiro, e depois vinda de cima. Foi antes dessa última incursão, quando viajava a 15 quilómetros por segundo, que começou a colher imagens.
"Nunca voltaremos a estar tão perto dos anéis nesta missão", disse Carolyn Porco. Há imagens com uma resolução de cerca de 150, 200 e 700 metros por "pixel" (cada quadradinho que compõe uma imagem corresponde a tantos metros no objecto observado). "É uma resolução sem precedentes", disse a investigadora. "Trabalho nesta missão há 14 anos e não devia estar surpreendida, mas é extraordinário ver estas imagens pela primeira vez."
Depois, Carolyn Porco passou a mostrar algumas das imagens - todas a preto e branco, porque não havia tempo para fazê-las a cores. A sonda estava a andar demasiado depressa, por isso não podia fazer múltiplas exposições de cada área, para poder produzir imagens a cores.
Surgiu no ecrã gigante da sala da conferência, onde permanece um modelo à escala real das sondas Voyager, uma imagem com riscas de diferentes tons cinzentos, ora escuros, ora claros. Poderia pensar-se que era um dos sete anéis de Saturno conhecidos até ao momento, nomeados pelas letras A até G, por ordem de descoberta. Mas não. "É uma onda da Divisão de Cassini", esclareceu de imediato.
A Divisão de Cassini, descoberta pelo astrónomo franco-italiano Jean-Dominique Cassini, no século XVII, é uma grande separação entre os anéis A e B. Mesmo num telescópio fraco na Terra surge como uma banda escura que, até à visita da sonda norte-americana Pioneer 11, em 1979, se pensava estar vazia. No entanto, está repleta de pequenas partículas de gelo e, agora, a Cassini-Huygens mostrou-as em pormenor. "Vimos estruturas que nunca foram fotografadas antes. A Divisão de Cassini não está vazia."
Também uma separação no próprio anel A, mais fraca, que é conhecida como Divisão de Encke, apresenta uma ondulação clara e escura, que é sinal de uma menor ou maior concentração de partículas. "Os cientistas lêem estas características como um livro, para compreender as propriedades dos anéis", disse a investigadora. Esta pagina do livro anéis relativa à Divisão de Encke indica a influência, do lado direito, de Prometeu, e do lado esquerdo, de Mimas, duas das 31 luas conhecidas de Saturno.
Numa imagem do anel A detectou-se algo estranho: um risco brilhante na extremidade esquerda. "Não sabemos o que é; vemo-lo noutras imagens. No anel F vêem-se umas estruturas fantasmagóricas um tanto esbranquiçadas, mas parecem ser causadas por pequenas partículas de gelo." Mas no anel A parece passar-se algo diferente. "Para mim, esta estrutura é espectacular. Parece ter algo a ver com Prometeu", disse Carolyn Porco. Esta lua tem uma órbita bastante elíptica, ou excêntrica, e o anel F também é excêntrico. Por vezes, a lua entra naquela zona do anel.
Noutra imagem da Divisão de Encke nota-se uma ondulação, que deve ser provocada pela atracção gravitacional de outra das luas, Pã. "Com as passagens repetidas da lua, constrói-se este belo padrão. Ainda não estou convencida que é real." Noutra imagem, a investigadora fez notar a presença de um pontinho branco. "É Pã. Foi descoberta por uma Voyager e nunca mais foi vista. Era uma das luas que esperávamos ver."
Mas o novo álbum de fotografias dos anéis, formados há alguns milhares de anos, tem uma razão mais profunda de ser do que a mera contemplação da beleza planetária. "Os anéis de Saturno são análogos ao sistema solar. Ao estudá-los, pretendemos estudar os processos que aconteceram na nebulosa solar e que levaram ao desenvolvimento dos planetas", explicava. "Se queremos saber como se formou e evoluiu até aqui o sistema solar, o melhor é estudar os anéis de Saturno."
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| QUOTE | Os Estranhos Ruídos do Choque do Vento Solar com a Bolha Magnética Sábado, 03 de Julho de 2004
O embate do vento solar no campo magnético de Saturno pode produzir sons invulgares, como se viessem das profundezas de uma caverna. O cientista William Kurth, da Universidade do Iowa, nos EUA, passou uma gravação desses sons obtidos pelo instrumento de medição do campo magnético a bordo da sonda Cassini-Huygens, uma missão conjunta dos Estados Unidos e de 16 países europeus (Portugal não está incluído).
A entrada da sonda na órbita de Saturno era um acontecimento esperado por centenas de cientistas e engenheiros que preparam esta missão há 22 anos. Mas pouco mais se fez do que fotografar os anéis e também fazer medições do campo magnético do planeta, para tentar conhecer como é o seu núcleo. Talvez exista uma camada líquida por baixo da camada de gases exterior, que crie o campo magnético do planeta.
O aparelho de medição do campo magnético registou os ventos resultantes da interacção do vento solar (partículas atómicas electricamente carregadas que se movem a grande velocidade) com a enorme magnetosfera de Saturno. Ou, noutras palavras, a sua bolha magnética.
Ouvem-se sons carvernosos, captados ao longo de 30 minutos, mas que os investigadores concentraram em 30 segundos. Baixaram também a frequência dos sons, para que se tornem audíveis pelo ouvido humano, por isso o resultado é um pouco artificial. Se não se disse que são ruídos do choque do vento solar com o campo magnético de Saturno, o sendo maior planeta do sistema solar, a seguir a Júpiter, seriam até um pouco assustadores.
Mas o campo magnético de Saturno é só um dos muitos aspectos do planeta e das suas luas a serem estudados pelos 12 instrumentos científicos da Cassini, até agora em excelente estado - tanto o aparelho espacial como a sua navegação. T.F, em Pasadena
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| QUOTE | Chave do Mistério da Vida na Terra Procurada em Titã Sábado, 03 de Julho de 2004
Dos muitos mistérios de Titã, a única lua do sistema solar com uma atmosfera digna dessa designação, há um que interessa em particular aos cientistas. Na atmosfera há moléculas orgânicas, razão suficiente para quererem ir lá com sondas, na esperança de obter respostas sobre o ainda mal compreendido surgimento da vida na Terra. Por isso o módulo europeu Huygens, por ora às costas da sonda norte-americana Cassini, irá aventurar-se a 25 de Dezembro num mergulho até à superfície de Titã, onde deverá chegar a 14 de Janeiro de 2005.
É a existência de metano na atmosfera que fascina os cientistas. O metano é uma molécula composta por hidrogénio e carbono, e este último faz parte das células de todos os seres vivos. Na atmosfera de Titã, uma lua com 5150 quilómetros de diâmetro, dão-se constantemente reacções químicas envolvendo o metano e o azoto que são favoráveis à criação de outras moléculas orgânicas mais complexas. Por isso, a atmosfera de Titã pode fornecer pistas sobre as condições químicas da Terra antes do aparecimento da vida, numa espécie de regresso aos primórdios.
"Titã é, provavelmente, o objecto mais importante do sistema de Saturno", disse David Southwood, o director científico da Agência Espacial Europeia. "Titã tem relações estranhas com o nosso planeta. A atmosfera, em particular, tem uma forte semelhança com a do nosso planeta quando tinha só mil milhões de anos. É por essa razão que queremos ir lá."
Não é que os cientistas esperem encontrar vida, pois a água que existe em Titã à superfície está toda congelada. Mas a descida da sonda Huygens pode ajudar a compreender as condições químicas que resultaram no surgimento da vida na Terra. Seis instrumentos científicos vão fazer medições da atmosfera opaca e alaranjada de Titã e, se tudo correr bem, podem até transmitir para a Terra, através da Cassini, os sons daquela lua, pois leva um microfone. T.F., em Pasadena
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E mais informações sobre os prémios Gulbenkian:
| QUOTE | Gulbenkian Premeia Estudo Por ANDRÉIA AZEVEDO SOARES Domingo, 04 de Julho de 2004
sobre a física do Big Bang
Um estudo que recorre à chamada teoria das cordas para compreender a física do Big Bang - o momento da grande explosão que deu origem ao Universo, que terá ocorrido entre há 10 mil milhões e 15 mil milhões de anos - foi esta semana distinguido com o Prémio Gulbenkian Ciência 2004. Ao longo dos últimos três anos, o cientista português Miguel Costa e o italiano Lorenzo Cornalba desenvolveram esta teoria no contexto da singularidade cosmológica, ou seja, tendo em conta o período primordial em que toda a matéria do Universo estava densamente agrupada. O prémio, no valor de 25 mil euros, também foi atribuído a uma investigação na área da teoria das redes e outra na da matemática aplicada (ver caixa).
"Temos esperança de que, com este modelo, consigamos explicar não só a física do Big Bang, mas também o Universo, tal como o conhecemos hoje", explicou ao PÚBLICO Miguel Costa, que há seis anos se doutorou em física teórica na Universidade de Cambridge e, actualmente, lecciona na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Por outras palavras, a dupla de investigadores pretende conceber uma ferramenta que permita explicar tanto os fenómenos altamente energéticos como as mudanças ocorridas com a expansão do Universo, que continua até hoje.
Mas, afinal, o que é a teoria das cordas? A resposta não é simples. Os seus conceitos foram desenvolvidos nos anos 70, mas só na década seguinte começaram a ser profundamente estudados pela comunidade científica. A grande mais-valia desta teoria é ser, ao mesmo tempo, compatível com a de Einstein e com as leis da mecânica quântica.
A teoria das cordas seria, dessa forma, uma solução capaz de harmonizar aquelas duas teorias que, até então, eram inconciliáveis. Isso porque a teoria da relatividade - e por extensão a força gravitacional - deixa de ser válida quando temos uma densidade muito elevada de matéria. E quando é que isso ocorre? Temos esta descrição, por exemplo, no Big Bang, quando o Universo estava comprimido em dimensões mínimas e abrangia uma quantidade brutal de energia.
Se reunirmos todos os objectos da nossa casa num guarda-fatos, teremos, ao tentar fechar a porta do móvel, uma vaga ideia da força que pode ter a matéria concentrada. A expansão do Universo que deriva desta explosão corresponderia, numa comparação grosseira, ao abrir da porta do tal guarda-fatos atulhado de coisas.
Miguel Costa afirma que ainda não é seguro dizer que a teoria das cordas é, de facto, capaz de explicar cabalmente a singularidade cósmica. "Mas existem esperanças disso, uma vez que a teoria é consistente com a mecânica quântica", explica o cientista português. O modelo elaborado por estes dois investigadores não está ultimado na sua formulação e, por isso, há agora um grande empenho da dupla na análise da consistência desta teoria. A exemplo de Miguel Costa e Lorenzo Cornalba, existem outros grupos estrangeiros a trabalhar intensamente neste domínio.
A música das partículas
Só que, em todas estas explicações, não fica claro onde é que entram as cordas. Para compreendermos o alcance desta proposta, temos de esquecer a ideia de que os componentes essenciais do Universo são partículas em forma de pontos. Não as imagine como pontinhos boiando no infinito. Esta abstracção é o primeiro passo para conseguir entrar no mundo da teoria das cordas.
Agora, crie a imagem mental de que tais partículas são, na verdade, filamentos minúsculos e unidimensionais. Pense que estes fios incrivelmente finos vibram como as cordas de uma guitarra. Mas, ao contrário das fitas metálicas deste instrumento musical, que são compostas por átomos, estas cordas ultramicroscópicas são o constituinte básico da matéria. Partículas tão pequenas que não as conseguiríamos enxergar nem com o mais poderoso dos nossos instrumentos. "As cordas são objectos que podem vibrar, como a corda de uma guitarra. Então o que acontece? Ao vibrarem, as diferentes notas musicais correspondem a diferentes partículas, ou seja, correspondem a diferentes estados, que, observados a uma distância grande, pensaríamos ser a música das partículas", explica Miguel Costa, utilizando uma metáfora sinfónica.
Em síntese, se a teoria das cordas for bem sucedida em explicar a singularidade cósmica, conseguiremos então "ouvir" a música correspondente às mudanças físicas ocorridas desde o Big Bang até ao Universo expandido dos nossos dias. Compreenderemos assim as alterações ocorridas no ritmo e na intensidade melódica, porque haverá modificações drásticas na estrutura do espaço-tempo entre cada nota musical.
Não sabemos ainda se esta canção que conta a história do Universo é bonita ou feia, mas há a certeza de que o seu preâmbulo é muito diferente do seu refrão.
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| QUOTE | Galardão Privilegia Este Ano as Ciências Básicas Por A.A.S. Domingo, 04 de Julho de 2004
Nesta 28ª edição, sentaram-se à mesa do júri António Ribeiro Gomes, da Universidade de Coimbra, José Moreira de Araújo e Artur Águas, ambos da Universidade do Porto. A decisão de atribuir o prémio a três trabalhos na área das ciências básicas foi tomada por unanimidade. Além do estudo na área da cosmologia, foram distinguidas outras duas investigações. "Evolução das redes - das redes biológicas à Internet e ao www" é o título de uma delas. Este trabalho foi elaborado por Sergey Dorogovtsev e José Fernando Ferreira Mendes, ambos do Departamento de Física da Universidade de Aveiro. O outro estudo premiado chama-se "Inequações variacionais hiperbólicas de primeira ordem e algumas implicações", elaborado por José Francisco Rodrigues, professor da Universidade de Lisboa.
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| QUOTE | Neutrinos Apanhados em Flagrante Quinta-feira, 15 de Julho de 2004
Pela primeira vez foi observada a transformação dos neutrinos no caminho do Sol para a Terra. Os cientistas envolvidos no detector Super-Kamiokande, constituído por um tanque com 50 mil toneladas de água enterrado numa mina no Japão, já tinham surpreendido a comunidade física ao anunciar, há seis anos, as primeiras provas directas de que os estas partículas subatómicas têm massa.
Uma outra equipa, do Observatório de Neutrinos de Sudbury, no Canadá, confirmou essa descoberta e desvendou um outro mistério associado a estas partículas elementares sem carga eléctrica.
Era um velho quebra-cabeças saber o que acontece a um tipo de neutrinos solares - os neutrinos do electrão, produzidos no núcleo do Sol pelas reacções nucleares. Deveriam chegar à Terra mais destas partículas do que as que são detectadas. Em teoria, os neutrinos do electrão são produzidos em quantidades copiosas. Mas então onde estão eles? O mistério ficou conhecido pelo caso dos neutrinos solares desaparecidos.
O facto de os neutrinos dificilmente interagirem com a matéria, incluindo o nosso corpo, que atravessam aos milhares de milhões por segundo, também dificulta a sua detecção. As experiências de Sudbury, numa antiga mina de níquel, revelaram que, durante o caminho para a Terra, os neutrinos do electrão disfarçam-se de outros dois tipos, o neutrino do tau e do muão, de detecção ainda mais difícil.
Se estas revelações indicavam que nada de errado havia com as teorias sobre a produção de energia no Sol, punham em causa uma parte do modelo padrão, a teoria básica da física que descreve a organização das partículas elementares e das forças existentes entre elas, dado que este modelo não permite a transformação dos neutrinos.
Mas agora, os cientistas do Super-Kamiokande observaram como é que os neutrinos do electrão se transformam nos outros tipos, e vão publicar os resultados na revista "Physical Review Letters". |
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| QUOTE | Stephen Hawking Aceita Que Por TERESA FIRMINO Sexta-feira, 16 de Julho de 2004
os buracos negros têm cabelo
Desde os anos 70, ficou estabelecido que tudo o que podemos conhecer de um buraco negro é a quantidade de massa e a velocidade de rotação. Nada mais, e a essa ausência de características distintivas de um buraco negro os físicos chamam o teorema "sem cabelo". Portanto, um buraco não tem "cabelo" no sentido em que não apresenta qualquer característica identificativa. Stephen Hawking, cujo nome está associado aos buracos negros, partilhava esta ideia, pois pensava que tudo o que fosse engolido por um buraco negro ficava escondido, para sempre, do mundo exterior. Mudou de opinião. Acha que alguma informação sobre a matéria dentro dos buracos negros pode escapar para o mundo exterior, e vai dizê-lo, na próxima quarta-feira, na XVII Conferência Internacional sobre Relatividade Geral e Gravitação, em Dublin, na Irlanda.
Para já, há uma consequência imediata da mudança de opinião de Hawking, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que passou 30 anos a defender que os buracos negros destruíam toda a informação sobre a matéria e energia que devoravam. Ele e o físico Kip Thorne, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, EUA, vão ter de pagar uma aposta a outro físico, John Preskill, também deste instituto.
Na aposta, feita em 1997, Hawking e Thorne defendiam que a informação sobre o que foi engolido pelos buracos nunca poderia ser revelada. "Uma vez que Stephen mudou de ideias e agora acredita que os buracos negros não destroem toda a informação, espero que ele [e Thorne] me pague a aposta", dizia Preskill, à laia de brincadeira, à revista "New Scientist". Hawking e Thorne terão de oferecer a Preskill uma enciclopédia escolhida por este, "da qual toda a informação pode ser recuperada".
Hawking gosta de fazer apostas, que assina com uma impressão digital. Não é a primeira que perde, também ligada com buracos negros. A identificação Cisne X-1, na constelação do Cisne, como candidato a buraco negro foi pretexto para uma aposta com Thorne, em que Hawking defendia que não continha um buraco negro, contam Michael White e John Gribbin, no livro "Stephen Hawking - Breve História do Génio" (Publicações Europa-América). Se Hawking perdesse, daria a Thorne uma assinatura de um ano da revista "Penthouse". Se ganhasse, receberia uma assinatura de quatro anos da revista satírica "Private Eye".
Apostou contra a existência de um buraco negro porque, se eles não existissem, grande parte da sua carreira teria sido uma perda de tempo. De facto, nos anos 70 Hawking fez grandes avanços na compreensão dos buracos negros. Descobriu que não são totalmente negros: emitem radiação e podem perder massa até evaporar-se, o que veio a ficar conhecido como a radiação de Hawking. Essa emissão dá-se na fronteira do buraco negro - naquilo a que os físicos chamam o horizonte de acontecimento e para lá do qual não há retorno possível. Quando o buraco negro desaparecer, toda a informação se perde, um processo é conhecido como o paradoxo da informação (é um paradoxo porque as leis da física quântica, que descreve a matéria a escala pequenas, dizem que a informação não pode ser completamente apagada).
Os buracos negros resultam da morte de estrelas com uma massa enorme. Ao chegarem ao fim da vida, por terem consumido todo o combustível, essas estrelas entram em colapso sobre elas próprias e tornam-se buracos negros. A sua gravidade tão grande que são devoradores cósmicos.
Agora, o físico que ficou famoso e abastado, com a publicação, em 1988, do livro de divulgação "Breve História do Tempo", e sofre de esclerose lateral amiotrófica, contradiz o paradoxo criado por ele. A resposta está na radiação de Hawking, diz uma notícia da revista "Nature": o buraco negro acabará por encolher até começar a sair uma torrente de radiação que transporta a informação perdida.
Hawking já apresentou as novas ideias, no mês passado, numa palestra na sua universidade e pediu, à última hora, para participar na conferência de Dublin. Enviou uma nota dizendo: "Resolvi o paradoxo da informação dos buracos negros e gostaria de falar sobre isso." |
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| QUOTE | Viagem de 600 Metros Sob o Danúbio Bate Recorde de Teletransporte Por CATARINA CRISTÃO Segunda-feira, 23 de Agosto de 2004
Uma equipa de investigadores austríacos conseguiu obter um novo recorde de teletransporte de um "pacote de luz" (fotão) para outro local, a uma distância a 600 metros, sob o rio Danúbio, na Áustria. É a primeira vez que uma experiência deste tipo é realizada fora de laboratório.
Carlos Fiolhais, físico da Universidade de Coimbra, explica que, para a realização da experiência, dois pacotes de luz foram emitidos em sentido contrário, por um cabo óptico de 800 metros, com partida de um mesmo centro. Cada fotão percorreu 300 metros à velocidade da luz, e assegurou-se que nenhum perdia energia durante essa distância.
Quando um dos fotões chegou ao seu destino, à outra margem do rio Danúbio, a equipa de investigadores da Universidade de Viena, sob a orientação do professor Anton Zeilinger, analisou esse pacote de luz. A energia que o fotão apresentasse revelava o seu estado quântico. Ou seja, a experiência entrou no campo da física quântica, em que a matéria se regula por probabilidades.
Ora, instantaneamente, sabe-se, sem realizar a mesma experiência com o fotão que percorreu a distância contrária, que esse pacote de luz mantém o estado correspondente. "É o que se chama pacotes de luz entrelaçados", esclarece Fiolhais. A experiência determina de um lado qual é o estado do outro, e vice-versa. "Albert Einstein não acreditava nesta possibilidade pela utilização da probabilidade, mas estava enganado."
Mas, se está a pensar em algo parecido com a série de ficção "Star Trek", no teletransporte de pessoas de um local para outro, desengane-se. Ainda não é desta que a célebre frase do capitão Kirk - "Beam me up, Scotty" - se torna realidade. "Nada do que façamos nos ajudará a construir o aparelho do Scotty", salienta Rupert Ursin, investigador do Instituto para Experiências Físicas da Universidade de Viena, citado pelo sítio "on-line" da "National Geographic". "A razão é muito simples: o corpo humano contém demasiada informação para ser separada e reconstruída."
Para um humano ser teletransportado, a tecnologia utilizada teria de analisar os triliões e triliões de átomos que constituem o corpo humano. Mas só recentemente os cientistas conseguiram dar os primeiros passos em direcção ao teletransporte num único átomo - matéria no estado mais simples.
Carlos Fiolhais considera mesmo "impossível" o teletransporte de matéria organizada, como o corpo humano. "Mas a ciência e a técnica são aquilo a que se pode chamar o ultrapassar da impossibilidade", refere, deixando uma porta aberta para a concretização deste fenómeno. Por exemplo, ninguém imaginava que o fenómeno da electricidade algum dia se tornaria um elemento fundamental da civilização.
O físico diz ainda que esta investigação "serve apenas para satisfazer a curiosidade da comunidade científica", mas poderá ajudar na aplicação prática da encriptação (por exemplo, para garantir a confidencialidade dos sistemas de gestão de cartões de crédito) e na computação quântica.
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Beam me up scotty :lol:
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| QUOTE | Os Mistérios das Redes Discutidos em Aveiro Por PATRÍCIA COELHO MOREIRA Quinta-feira, 02 de Setembro de 2004
Em tudo o que se puder pensar existe uma rede por trás. Do plano social à economia, à biologia ou à ciência dos computadores, as redes estão por todo o lado. Mesmo nas situações mais elementares do quotidiano, como a simples movimentação das pessoas no interior de um supermercado. O desafio é descobrir que leis regem a tipologia das redes, uma área nova em expansão, que conseguiu reunir mais de uma centena de participantes na conferência "Science of Complex Networks: from Biology to the Internet and WWW", que decorre, até hoje, na Universidade de Aveiro (UA).
Os exemplos podem ser oriundos dos mais diferentes campos, mas conduzem à mesma conclusão: "Em tudo há uma rede e o seu estudo tem aplicação em todas as áreas", resume José Fernando Mendes, professor do Departamento de Física da UA e organizador do encontro internacional. "No domínio social, quaisquer duas pessoas no mundo estão à distância de seis intermediários. Na economia, temos a interacção entre as empresas e, na biologia, as redes biológicas são ferramentas que permitem classificar e tirar conclusões sobre dados recolhidos no laboratório", explica.
José Fernando Mendes, distinguido com o Prémio Gulbenkian pela obra "Evolution of Networks, from Biological Nets to the Internet and WWW", explica que a área das redes é muito recente, "mas explodiu rapidamente, porque tem aplicação em todas as áreas." O objectivo é, diz, "descobrir as leis que regem a tipologia destas redes." E serão leis diferentes, de caso para caso? "Não. Em princípio, todas as redes são análogas, todas as leis são descritas pela mesma equação, o que é surpreendente."
"Quando nos ligamos a alguém, fazemo-lo de forma preferencial, com um determinado interesse. A ligação preferencial está presente em todas as redes", justifica. "Depois, ao entramos na complexidade da rede, há mais perguntas a colocar, é possível explorar outras coisas", continua. "As ligações podem ser fortes ou fracas, ou feitas numa direcção apenas. Existe um conjunto de refinamentos", afirma, declarando "fortes expectativas" em torno do estudo das redes.
"Para vender uma determinada marca de telemóvel, por exemplo, posso tentar conhecer a rede social que está por trás, para poder alterar o produto e saber de que forma o vender", exemplifica José Fernando Mendes, sobre os possíveis contributos da análise de redes. "Ao nível do planeamento urbanístico, se os fluxos de tráfego de uma cidade forem estudados, ela pode ser desenhada para funcionar de uma forma mais efectiva", continua. "Até os movimentos das pessoas no supermercado podem permitir a organização dos produtos de maneira a que os caminhos sejam mais curtos, o cliente gaste menos tempo, haja mais espaço e se consuma menos ar condicionado." |
| QUOTE | Descoberta de Nova Classe Por CATARINA CRISTÃO Quinta-feira, 02 de Setembro de 2004
de planetas gera controvérsia
A NASA divulgou a descoberta de dois planetas extra-solares mais pequenos que os detectados até agora, e que merecem ser incluídos numa nova classe, por causa das suas características: podem ser rochosos como a Terra, parecem ter o tamanho de Neptuno, e orbitam cada um a sua estrela, a uma distância de 30 anos-luz do nosso sistema solar. Foram detectados nos observatórios do Havai e do Texas. No entanto, o cientista português Nuno Cardoso Santos diz que a informação sobre a classe dos planetas não constitui novidade.
Um dos planetas orbita a estrela Cancri 55, já conhecida por hospedar três planetas gasosos gigantes. Este quarto corpo daquele sistema solar é 18 vezes maior do que a Terra, e um pouco maior que Neptuno. Completa a sua órbita em cerca de três dias terrestres.
"Pode ser constituído por gás, rochas e ferro, ou apenas rochas e gelo, e pode ter ou não atmosfera. Ainda não temos a certeza", disse Geoff Marcy, da Universidade da Califórnia, citado pelo sítio "on-line" Space.com.
O outro planeta, com cerca de 25 vezes a massa da Terra, completa a sua órbita em torno da estrela Gliese 436 também em três dias terrestres. "Mas, apesar da massa ser semelhante à de Neptuno, o seu centro pode ser constituído por rocha e gelo e uma pequena porção de hidrogénio e hélio", disse o investigador. "Ou pode ser apenas rocha e gelo."
Pensa-se que este planeta possa estar ligado à estrela Gliese 436 pela força gravitacional das marés, e expor-lhe sempre a mesma face, como a Lua se apresenta relativamente à Terra.
Se for, de facto, rochoso e árido, a face iluminada pode suportar temperaturas de 377 graus Celsius, enquanto a face oposta e escura terá temperaturas negativas. Mas se o planeta tiver uma atmosfera espessa como Vénus, então toda a superfície se revelará quente.
"Com estes dois planetas, estamos prontos para uma nova etapa, que é a descoberta de planetas que tenham verdadeiramente a massa da Terra", salienta Geoff Marcy.
Mas, para o astrónomo português Nuno Santos, do Observatório Astronómico de Lisboa, o anúncio de que esta é a primeira descoberta de planetas deste tipo é "ultrajante". Isto porque essa nova classe de planetas havia sido descoberta por uma equipa europeia de astrónomos - à qual pertence o cientista português - que, na semana passada, divulgou o aparecimento do primeiro planeta rochoso extra-solar (ver "Descoberto o Primeiro Planeta Extra-Solar Rochoso", PÚBLICO de 26/8/2004).
Nuno Santos acusa os americanos de estarem a tentar enganar o público. "Eles estão zangados por nós termos informado [a nova classe de planetas] primeiro, e a divulgação destes dados é uma forma de tentar esconder ou minimizar a nossa descoberta", afirma.
"A única novidade", acrescenta, é o facto de a equipa americana ter descoberto mais dois planetas extra-solares com características semelhantes à do planeta rochoso apresentado pelos europeus.
Estas declarações do cientista português vêm na sequência da acusação, por parte da equipa de astrónomos americanos, de que a descoberta da equipa europeia ainda não foi submetida para avaliação e eventual publicação numa revista científica, enquanto a descoberta americana já foi aceite para publicação na revista "Astrophysical Journal".
Nuno Santos explica que estavam apenas à espera das últimas medidas sobre a localização do planeta rochoso extra-solar. Cinco dias depois de elas chegaram, foi divulgada a sua existência, através de um comunicado de imprensa do Observatório Europeu do Sul.
O anúncio foi concretizado, referiu o cientista, em simultâneo com a submissão do artigo científico às autoridades competentes. "Não havia razão para esperar pelo resultado. É verdade que existe concorrência entre as equipas europeia e americana, mas não foi por isso que acelerámos o nosso anúncio."
A divulgação foi feita no Fórum Europeu da Ciência, na Suécia, e nem os astrónomos europeus que trabalham em conjunto com a equipa americana se opuseram, adiantou ainda Nuno Santos. |
| QUOTE | Para Achar ET, É Melhor Ir em Vez de Telefonar Por CLARA BARATA Quinta-feira, 02 de Setembro de 2004
No que toca à busca de vida inteligente no Universo, a melhor abordagem pode ser ir em vez de telefonar. É essa a conclusão que os cientistas norte-americanos Christopher Rose e Gregory Wright apresentam hoje na revista "Nature". Enviar artefactos gravados com informação sobre nós próprios é uma forma mais eficiente de comunicação interestelar - e talvez não seja de descartar a possibilidade de procurar mensagens de outras civilizações no nosso sistema solar.
A questão é que as ondas de rádio - que se espalham pelo espaço, e que o telescópio de Arecibo, em Porto Rico, vai monitorizando, em busca de vestígios de outras civilizações, enviados de forma deliberada ou acidental - se dispersam, até serem indetectáveis. "Pensem no foco de luz de uma lanterna. A sua intensidade diminui à medida que se afasta da origem; o mesmo acontece com um feixe de laser, embora este vá muito mais longe", explicou Christopher Rose, citado num comunicado de imprensa da Universidade Rutgers (New Jersey).
Dado que a possibilidade de um sinal ser detectado vai diminuindo com a distância, se o destinatário não estiver à espera, a mensagem teria de ser enviada muitas vezes, para assegurar que chegasse ao destino. E há sempre a possibilidade de as eventuais civilizações extraterrestres terem chegado a um ponto pelo menos semelhante ao nosso: os sinais da existência de vida inteligente na Terra estão a desaparecer, porque a televisão está a ser cada vez mais transmitida por tecnologias que não emitem ondas rádio, notou Frank Drake, um dos pioneiros da busca de vida inteligente extraterrestre, num encontro realizado na Universidade de Harvard, no início de Agosto.
Actualmente, a radiação que leva as emissões televisivas terrestres - desde a transmissão dos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936, como imaginou o astrofísico Carl Sagan, no livro "Contacto"- prolonga-se ao longo de 50 anos-luz para além do sistema solar, lembrou Drake, citado pela revista "New Scientist". Mas, com o aumento dos sistemas de transmissão por cabo, os vestígios dos humanos podem começar a apagar-se.
De acordo com Woodruff Sullivan, da Universidade de Washington, que escreve na "Nature" um comentário ao trabalho de Rose e Wright, isto acontece se continuarmos a fiar-nos no paradigma lançado há 45 anos por Giuseppe Cocconi e Philip Morrison, da Universidade de Cornell (Nova Iorque): utilizar radiotelescópios para procurar sinais de vida extraterrestre. Mas, se a mensagem fosse um objecto, aumentam as possibilidades de ser encontrada, dizem Rose e Wright.
"Se a velocidade não for importante, enviar mensagens num suporte físico pode tornar-se muito mais eficaz do que comunicar através de ondas electrónicas", dizem. Portanto, as placas gravadas enviadas nas sondas Voyager (aqui reproduzidas), para revelar a civilização humana, e que foram ridicularizadas nos anos 70, quando foram enviadas para o espaço, são um exemplo de uma forma de comunicação eficaz.
Mas a mensagem pode assumir inúmeros formatos. Pode ser texto, mas também material orgânico incrustado num asteróide, ou até na cratera feita por um asteróide que cai na Terra. Um local provável seria os pontos Lagrange entre Júpiter e o Sol, ou entre a Terra e a Lua (pontos em que a força gravitacional de dois corpos se equilibra e onde um terceiro corpo se pode manter em órbita), dizem Rose e Wright, mas também podem estar à nossa espera na Lua, ou numa das luas de Júpiter.
É certo que pelo menos esta última sugestão faz lembrar o filme "2001: Odisseia no Espaço", de Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke, em que é descoberto um monólito na Lua. Mas é sabido que, por vezes, a realidade parece imitar a ficção. |
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| QUOTE | Irish, Scots and Welsh not Celts - scientists
September 09 2004 at 08:15PM
Dublin - Celtic nations like Ireland and Scotland have more in common with the Portuguese and Spanish than with "Celts" - the name commonly used for a group of people from ancient Alpine Europe, scientists say.
"There is a received wisdom that the origin of the people of these islands lie in invasions or migrations... but the affinities don't point eastwards to a shared origin," said Daniel Bradley, co-author of a genetic study into Celtic origins.
Early historians believed the Celts - thought to have come from an area to the east of modern France and south of Germany - invaded the Atlantic islands around 2 500 years ago.
But archaeologists have recently questioned that theory and now Bradley, from Trinity College Dublin, and his team, say DNA evidence supports their thinking.
Affinities don't point eastwards to a shared origin Geneticists used DNA samples from people living in Celtic nations and compared the genetic traits with those of people in other parts of Europe.
The study showed people in Celtic areas: Wales, Scotland, Ireland, Brittany and Cornwall, had strong genetic ties, but that this heritage had more in common with people from the Iberian peninsula.
"What we would propose is that this commonality among the Atlantic facade is much older... 6 000 years ago or earlier," Bradley told Reuters.
He said people may have moved up from areas around modern-day Portugal and Spain at the end of the Ice Age.
The similarities between Atlantic "Celts" could also suggest these areas had good levels of communications with one another, he added.
But the study could not determine whether the common genetic traits meant "Celtic" nations would look alike or have similar temperaments. Dark or red hair and freckles are considered Celtic features. |
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E esta hein ?
| QUOTE | Açores a substituir Guiana PORTUGAL PODE LANÇAR FOGUETÕES
Portugal é candidato a acolher uma base de lançamento de foguetões da Agência Espacial Europeia (ESA), indicou ontem ao CM a ministra da Ciência, Inovação e Ensino Superior, Maria da Graça Carvalho, acrescentando que "dadas as características geográficas e climáticas", a ilha de Santa Maria, nos Açores, é o local que reúne melhores condições para a instalação desta desejada base. Ho/Reuters
Portugal candidata-se a receber base de lançamento de foguetões Depois de citada pela Lusa, a ministra confirmou ao CM que a ideia é Portugal "tirar partido da situação geográfica privilegiada face aos restantes países europeus". Isto porque, explica, "está em estudo até 2008" a substituição do actual modelo de foguetões, por uma nova tecnologia que permitirá a "recuperação dos lançadores". Sublinhando tratar-se de um "projecto a longo prazo", que não deverá estar operacional antes de 2015, a governante explicou que o novo modelo implica uma área geográfica rondando os dois mil quilómetros, que "a Guiana não possui".
Questionada sobre se Portugal seria o País da ESA melhor habilitado para receber a base de lançamento, a ministra admitiu que as Canárias (Espanha) poderão reunir condições semelhantes e sublinhou ser ainda prematuro para tirar ilações.
A ideia de instalar a base de lançamento de foguetões em St.ª Maria surge na sequência de um ano de negociações para instalação de um centro de rastreio de foguetões naquela mesma ilha.
A estar operacional em Maio de 2005, altura do lançamento do próximo foguetão a partir da Guiana, este centro de rastreio terá a sua construção custeada por Portugal, que por sua vez deduzirá esse montante da sua quota devida à ESA.
Sobre as eventuais vantagens para o País do centro de rastreio e da eventual futura base de lançamento, Graça Carvalho destaca a "criação de emprego científico qualificado" e o "turismo científico e não só", como consequência de o local se tornar conhecido em todo o Mundo.
De opinião semelhante, o responsável do PS para a Ciência, Augusto Santos Silva, afirmou ao CM que "por mais remota que seja a hipótese, é sempre positivo para o País receber um posto de alto valor tecnológico e estratégico".
Nesse sentido, criticou as "restrições orçamentais para a Ciência nos dois últimos anos", as quais, acrescenta, "atrasaram o pagamento das quotas aos organismos internacionais, como a ESA".
GALILEU CONCORRE CONTRA GPS
Portugal foi também convidado a receber uma estação de satélites do projecto Galileu, programa conjunto da ESA e da União Europeia que visa concorrer com o actual sistema GPS (norte-americano). Prevendo-se operacional em 2008, o Galileu poderá dar origem, numa primeira fase, a cerca de 100 mil novos empregos, e implica o lançamento de 30 satélites e quatro estações de controlo (duas na Europa e duas por controlo remoto).
É precisamente uma destas duas estações europeias que poderá vir a ser instalada em solo português, mais exactamente na ilha de St.ª Maria, nos Açores. Questionada pelo CM, a ministra da Ciência, Inovação e Ensino Superior reconheceu a possibilidade, explicando já ter convidado o presidente do projecto, o italiano Giuseppe Viriglio, para discutir o assunto.
Graça Carvalho explica ainda que Portugal contribui com cerca de 6,5 milhões euro/ano para o orçamento total do projecto, 3,2 mil milhões de euros o qual, nas palavras da ministra, "apesar de parecer elevado é inferior ao custo da ponte entre a Suécia e a Dinamarca ou do último terminal do Aeroporto Internacional de Heathrow, em Londres". Pensado desde há 10 anos, o Galileu poderá ter aplicações no tráfego aéreo, na navegação, combate a incêndios e outras calamidades. As empresas nacionais podem concorrer a verbas ao abrigo deste programa. |
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Não acredito na história de Beja ( nem sequer naquilo do lamçamento/aterragem em Portugal).
Mas espero estar enganado :lol: :lol:
Mas o Público dá-me razão:
| QUOTE | Próximo Lançamento de Um Foguetão Ariane Poderá Ser Seguido da Ilha de Santa Maria Por ANA MACHADO Terça-feira, 14 de Setembro de 2004
O Governo português está a negociar com a Agência Espacial Europeia (ESA) a possibilidade do próximo lançamento de um foguetão Ariane, marcado para Maio do ano que vem, ser monitorizado e seguido a partir da ilha de Santa Maria, nos Açores. Esta etapa é essencial para que tanto o Governo português como a ESA saibam se aquela ilha cumpre as expectativas estratégicas da agência, que fariam com que ali nascesse uma base de monitorização dos lançamentos dos Ariane, que são feitos a partir de Kourou, na Guiana francesa, na América do Sul.
O projecto é falado já há mais de um ano, mas ainda não foi assinado o acordo entre Portugal e a ESA, apesar das negociações, que já implicaram inclusivamente visitas ao local, estarem a correr bem. Um primeiro passo nesse sentido poderá ser dado em Novembro, noticiou a agência Lusa, com a assinatura de um protocolo para criar uma estação de monitorização de satélites em Santa Maria.
Se Santa Maria cumprir as expectativas estratégicas traçadas pela ESA, a ilha açoriana poderá vir a ter, dentro de alguns anos, uma estação de monitorização dos voos de foguetões Ariane, e que poderá servir também para a aterragem de partes da próxima geração de lançadores, que a ESA espera tornar reutilizáveis, ao contrário do que hoje acontece.
A hipótese da ESA criar um centro na ilha de Santa Maria, nos Açores, é já apontada como possível há mais de um ano. O primeiro anúncio desta hipótese foi feito em Maio do ano passado pela ministra Maria da Graça Carvalho, na altura presidente do Gabinete de Relações Internacionais da Ciência e do Ensino Superior.
Na altura, com as negociações entre Portugal e a ESA ainda em fase embrionária, a prioridade ia para o estudo de viabilidade do projecto, que contemplava uma base de recepção de partes dos foguetões que seriam sempre lançados da histórica base da Guiana francesa, na América do Sul, fronteiriça com o Brasil, onde são feitos lançamentos desde 1968 às mãos da França, ainda antes da constituição da agência espacial, da qual Portugal é membro de pleno direito desde 2000. "A ESA está a trabalhar num projecto de lançadores reutilizáveis, e isso significa que tem de haver um local de lançamento e outro de aterragem. E a Guiana não tem estrutura para isso", disse Graça Carvalho,
Mesmo sem o estudo terminado, Graça Carvalho disse à Lusa que a base de Santa Maria será uma realidade, talvez em 2008. Mas desta data está dependente da satisfação da ESA, depois de feitos os primeiros ensaios.
Esta futura base de monitorização na ilha de Santa Maria receberia também uma estação de monitorização do projecto Galileu. A constelação de 30 satélites de navegação e orientação, semelhante ao actual GPS norte-americano mas apenas com fins civis, é um projecto orçamentado em quase 3,5 mil milhões de euros e é um dos objectivos mais ambiciosos da ESA.
O Galileu deverá ter duas estações de controlo na Europa, mas uma imensa rede de pequenos centros de monitorização, de funcionamento automático, controlados remotamente, diz a Lusa. É um desses centros automatizados que a ESA pretende instalar em Santa Maria e para o qual já endereçou o convite a Portugal. O processo de distribuição destas estações passará agora por concurso, que terá início este ano.
Os primeiros satélites do sistema de navegação por satélite Galileu só deverão começar a ser lançados para o espaço em 2005. E em 2008 prevê-se que as estações comecem a monitorizar a actividade do sistema de navegação, ainda numa fase primária. O Galileu deverá estar pronto em 2010.
A ministra da Ciência e do Ensino Superior, responsável do Governo pelas negociações, garante que já foi recebido quase todo o retorno de investimento feito na ESA por Portugal. O investimento pode ser recuperado através de empresas portuguesas com projectos que sirvam o Galileu. Mas a ministra reconhece que a maior parte desses projectos são de empresas de "software", chamando a atenção para o investimento que também tem de passar pelos projectos na área do "hardware". |
público This post has been edited by Spectral on Sep 14 2004, 04:20 PM
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Era de esperar que depois das notícias do nosso comportamento de caloteiro com o CERN alguém do Ministério do ensino superior (e da Ciência em part-time) se lembrasse de pagar as quotas para evitar posteriores humilhações ( e problemas bem mais sérios como se vê abaixo).
Mas qual quê... Eles estão mais interessados é em aumentar as propinas para reduzir a participação do Estado no ensino superior...
| QUOTE | Portugal Pode Perder a Face no Maior Laboratório de Física de Partículas Por TERESA FIRMINO Terça-feira, 28 de Setembro de 2004
Portugal não está a cumprir os acordos financeiros com o Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), na Suíça. Não paga as quotas anuais, como devia fazer por ser um dos 20 países-membros. Não paga às equipas portuguesas para construírem componentes de duas experiências do futuro acelerador de partículas da Europa - o Large Hadron Collider (LHC), o mais potente do mundo, que deverá funcionar em 2007. E não paga as verbas dos projectos de investigação ligados ao CERN, através de concursos abertos em Portugal pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Nos 18 anos de adesão, nunca se viveu uma situação assim, diz a física Paula Bordalo, nas vésperas do CERN cumprir 50 anos de vida.
Os incumprimentos podem ter várias consequências, alerta a professora do Instituto Superior Técnico (IST) e investigadora do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), em Lisboa. Para já, Portugal vai ter de pagar juros pelas quotas em atraso de 2003. Caso não sejam pagas também as quotas de 2004 até ao fim do ano, o país perderá o direito de voto no Conselho do CERN, o órgão de decisão máxima. É o que acontece quando se falha o pagamento por dois anos.
A humilhação nem será o pior. "O não pagamento das quotas traduz-se numa consequência mais grave: a impossibilidade das indústrias portuguesas participarem em concursos do CERN para projectos de construção e manutenção das suas infra-estruturas. Nestes concursos, Portugal tem obtido um grande retorno do investimento", diz a investigadora. "Tirando a parte humilhante, há a parte económica, que devia alertar o Governo."
A adesão de Portugal ao CERN, em 1986, permitiu às empresas concorrer em vários domínios. "Para a construção do futuro acelerador LHC, Portugal tem tido um retorno económico muito positivo. Várias empresas têm sido contratadas, nas áreas da engenharia mecânica e metalúrgica, novas técnicas de soldadura ou informática."
No acordo de adesão, Portugal teve condições vantajosas. Em vez de pagar a quota integral, em 1986 só pagou dez por cento e investiu o restante em Portugal; em 1987 só pagou 20 por cento e investiu 80 por cento e assim por diante, até 1995, em que já pagou a totalidade. Comprometeu-se a gastar o dinheiro das quotas em infra-estruturas, na formação de recursos humanos e no apoio à participação em projectos de investigação e desenvolvimento.
Assim, criou-se o Fundo CERN, para abrir todos os anos um concurso para projectos de investigação, explica Paula Bordalo, coordenadora do grupo português em duas experiências, a Compass e a NA50. Com essas verbas, as equipas pagam as despesas de participação nas experiências, como deslocações para recolher dados e fazer testes no CERN, ou para reuniões com todos os participantes. "As reuniões são fundamentais. Temos de ouvir o trabalho dos outros grupos e os outros têm de ouvir o nosso, senão somos postos de parte." Estas verbas contribuem ainda para um fundo comum de cada experiência, do qual se compra de material.
"Este ano não pingou um tostão"
"Todas estas verbas estão a faltar. sem dinheiro, não podemos assumir compromissos." Há dias, Paula Bordalo recebeu um E-mail do responsável geral da Compass a perguntar quando pagava a contribuição de 2004 para o fundo comum da experiência. "Para um estrangeiro, é inconcebível que, no último quadrimestre do ano, ainda estejamos à espera de receber as verbas dos orçamentos desse ano e cuja atribuição foi oficializada."
De facto, em Setembro ou Outubro, abre o concurso Fundo CERN relativo ao ano seguinte. Avaliados os projectos, por peritos internacionais, e divulgados os resultados pela FCT, as equipas costumam assinar os contratos em Janeiro e, aí, recebiam metade das verbas. Entre Junho e Outubro, recebiam mais 40 por cento e, após o fecho das contas, recebiam, entre Janeiro e Março do ano seguinte, os restantes dez por cento.
Os problemas começaram em 2002: nenhuma equipa recebeu os últimos dez por cento, denuncia Paula Bordalo. "A FCT não cumpriu o compromisso e não sabemos quando pagará o que falta." Para o concurso de 2003, só em Março ou Abril desse ano a FCT divulgou a avaliação: "E apresentou o contrato com a limitação de não poder ser retroactivo a Janeiro, contrariamente ao que o edital de Setembro anunciava", diz.
"A investigação não se pode fazer em 'part-time'. Não pode parar três a quatro meses, em que se deve continuar a colaborar com os colegas estrangeiros e continuar com os recursos humanos (estudantes de doutoramento ou pós-doutoramento). Tivemos de suportar um buraco orçamental de três ou quatro meses." Só uma parte das equipas recebeu a segunda prestação de 2003. "Tudo indica, por haver pagamentos em atraso, que não será tão depressa que receberemos a última prestação."
O concurso de 2004 não correu melhor. "O painel de avaliação só reuniu em Março!" Desde Junho, quando se divulgaram os resultados, com cortes de 30 por cento face a 2003, que as equipas esperam receber o contrato final. "Este ano não pingou um tostão. A situação está a tornar-se insustentável. É impossível dar continuidade aos projectos."
Jovens portugueses, a analisar dados das experiências para as teses de doutoramento, não puderam apresentar os resultados em conferências internacionais. "O trabalho que desenvolveram foi apresentado por outros. É uma pena", diz Paula Bordalo, perguntando para que serve gastar dinheiro no CERN se depois os cientistas não podem exercer as suas actividades normais.
O mesmo lamenta o físico João Seixas, do IST e coordenador do grupo português na experiência NA60. "A situação está a tornar-se crítica. Se o financiamento não chegar até ao fim do ano, haverá impossibilidade efectiva de continuar a trabalhar. O que é lamentável, ao fim de três anos de trabalho intensivo", alerta.
"Politicamente, a ministra da Ciência tem de dar uma solução. O ministério anda sempre a dizer que tem mais dinheiro para a ciência, para os bolseiros. Não vejo aonde", critica Paula Bordalo.
Ministério Diz Que Vai Pagar Dentro de Dias
As quotas em dívida ao CERN ascendem a 8.563.784 euros, informou o Ministério da Ciência e do Ensino Superior (MCES). Desse valor, 7.283.620 euros são da quota de 2004 e os restantes 1.280.164 é o que falta pagar de 2003. Em Junho, o MCES dizia que decorria a tramitação no Ministério das Finanças (MF) para pagar as quotas em atraso e, ontem, garantiu que o MF já autorizou o pagamento, que só não foi feito já por questões processuais. "Estão a decorrer os procedimentos administrativos para que o montante seja saldado, o que se prevê tenha lugar nos próximos dias", diz um comunicado. Estão ainda em dívida as contribuições de 2003 e 2004 (800 mil euros) para o novo acelerador do CERN, e também serão pagas dentro de dias. Quanto aos projectos de investigação ligados ao CERN, o ministério diz que as verbas de 2004 vão ser aprovadas hoje pelo gestor do Programa Operacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, e as que estão em atraso, de 2002 e 2003, vão ser todas pagas.
Participação no Novo Acelerador Está em Risco
A menina dos olhos do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN) vai ser o acelerador Large Hadron Collider (LHC). Não haverá máquina igual, o que torna o laboratório um local de trabalho único e apetecível para cientistas de todo o lado. Exemplo disso são os EUA: não são membros, mas têm um acordo de colaboração com o CERN e participam no LHC. Portugal também participa, e os moldes em que o faz foram assinados em 1996: para tal, pagaria uma certa quantia, seguindo um calendário até 2007. Mas esse calendário está esquecido.
Graças ao acordo de 1996, o mais potente acelerador de partículas do mundo vai ter mão portuguesa na concepção e construção de componentes de duas experiências nos seus enormes detectores - o CMS e Atlas, que vão analisar o resultado de colisões de partículas, para continuar a desvendar os segredos da matéria. E, ao mesmo tempo, recriar os instantes iniciais do Universo, fracções de segundo após o Big Bang, onde nasceu a matéria e a energia.
Agora, a participação portuguesa no LHC está em risco. Em 2003 começaram os problemas. Por exemplo, para o CMS, no qual colaboram 25 cientistas portugueses de várias instituições, coordenados por João Varela, do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, havia o compromisso de pagar 2,8 milhões de francos suíços (1,8 milhões de euros), no total. Da contribuição, 400 mil francos (264 mil euros), para o fundo comum da experiência, já foram saldados, em dinheiro. O restante - 2,4 milhões de francos suíços, ou 1,5 milhões de euros - seriam pagos em equipamentos desenvolvidos pelos investigadores e indústria portugueses.
De 1996 a 2002, as verbas foram transferidas sem percalços. Mas as de 2003 e 2004 (700 mil francos suíços ou 452 mil euros) ainda não chegaram às equipas, que iam começar a construir protótipos. "Corremos o risco de não ter financiamento para construir a instrumentação que nos responsabilizámos a construir", alertava o físico em Junho.
"As consequências podem ser muito desagradáveis", dizia. Mais do que comprometer o do LHC, a credibilidade portuguesa ficará de rastos. Basta ver que na construção do CMS participam 2500 cientistas de 160 instituições, de 37 países. Também no Atlas, cuja participação portuguesa é coordenada por Amélia Maio, do LIP e da Universidade de Lisboa, colaboram 1800 investigadores de 150 instituições e 34 países.
"É impensável que Portugal não respeite este compromisso. Seria um golpe demasiado rude na credibilidade da ciência portuguesa. Os 2500 cientistas que participam no CMS não se privariam de espalhar a notícia. Se não formos nós a solucionar o problema, a nossa credibilidade baixa a um ponto mínimo. Ninguém vai querer colaborar com uns tipos que não cumprem os compromissos."
Para Paula Bordalo, da equipa do CMS, o desaparecimento do grupo português do acelerador causará apenas um pequeno atraso no desenvolvimento das experiências. "Como somos um pequeno grupo, há-de aparecer um grupo de outro país que cobre logo o nosso espaço, e então adeus." T.F. |
Público, 28 Set 2004 http://jornal.publico.pt/2004/09/28/Ciencias/index.html :angry: :angry: :angry: :angry: :angry:
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Hoje o destaque do Público (29 Set) era o CERN Público| QUOTE | Laboratório Europeu de Física de Partículas Celebra 50 Anos Quarta-feira, 29 de Setembro de 2004
Na planície entre o Lago Genebra e as Montanhas do Jura, junto à fronteira entre a Suíça e a França, nasceu o que é agora o maior laboratório de física de partículas do mundo, utilizado por cerca de 6500 cientistas e engenheiros. Entre estes, estão já várias gerações de investigadores portugueses, para quem a colaboração o primeiro grande laboratório internacional se tornou algo essencial e, para os mais novos, natural. Por Teresa Firmino
Faz hoje 50 anos que o maior laboratório de física de partículas do mundo, o CERN, foi oficialmente criado. Empobrecidos pelos seis anos da II Guerra Mundial, os países da Europa não podiam financiar sozinhos os dispendiosos instrumentos para a investigação e viam os físicos e outros cientistas emigrar para os EUA. Neste contexto do pós-guerra, o francês Louis de Broglie, galardoado com o Nobel da Física em 1929, propôs em 1949, na Conferência Europeia de Cultura de Lausanne, a criação de um laboratório europeu de física de partículas. A 29 de Setembro de 1954 nascia o CERN, na Suíça, na planície entre o Lago Genebra e as Montanhas do Jura.
Nem sempre se chamou Laboratório Europeu de Física de Partículas. Os resquícios do nome antigo estão na sigla que continua a estar-lhe associada - CERN. Em 1952, 11 países decidiram criar um órgão provisório - o Conselho Europeu para a Investigação Nuclear, ou CERN, na sigla francesa.
Numa reunião em Paris, de 29 de Junho a 1 de Julho de 1953, a convenção que estabelecia a organização foi assinada por 12 países e entrou em vigor a 29 de Setembro de 1954. Bélgica, Dinamarca, Alemanha, França, Grécia, Itália, Noruega, Suécia, Suíça, Holanda, Reino Unido e Jugoslávia foram os 12 fundadores.
Surgia, então, uma das primeiras organizações científicas internacionais, que viria a tornar-se um modelo para outras na Europa, como o Observatório Europeu de Astronomia, a Agência Espacial Europeia ou o Laboratório Europeu de Biologia Molecular (Portugal faz parte de todas, e inclui-se também nos actuais 20 países-membros do CERN). Mais tarde, como a expressão "nuclear" levantava receios e dava a entender outro tipo de actividades, o nome do laboratório foi alterado, mantendo a sigla, já muito conhecida.
O meio século de vida começa a ser assinalado hoje, por volta das 21h00, com um bolo de aniversário: quem nasceu em 1954 pode ir lá soprar as velas. Uma hora antes, vai ser iluminado o túnel circular onde funcionou o acelerador de partículas Large Electron-Positron Collider (LEP), de 1989 até 2000, data em que foi encerrado para ceder o lugar ao novo acelerador, o Large Hadron Collider (LHC). É nesse túnel, de 27 quilómetros de circunferência e a 100 metros de profundidade, na fronteira franco-suíça, que começou em 1999 a construção do LHC.
Deverá começar a funcionar em 2007, e aí os físicos esperam aprofundar como nunca os conhecimentos sobre a matéria e as forças fundamentais que a regem. Esta máquina única, que custa cerca de dois mil milhões de euros, irá acelerar dois feixes de partículas - protões - quase à velocidade da luz, em direcções opostas, fazendo-as colidir em quatro pontos. Aí estarão as quatro grandes experiências do LHC, compostas por vários detectores - Atlas, CMS, ALICE e LHCb -, embora haja uma quinta experiência, designada Totem, que fará medições nas outras.
Cada feixe de protões será acelerado a uma energia da ordem de 6,5 tera electrão-volts (TeV). Como os feixes vão um contra o outro, soma-se a energia total, que assim chegará aos 13 TeV. (Um tera é um milhão de milhão, e essa é a energia cinética de um mosquito em voo). Os 13 TeV representam quase dez vezes mais a energia do acelerador actualmente mais potente, o Tevatron, no Fermilab, em Batavia, EUA, explica um artigo na revista "Science".
O que torna o LHC extraordinário é que as partículas são muito pequenas e a sua energia está extremamente concentrada. Por isso, enquanto da colisão de dois mosquitos em pleno voo ninguém espera que resultem novas partículas, da colisão de protões com a energia cinética dos mosquitos os cientistas esperam ver criada matéria. É isso que os vários aceleradores de partículas do CERN têm feito: nas colisões são criadas novas partículas, uma vez que uma parte da energia da aceleração é transformada em matéria, corporizando literalmente a famosa igualdade de Albert Einstein E=m2. Depois, detectores procuram captar os resultados dessas colisões.
Com uma máquina inigualável como o LHC, os cerca de 6500 cientistas e engenheiros que utilizam as instalações do CERN, de 80 países - incluindo os EUA, já que estes abandonaram em 1993 o projecto de construir um enorme acelerador de partículas no Texas -, desejam obter respostas para grandes interrogações. De que é feita a matéria? De que é feito o Universo e por que é como é? Nesta senda ao infinitamente pequeno e infinitamente grande, inclui-se a procura de uma famosa partícula, o bosão de Higgs, que explicaria por que todas as outras têm massa. Por ora, é só uma miragem.
O grande dia das festividades será a 16 de Outubro, quando o CERN abrir as portas ao público. Esperam-se 20 mil visitantes. Os países-membros estão a organizar algumas iniciativas e Portugal não será a excepção. O Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, com sede em Lisboa, está a organizar palestras para Outubro e, em Novembro, uma festa da física das partículas.T.F. |
| QUOTE | WWW, Uma Invenção Que Encolheu a Terra Quarta-feira, 29 de Setembro de 2004
Para que serve a física das partículas? Para saber coisas desligadas da realidade? Nada disso. É certo que os cientistas fazem ciência fundamental, procurando respostas sobre a estrutura da matéria e as forças que a regem. Mas esta monumental tarefa exige a construção de enormes e sofisticadas máquinas, daí que muitos desenvolvimentos de electrónica ou tecnologia da informação tenham saído dos laboratórios para a indústria ou para os hospitais.
Exemplo é a tomografia por emissão de positrões (PET), usada na medicina para obter imagens do interior do corpo. Os positrões, que são anti-electrões ou, dito de outra forma, partículas de antimatéria, têm sido criados no CERN. Não é fácil criar partículas de antimatéria, com cargas opostas às dos átomos vulgares, porque mal entram em contacto com a matéria vulgar aniquilam-se mutuamente. Tratamentos para o cancro também têm beneficiado dessa investigação.
Mas a mais mediática de todas as invenções nascidas no CERN seja a World Wide Web (WWW), a parte multimédia da Internet, que permite saltar de uma informação para outra só com um clique do rato. Ligou como nunca os habitantes da Terra.
O ambiente do CERN - onde é preciso processar muitos dados, e manter os milhares de cientistas que ali vão e depois regressam aos seus países em contacto para partilhar informação sobre as experiências em que estão envolvidos - não foi alheio a esta invenção, em 1990, da autoria do britânico Tim Berners-Lee, ordenado cavaleiro de Sua Majestade. T.F. |
| QUOTE | Portugal Está a Tirar Benefício Industrial da Adesão à Organização Por TERESA FIRMINO Quarta-feira, 29 de Setembro de 2004
Nos primeiros tempos após a adesão de Portugal ao Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), em 1986, os contratos de empresas portuguesas com a organização estavam longe das contribuições do Estado. A situação foi mudando e hoje, segundo dados do Ministério da Ciência, as empresas têm tirado benefício industrial.
Entre bens e serviços, as empresas portuguesas vendem cerca de 4,5 a 5,5 milhões de euros por ano, refere uma nota do ministério. Isto é considerado bom, tendo por base a forma como se calcula o benefício industrial (o rácio entre os bens e serviços adquiridos, anualmente, pelo CERN a empresas dos países-membros e o total das suas aquisições, excluindo a energia e telecomunicações). Daqui resulta uma classificação do Estado-membro, em equilibrado e não equilibrado: em média, considera-se equilibrado quando obtém um benefício de 0,85 em bens e 0,4 em serviços.
Ora, os 4,5 a 5,5 milhões de euros anuais obtidos por empresas portuguesas representam, em média, entre 2000 e 2003, um benefício de 0,6 em bens e 2,21 em serviços. Para ajudar nestas contas, refira-se que a quota anual de Portugal ao CERN é de 7,2 milhões de euros, a que se juntam outras contribuições anuais para o novo acelerador de partículas.
"Tendo em conta a participação nacional para o orçamento da organização, verifica-se que os resultados, inicialmente pouco estimulantes, têm vindo a melhorar desde 1986, devendo ser considerados excelentes, se tivermos em conta que as vendas do CERN são, na sua grande maioria, produtos de alta tecnologia que constituem na generalidade o chamado 'estado da arte'", refere uma nota do ministério. No ano passado, eram cerca de 25 as empresas com contratos com o CERN.
No mesmo documento sublinha-se que, no ambiente extremamente competitivo dos 20 países-membros do CERN, Portugal está no segundo lugar na venda de bens ("o que é notável num país cujos produtos têm um conteúdo tecnológico médio") e em segundo lugar na venda de serviços, a seguir à Suíça.
Ao benefício obtido em serviços, entre 2000 e 2003, não deve ser alheio um contrato conseguido, em 2001, pelo Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ), em Oeiras. Com a duração de quatro anos, é até agora o maior contrato de uma instituição portuguesa com o CERN, no valor de 1,8 milhões de contos (360 mil euros). Foi o seu maior contrato internacional de sempre e o segundo maior que alguma vez obteve, sublinha José Oliveira Santos, administrador do ISQ.
Os engenheiros do ISQ têm a tarefa de zelar pela qualidade de equipamentos em construção do novo acelerador de partículas, o LHC. Por isso, 20 engenheiros do instituto acompanham em fábricas, espalhadas por vários países, a sua construção.
Mas esta ligação do instituto começou logo a seguir à adesão, ora em pequenos projectos de investigação, ora na prestação de serviços na área do controlo de qualidade e segurança. Ainda este ano ganhou outro contrato, de três anos, para fazer a inspecção periódica das instalações eléctricas e aparelhos de elevação, como elevadores e gruas. É por tudo isto que Oliveira Santos considera importante a colaboração mantida com o laboratório: "Permitiu-nos ter uma actividade na área das instituições científicas e adquirir conhecimentos numa área de ponta, para depois entrar noutras actividades, como o espaço e a astronomia." |
| QUOTE | Para a Nova Geração, a Colaboração com o CERN É Natural como Respirar Por ANA MACHADO Quarta-feira, 29 de Setembro de 2004
O primeiro português chegou ao Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN) há mais de 30 anos, em 1971. A primeira geração de físicos de partículas preparou o caminho para que o carácter excepcional inerente a colaborar com o distante CERN há 20 ou 30 anos se tornasse em algo perfeitamente natural para as gerações actuais. Hoje o CERN está à distância de um clique do rato e a colaboração internacional é algo que acontece quase tão naturalmente como respirar.
Para Carlos Marques, 28 anos, físico de partículas, e João Pina, 34, físico tecnológico, falar do CERN é falar do trabalho que nos últimos anos têm desenvolvido em termos de componentes para o Atlas, um dos detectores do grande acelerador de partículas LHC que o CERN está a construir e deve ser inaugurado em 2007. Fazem questão de explicar, ilustrando com fibras ópticas e perfis criados pela equipa do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), como o papel de Portugal é importante no controlo da qualidade da função desempenhada por estes materiais que serão parte integrante do detector Atlas.
"Foi uma tarefa que demorou três anos de trabalho contínuo", explica Carlos Marques.
A importância que para eles tem o CERN traduz-se assim, segundo gostam de frisar, no trabalho que desenvolvem. O resto, a colaboração internacional, o significado de colaborar com uma estrutura tão importante a nível internacional como o CERN, é algo natural para eles, que acham redundante enaltecer. Segundo o Ministério da ciência, em 2003 houve 66 investigadores portugueses que tiveram relações com o CERN "Há um fluxo muito dinâmico entre as equipas, mas o melhor é ver os detectores a funcionar, a crescer", confessa Carlos Marques, que aos seis anos quis ser astrónomo e aos 14 já tinha a certeza de que queria ser físico.
"Nós somos mais um dos participantes destas experiências enormes que envolvem tanta gente. Trabalhamos no limite da física, mas usar estas instituições é algo imanente à condição de ser físico", defende, por seu lado, Agostinho Gomes, físico de partículas, actualmente a trabalhar no CERN, onde chegou pela primeira vez há cerca de 12 anos. E Carlos Marques confessa mesmo que a sua primeira impressão do CERN, da primeira vez que visitou as instalações do grande complexo na Suíça, foi a de que estava perante uma zona de escritórios.
Por seu lado, José Mariano Gago, 56 anos, não esconde o fascínio que o CERN tem para si, mas acrescenta que é perfeitamente compreensível que para a nova geração de físicos colaborar com o CERN e com outras instituições e equipas internacionais é já um acto natural, que se traduz mais no fascínio pela qualidade do trabalho do que pela própria colaboração em si: "Para eles é tão natural como a água que se bebe, e ainda bem."
Mariano Gago foi o primeiro português a chegar ao CERN, em 1971, vindo de Paris: "Lembro-me que estávamos perto do Natal e a neve tinha vindo mais cedo. O CERN era muito mais pequeno do que hoje é", diz o físico de partículas, director do LIP e ex-ministro da Ciência, que se mudou para o CERN em 1976. "Tudo o que sei de ciência aprendi lá. E grande parte do que sei de política de ciência também. Há dificuldades na vida de um cientista que podem parecer insuperáveis e é preciso viver a vida de uma grande instituição internacional para saber como resolvê-las."
Amélia Maio, 60 anos, era física nuclear quando começou a dedicar-se à física de partículas e a colaborar com o CERN, há 20 anos: "O que me fascinava era a colaboração permanente com equipas internacionais, algo que não era muito comum na investigação em Portugal." O contacto com o CERN, diz, foi a razão em grande parte de uma mudança de mentalidades nas nossas universidades e em termos humanos, no que toca às pessoas que por lá passaram.
Em 1979, Mariano Gago traz o CERN para Portugal, com o curso livre de física de partículas, leccionado por si no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Entre os que despertaram então para a física das partículas estava Paula Bordalo, hoje regular colaboradora do CERN, que confessa que o curso mudou a sua visão da física: "Esta era mesmo a vida que eu queria fazer".
O ambiente no CERN era importante para o fluxo de conhecimentos entre os investigadores que ali chegavam: "A cafetaria era extremamente famosa, era um ponto de encontro", conta Paula Bordalo, lembrando como na esplanada relvada, entre as árvores, e com o Monte Branco visível ao longe, nos dias limpos, se trocavam impressões até altas horas enquanto se comia.
"São poucas as organizações com a qualidade e a dimensão da vida do CERN. É um mundo em si. O CERN tem uma capacidade de atracção de recursos humanos qualificados únicos no planeta. A fuga de cérebros é algo que ali não existe. E há uma aposta enorme em jovens talentos", conclui Mariano Gago. |
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