endor || -> Umbar - Cidade dos Corsários


» novidades :: outubro 2009

       

.: 03/10/09
Caros Endorianos: Criado o fórum "Salões de Mandos" para posts inativos. Tópicos com mais de um ano sem atualizações e sem jogadores ativos serão os primeiros a serem movidos.

.: 31/03/09
Caros Endorianos: providências estão sendo tomadas para o retorno do redirecionamento do site. Assim, será mais fácil acessar Endor de qualquer lugar, com um endereço simples e prático. Aguardem!

.: 09/03/09
Os novos moderadores foram empossados, qualquer duvida ou pergunta ou sugestão sobre o jogo, podem falar com o Acácio, a Elendili ou com o Junior.

.: 08/03/09
Atualização nos cenários de Gondor, com a descrição de inúmeras regiões faltantes no
Outras localidades de Gondor.

.: 25/02/09
Tem-se início a eleição para o novo Conselho Moderador de Endor, participe, ajude Endor a continuar sendo este jogo que todos gostamos, mais informações no em off.

.: 22/02/09
Tópico importante sobre a moderação no em off.

.: 24/11/08
E está aberta a votação para os melhores de Endor. Maiores informações em off.

.: 10/11/08
Atenção jogadores! Preparem-se para a escolha dos Melhores de Endor!!

.: 25/10/08
Atualizações nos Cenários. Jogadores, tópico importante em off. Leiam por favor!

.: 16/10/08
ATENÇÃO! Por um problema nos servidores do InvisionFree, perdemos os dados que haviam sido postados desde metade da tarde de domingo (12/10) até ontem. Por favor, leiam o post em off para maiores esclarecimentos.

.: 06/09/08
Atualizando o fórum =)

.: 22/09/07
Recolocado o Quadro de Aniversários. Se o seu não estiver lá, entre em contato com os moderadores! =)

.: 04/05/07
Adicionados os links para os sites parceiros, os play-by-fórum The Last GloryeSaint Seiya VorteX.

.: 28/03/07

Endor completa três anos de existência, três anos de grandes aventuras.
Parabéns a todos jogadores que fizeram e fazem de Endor um grande jogo.

.: 18/03/07
Atualizado o cenário de Rhûn, com descrição dos doze reinos, adicionou-se alguns acontecimentos na linha do tempo, criado um tópico de personagens para doação no fórum “Off”

.: 15/03/07
Criado uma Linha de tempo com os principais fatos ocorridos em Endor desde o ano 1 da quarta era até o ano 24

.: 07/03/07
Atualização nos cenários de Eriador, com a descrição da região dos orcs ao norte, do Ducado de Minhiriath, Principado de Fornost e um geral sobre Eriador.

.: 06/03/07
Novo Fórum "Ainulindalë". Deixe a imaginação te levar para outras eras. Crie histórias nos mais diversos cenários e em qualquer tempo! =)


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 Umbar - Cidade dos Corsários, É noite no Âncora!
Elendili
Posted: Apr 16 2009, 09:32 PM





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Continuação dos eventos que se desenrolaram no Âncora Vermelha com a chegada de Mehrak...

QUOTE
Onya - 03/04

Horas depois...

A noite já era alta, Onya ainda estava sozinha no quarto. Estava impaciente, ansiosa. Sentia-se presa, enclausurada dentro do seu quarto. Suspirou. Não sabia ao certo por que estava ali, se por implicância, por birra infantil, por insegurança, por necessidade de isolamento. Simplesmente estava.

A consciência de que os acontecimentos da tarde espalhavam-se rapidamente pelos ouvidos dos freqüentadores do Âncora lhe incomodava. Mais cedo ou mais tarde chegaria aos ouvidos de Maharet ou do próprio Narukhôr.

O orgulho de Onya poderia mesmo conviver com tal fato? Poderia a prostituta dar-lhes tal deleite?

Meia hora depois, a iluminação da sala de apresentações diminuía. Um soar de sinos e címbalos chamou a atenção dos presentes para o palco. Uma melodia exótica começou a ser executada pelos músicos presentes. A música envolvente, suave e misteriosa servia para atrair totalmente os olhares para o palco central.

A um canto, saída das sombras, entrava Onya, vestida em ouro e vermelho, triunfante, graciosa, os cabelos soltos selvagens ao redor do rosto, ombros e costas. As pulseiras, braceletes e correntes tiniam em harmonia com a música. Um grande colar com uma safira adornava-lhe o colo delicado e contrastava com a cor quente das roupas da dançarina. Os lábios de Onya eram uma fruta convidativa e seus olhos, dois poços escuros, cuja própria borda era ao mesmo tempo misteriosa e convidativa, adornada pela maquiagem escura. O sorriso da cortesã era aterrador – nada nem ninguém poderia derrubá-la.

E assim, triunfante, soberana, Onya dançava. Mesmo arrumada como uma boneca, uma bela peça à venda, a cortesã estava livre, vencendo seus adversários.


QUOTE
Mehrak - 05/04

Os olhares cobiçosos dos clientes do Âncora seguiam os movimentos da dança com extrema atenção. Nenhum passo, movimento ou rodopio realizados por Onya lhes escapava. A única razão de esquecerem momentaneamente da cena era para remexer os bolsos e se preocupar com os cálculos - qual seria seu preço? Quanto os outros homens pagariam?

Mehrak contia o riso ao perceber o desejo latente nos olhares lançados ao palco. A expectativa de desbaratar aquelas fantasias da elite de Umbar lhe era incrivelmente agrádavel - especialmente por envolver uma bela mulher. A idéia de que ela preferiria o ouro da nobreza ao invés de suas promessas de liberdade sequer era considerada por ele. Recostado na parede ao lado do pórtico que revelava outros salões igualmente atraentes do Âncora, ele podia escutar a conversa das mesas próximas.

- Ela é espetacular!

O comentário havia partido de uma mesa ocupada por jovens, que aparentavam estar na mesma faixa de idade de Mehrak. Vestiam roupas luxuosas e seus dedos estavam carregados de anéis.

- Suladân que o diga.

Eles se voltaram para Suladân enquanto o que havia falado continuava.

- Fale para nós, Suladân. Ela é tudo isso que aparenta?

Com um sorriso maroto, Suladân debruçou-se sobre a mesa e falou em um tom de voz baixo.

- Sim, ela é - só que mais doce.

Os colegas riram enquanto observavam novamente Onya.

- Uma noite a mais não faria mal. Ela realmente está espetacular hoje.

- Dalamyr disse que Narukhôr deu uma lição nela hoje mais cedo. Os olhares da mesa se voltaram para aquele que havia falado, exigindo mais detalhes sem se manifestarem em palavras. Mas ele já estava bebâdo e tropeçando no que dizia. Pelo que entendi, ela não estava dando a atenção que o prefeito dos Portos merece. 

Ele falou em tom irônico, despreocupado se aquelas palavras chegariam ou não aos ouvidos de Narukhôr. Tinha completa certeza de que aquele homem jamais lhe alcançaria graças à proteção do título de Conselheiro de Umbar que seu pai possuía.

- A melhor parte é que ela trocou Narukhôr por um marinheiro!

Gargalhadas incontroláveis explodiram da mesa.

Mehrak olhava para aqueles jovens que se acabavam em debochar do prefeito dos Portos com um meio sorriso - será que eles continuaram se divertindo daquele jeito quando também fossem trocados por um marinheiro?


QUOTE
Onya - 08/04

Onya gargalhou com malícia conforme recebia elogios dos homens ao redor. Com habilidade, retirou da cintura um longo lenço diáfano vermelho-escuro, e executou com aquela peça de tecidos movimentos hipnotizantes. Ela era a Senhora daquele palco, era Senhora daquele público.

Num movimento único e gracioso, a cortesã desceu do palco. Num andar felino, Onya andou por entre o público. Parou para ser cumprimentada com beijos na mão por duas vezes e ofereceu um gole de uma taça de vinho numa terceira.

Numa das mesas, um jovem levantou-se, oferecendo sua mão à Onya. Num gesto gracioso, ela a aceitou e deixou que ele à rodasse num movimento de dança (mesmo que habilidoso, ele jamais seria tão desenvolto quanto ela). O rapaz aproximou-se da prostituta e sussurrou algo em seu ouvido que a fez rir. Onya desvencilhou-se de Suladân com a mesma graça de sempre.

Seus passos ainda eram lânguidos e felinos, e tinham um tom decisivo. Seus olhos escuros eram poços ardentes e sem fundos. Depois de muita reflexão, ela havia chegado à conclusão de que deveria fazer. Estava decidida.

Estendeu sua mão ao homem à sua frente, um movimento convidativo. Seu sorriso era radiante e sedutor.

- A dama escolhe seu cavalheiro para esta noite.

Continuou com a mão estendida, esperando que Mehrak aceitasse seu convite.
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Onya Lilthawen
Posted: Apr 18 2009, 12:19 AM





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QUOTE (Mehrak)
Era impossível para Mehrak desvencilhar o olhar da dançarina enquanto ela caminhava em sua direção. Durante alguns instantes, ele foi incapaz de resistir e se rendeu ao apelo inegável que derrubava todos os homens ao observarem àquele inebriante espetáculo. Não conseguia elaborar pensamentos, pois sua mente estava preenchida pelos movimentos sutis da dança de Onya.

Balançou a cabeça com um meio sorriso. Ora, a lebre e o lobo haviam invertido seus papéis? Como a própria Onya havia dito, as cortesãs do Âncora eram como drogas, que viciavam os homens e lhes deixavam implorando por mais daqueles doces sonhos. Mehrak não precisava olhar ao seu redor para saber que muitos daqueles que compartilhavam o salão com ele já estavam contaminados por aquela doce infecção.

Era necessário cuidado.

Sorrindo, ele beijou a mão que lhe era estendida.

- Que o sonho comece então!

Ainda segurando a mão de Onya, ele a guiou em um movimento de meia-volta para que ela lhe desse as costas e ambos olhassem na mesma direção. Aproximou seu corpo com sutileza enquanto sua mão esquerda pousava gentilmente sobre a cintura da dançarina. Hesitou por um instante, fragilizado novamente diante daquela proximidade e pelo perfume inebriante que abalava seus sentidos.

De olhos fechados, sussurava as palavras baixinho com um tom quase melódico.

- Eu quero que você abandone todos os pensamentos sobre este mundo que você conhece e deixe seu espírito levá-la para onde você realmente deseja estar. Feche seus olhos para que eu possa te libertar - nem que seja por uma noite apenas!

Onya deixou-se conduzir com graciosidade por Mehrak para olhar na mesma direção que ele. Estava serena, o corpo estava relaxado próximo ao dele. A cortesã aparentava estar envolvida, inebriada pela situação tanto quanto seu acompanhante. No entanto, para as mulheres que compartilhavam daquela vida, era impossível deixar que a mente toda fosse tomada – sempre havia uma brecha de consciência, lucidez e compreensão total do meio.

- Uma única noite pode valer mais que uma vida toda... – Onya disse, sem olhar Mehrak diretamente, aproveitando-se da proximidade entre os dois. Seu tom de voz era intimista, um sussurro melodioso.

Uma música mais alegre, ao fundo, começou a tocar e outras cortesãs dançavam, acompanhadas ou não. A mudança no ambiente fez Onya sobressaltar-se, observando ao redor. Franziu o cenho rapidamente e tomou a mão de Mehrak.

- Venha comigo. – disse, enquanto o conduzia para fora da sala, desviando das pessoas que lá se encontravam. Guiou-o pela bela escadaria até o corredor adornado do nível superior, onde encontravam-se os quartos.

Graças ao mito por trás da Dançarina, ela tinha influência suficiente para ter o próprio quarto onde recebia seus clientes – poucas cortesãs além da Senhora tinham aquele luxo.

O quarto de Onya era retangular, e na parede oposta à porta, uma sacada abria-se para o jardim abaixo, mas era erguida de forma a manter a privacidade do ambiente, que não podia ser observado do nível inferior. Uma cortina translúcida de linho brocado cor de âmbar ondulava com o vento noturno. Uma grande cama com dossel e cortinado semelhante àquele da varanda ocupava o centro principal do quarto. A um canto, um divã e uma grande harpa. Tecidos em diversos tons de dourados e âmbar pendiam das paredes em direção ao teto, dando ao ambiente um ar etéreo semelhante à uma tenda. Lanternas de vidro colorido davam um colorido mágico ao ambiente – o cenário perfeito para os sonhos de qualquer homem. Noutro canto, uma penteadeira e uma cômoda de madeira marchetada – peças que contribuíam para a fantasia de que aquele era realmente o quarto pessoal da prostituta.

Onya voltou-se para Mehrak, sorrindo com triunfo contido, talvez quase tímido.

- Estamos longe da confusão e do movimento musical do andar inferior. – observou-o. – Mehrak. – experimentou seu nome agora, em voz alta, em frente a ele. – Mehrak, e quem me disse teu nome foi o capitão Narwall.

Ergueu o rosto, desafiadora e ao mesmo tempo convidativa.

- Disseste-me palavras doces hoje, senhor imediato. Disseste palavras doces enquanto eu disse que cuidasses com teus passos dentro do Âncora – e próximo a alguém como eu. E no entanto, estás aqui, e talvez próximo de cruzar o limiar de um ponto sem retorno.

Rodeou-o, e enquanto tocava-lhe o ombro, parou atrás dele. Onya riu baixo, e provavelmente Mehrak sentiu aquele hálito fresco.

- Eu adoraria voar contigo, senhor marinheiro. A questão é – e ela diminuiu seu tom de voz até um sussurro rouco e sedutor – ainda queres me levar voar para teu mundo? – pediu numa súplica doce e irresistível.
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Mehrak
Posted: Apr 22 2009, 12:13 PM





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Mehrak deixou-se conduzir por Onya enquanto ela o guiava através dos luxuosos salões do Âncora Vermelha, completamente tomados pelos ávidos clientes de Maharet.

Quando percebeu que estava sendo guiado para os aposentos da Dançarina, sentiu que seu autocontrole novamente deixava uma brecha para um sorriso triunfante aparecer durante um instante em seu rosto. Ao menos por uma noite ele seria maior do que qualquer um da elite de Umbar.

Para Mehrak, que nunca havia provado dos luxos aristocráticos e estava acostumado com aposentos bem menos atrativos, o quarto de Onya parecia digno de qualquer um dos reis da Terra-Média. Sentia-se leve como em um sonho e por um momento temeu que fosse acordar para descobrir que aquilo tudo a sua volta havia sido ficção. Até mesmo Mehrak era capaz de reconhecer que sua presença ali era algo incrivelmente improvável – mas seus pensamentos foram descartados pela voz de Onya.

Ele fingiu surpresa ao escutar seu “nome” sendo proferido pela Dançarina e sorriu quando ela revelou a fonte de sua informação.

Também permaneceu em silêncio enquanto ela caminhava ao seu redor, deixando que seus olhos oscilassem dos lábios convidativamente vermelhos para os olhos escuros.

A proximidade estonteante de Onya exerceu novamente um efeito inebriante sobre o primeiro imediato, fazendo com que ele hesitasse uma vez mais antes de recobrar seu autocontrole.

Com um meio sorriso emoldurado no rosto, Mehrak se voltou para olhar novamente naquele olhos escuros. A distância que separava os dois corpos era tão pequena que qualquer movimento que o imediato realizasse, por mais sutil que fosse invariavelmente tocaria a Dançarina. O sorriso desvaneceu em seu rosto tão rápido quanto havia aparecido.

- Mais do que qualquer outra coisa. Falou Mehrak baixinho, antes de avançar milimetricamente para que seus lábios beijassem a boca de Onya.

This post has been edited by Mehrak on Apr 22 2009, 12:14 PM
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Onya Lilthawen
Posted: Jun 11 2009, 08:01 PM





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Onya retribuiu o beijo de Mehrak com o calor aumentando progressivamente. A cortesã era experiente, sabia como conduzir um homem uma vez que os tinha em seus domínios. Envolveu o corpo do imediato com um toque suave e quase etéreo, diáfano, porém ainda assim decidido e firme. Beijou-o e abraçou-o como que se fossem um único corpo.

Mehrak mal teria percebido, mas em pouco tempo, Onya o conduzia em direção à suntuosa cama, onde ambos caíram.

Onya e Mehrak tornavam-se um só. O marinheiro finalmente levava a cortesã para voar, enquanto a música, a bebida e a alegria corriam no andar inferior.



EM OFF: Desculpem a demora! Vários problemas pessoais...
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Mehrak
Posted: Sep 18 2009, 11:57 AM





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A lua projetava o seu perfil azul
Sobre os velhos arabescos das flores calmas
A pequena varanda era como o ninho futuro
E as ramadas escorriam gotas que não havia.
Na rua ignorada anjos brincavam de roda...
� Ninguém sabia, mas nós estávamos ali.
Só os perfumes teciam a renda da tristeza
Porque as corolas eram alegres como frutos
E uma inocente pintura brotava do desenho das cores
Eu me pus a sonhar o poema da hora.
E, talvez ao olhar meu rosto exasperado
Pela ânsia de te ter tão vagamente amiga
Talvez ao pressentir na carne misteriosa
A germinação estranha do meu indizível apelo
Ouvi bruscamente a claridade do teu riso
Num gorjeio de gorgulhos de água enluarada.
E ele era tão belo, tão mais belo do que a noite
Tão mais doce que o mel dourado dos teus olhos
Que ao vê-lo trilar sobre os teus dentes como um címbalo
E se escorrer sobre os teus lábios como um suco
E marulhar entre os teus seios como uma onda
Eu chorei docemente na concha de minhas mãos vazias
De que me tivesses possuído antes do amor.


Vida e poesia (Vinícius de Morais)
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Onya Lilthawen
Posted: Sep 19 2009, 12:28 AM





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Onya voltou-se para trás, a brisa fresca da madrugada brincando em suas ondas revoltas. Insone, preferiu sair da cama onde Mehrak agora dormia só depois de quase uma hora sem conseguir cair do sono. A insônia não lhe incomodava - era uma companheira constante em sua vida.

A cortesã estava sentada próxima do batente da varanda, vestindo um robe longo de organza cor de vinho. Ela havia virado-se para trás para observar o vulto marinheiro adormecido na cama, por trás do cortinado do dossel. Suspirou. Se ele fosse um cliente, Onya logo deveria acordá-lo para mandá-lo embora, mas de certa forma, compadeceu-se do rapaz. Que deixasse-o dormir ali, ao menos por enquanto... Aquele não era o mundo de Mehrak, então, que mal faria deixá-lo aproveitar mais alguns momentos?

Para uma cortesã experiente, como era Onya, não era difícil entregar seu corpo dissociado da alma e dos pensamentos. De fato, Onya conseguia manter a racionalidade em praticamente todos os momentos em que estava com um cliente - era simplesmente mecânico. Não que com Mehrak ela não tivesse controlado sua racionalidade - havia permitido a si mesma aproveitar o momento e a doçura do jovem. Ainda assim, não podia entregar-se a homem algum. Apegar-se era um grande problema.

Tolos são os homens que se deixam envolver pelo amor prometido por uma prostituta. É um amor efêmero, uma cumplicidade que dura enquanto durar o interesse mútuo. E Onya sabia o quanto essa realidade crua era capaz de chocar alguém que não vivesse a sua vida, mas ainda era a realidade - era preciso encarar isso. Mas mais tola é a prostituta que, conhecendo as regras do jogo, ainda permite a si própria apegar-se a um homem. Aqueles que buscam as cortesãs, como eram Onya e Maharet, podiam amá-las, mas era um amor que duraria enquanto a beleza daquelas mulheres florescesse.

Era conflitante imaginar o que passava pela cabeça de Mehrak - se ele estava envolvendo-se ou se ela era só um passatempo. Mesmo que Onya soubesse que nunca nenhum relacionamento que ela tivesse no Âncora seria verdadeiro, pensamentos como aqueles eram inevitáveis dentro da cabeça de uma mulher jovem. A dançarina suspirou, negando com a cabeça. Era melhor não dar espaço para aquela discussão dentro de sua cabeça - ela jamais chegaria a essa resposta.

E mesmo sabendo que não queria envolver-se, permitiu que Mehrak a tivesse sem que precisasse pagar por isso. Onya jamais teria um problema como o de Jasmira, uma vez que sempre deixara claro que cliente algum teria exclusividade sobre ela. Mas sentia-se apreensiva ao pensar em como a fofoca repercutiria ao ser transmitida de boca em boca pelo Âncora. Sabia que a qualquer momento chegaria ao ouvido da Senhora e que isso poderia gerar outra discussão entre ambas. Na verdade, já imaginava o eunuco Dijii batendo à porta a qualquer momento para apressá-la.

Talvez tivesse sido um erro permitir ao garoto aquela liberdade, mas agora o erro já havia sido cometido. Que ele aproveitasse... o vôo do rouxinol duraria só até de manhã.

Levantou-se, espreguiçando-se. Andou lentamente até a cama, onde aninhou-se ao lado do marinheiro. Resolveu que mesmo que não conseguisse dormir, deitaria de olhos fechados fingindo. Fingir resumia sua existência naquela casa.

Pensou outra vez em Jasmira e Zaffir e no triste destino dos dois.

Realmente. Tolos são os homens que deixam envolver pelo amor prometido por uma prostituta... pensou outra vez antes de fechar os olhos.
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Mehrak
Posted: Sep 25 2009, 10:46 AM





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Mehrak estava com pressa. Não por necessitarem de seu comparecimento ao navio aportado para prestar seus encargos e ofícios ou por algum desejo de deixar o Âncora Vermelha para voltar à realidade desumana da Cidade dos Corsários. De forma alguma, tinha o nítido conhecimento de que, se pudesse, jamais sairia daquele quarto - e era isso que lhe apressava. Em seus anos à bordo, já havia escutado incontáveis histórias de marinheiros que se apaixonavam por cortesãs e arruinavam não apenas seu soldo, mas todos os aspectos de sua vida em busca de um devaneio impossível, e receava que o mesmo lhe acontecesse, pois desde que descobriu a cortesã (que ao menos lhe parecia) dormente ao seu lado, temeu um destino semelhante. Ansiava por beijar-lhe os lábios, desejava permanecer espiando o venturoso sono em que acreditava encontrá-la, queria escutar uma vez mais o canto do Rouxinol.

Balançou a cabeça enquanto afivelava o colete azul-marinho que recaía sobre os ombros. Seria melhor esquecer o sonho requintado que vivia desde o momento em que adentrou o Âncora? Mehrak, que costumeiramente era tão certo de si e de seus princípios, sentia-se ligeiramente perdido, completamente incapaz de avaliar o que deveria fazer. Despropositadamente, suas mãos cobriram-lhe a boca, gesto típico de quem se encontra profundamente entretido pelos próprios pensamentos, e descobriu o pequeno anel de prata que trazia consigo desde a divisão dos saques. Considerou a idéia de deixar a pequenina jóia para a cortesã por alguns instantes, tentando afastar a consciência de que ela certamente possuía artigos muito mais valiosos do que aquele adereço ínfimo.

Manter o anel consigo seria uma recordação cruel daquela noite - e ele não poderia guardar este tipo de lembrança, que não lhe auxiliaria na tarefa árdua de evitar que sentisse qualquer coisa pela cortesã. Deixando a pequena peça de joalheria sobre o criado ao lado da cama, observou novamente Onya por alguns momentos, antes de recobrar a plena consciência e, silenciosa e apressadamente, passar pelo pórtico e fechá-lo com enorme cuidado. O Âncora mal havia começado seus preparativos diários, de forma que Mehrak encontrou apenas um dos amigos de Suladân (que dormia profundamente) em seu caminho de saída.

Dentro de poucos minutos, estava de volta ao Dragão do Leste e à normalidade.
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Onya Lilthawen
Posted: Sep 25 2009, 11:48 PM





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Os passos do eunuco eram firmes e decididos, pois Dijii sabia onde queria ir. As narinas do grande homem dilatavam-se conforme ele indignava-se com a situação.

“Ela não tem limites!” Pensou.

Dijii abriu a porta do quarto abruptamente, deparando-se com uma Onya que fingia acordar assustada. Talvez o fulgor no fundo dos olhos da mulher tivesse entregado sua farsa ou talvez Dijii a conhecesse bem o suficiente para saber de seus hábitos e padrão de insônia.

- Perdeste a cabeça, foi?

Onya olhou confusa. Deu um breve riso, sarcástica.

- Estou sonambulando agora? Pois a única resposta que acho para ser culpada por alguma coisa é que eu agora sofra de sonambulismo, uma vez que estava dormindo...

Dijii cortou-a com rispidez. – Não aja como estúpida, sei que não o és! Eu vi o rapaz... o marinheiro! O que pretendes agora?

- Eu atendi um cliente... – Onya atalhou.

- ... que obviamente não tem dinheiro para pagar o teu preço. Dormiste com o rapaz de graça.

Onya não respondeu. Limitou-se a olhar o eunuco através das chamas escuras que ardiam em sua íris.

- Não és sentimental. Tampouco apaixonar-se-ia à primeira vista pelo primeiro estanho pobre que aparece aqui... Minha conclusão é que queres provocar a Senhora, outra vez.

- Outra vez este assunto! – Onya gemeu.

- Sabes o que aconteceu ontem... Viste a cena e tiveste tua participação nela. Não foi o suficiente? Para quê repetir o ato de Jasmira, depois de ter visto o desgaste pelo qual passamos com a prisão de seu amante?

Silêncio por parte da cortesã. Onya agia como que se ignorasse Dijii. No fundo, talvez, o fizesse. Isso atraiu o desprezo do eunuco. Ele estourou, por fim, numa recriminação num tom baixo e perigoso – uma palavra que há tempos ele não usava.

- Vadia egoísta...

As chamas dos olhos da dançarina arderam como que se avivadas com álcool. A audácia em usar um dos únicos termos que Onya não admitia fora suficiente para despertar a ira da prostituta, que atirou-se contra Dijii tentando acertá-lo com as mãos delicadas.

- Não me chame de vadia! – disse, enquanto o eunuco agarrava-a pelos pulsos e atirava-a com violência na cama outra vez. Onya ficou imóvel, de certa forma, surpresa. Apesar das discussões freqüentes com Dijii, ele nunca usara sua força física contra ela.

Dijii olhou-a cheio de recriminação.

- Provocaste a senhora ontem. E logo depois provocaste lord Narukhôr com esse mesmo moleque com quem dormiste. Se esse encontro chegar aos ouvidos dele, sabes que ele não demorará a pensar que fizeste isso em desforra! E não será difícil que ele descubra... és um ícone, Onya, todos te conhecem, e todos conhecem o Âncora! Nada aqui é segredo por muito tempo...

“É tão difícil entender onde isto acabaria? Garota idiota!”

Onya respondeu, a voz trêmula. Não pela surpresa com a qual Dijii repelira seu ataque, mas com raiva lembrando-se da humilhação sofrida ainda no dia anterior. Parecia ter passado tanto tempo desde então...

- Eu não temo lord Narukhôr!

- Pois deveria. – Dijii disse, com gravidade.- Apronte-se e saia. Logo os serviços diurnos começarão... E lembra-te de manter o respeito devido a esta casa - ou trabalharei incansavelmente até que consiga tua expulsão – terminou o eunuco, batendo a porta ao sair.

Onya suspirou, com um misto de raiva e desânimo. Levou as mãos aos cabelos longos, penteando-os para trás. Imersa em seus pensamentos, notou o pequeno anel de prata na cômoda, Mehrak devia tê-lo deixado ali. Um gesto de remorso, talvez, fruto da culpa por partir sem sequer despedir-se? A cortesã observou a jóia barata e simples, incapaz de ser comparada com as pedras brilhantes e metais raros que possuía. Era uma jóia que não encaixava-se em seu mundo e no seu estilo de vida dentro do que era o Âncora Vermelha...

Sem que seu lado consciente soubesse o motivo, colocou o pequeno anel em um de seus dedos.

This post has been edited by Onya Lilthawen on Sep 25 2009, 11:49 PM
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Onya Lilthawen
Posted: Sep 28 2009, 11:47 PM





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- Onya! – o chamado foi num tom de voz cordial, porém animado. – Inspirada para compor?

A voz feminina era doce e amigável, no entanto, Onya, que conhecia bem aquele timbre, só fez revirar os olhos. Novamente, sua composição estava perdida. Largou o caderno de anotações ao lado da harpa dourada e cruzou os braços, olhando a dona da voz.

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Lakésis era alta e esbelta, com um sorriso estonteante iluminando o magnífico rosto moreno, e anéis pequenos e delicados de cabelo escuro descendo pelos ombros. Era uma das mais belas jóias do Âncora, sem dúvida alguma, uma das maiores aquisições de Maharet, adquirida algum tempo antes de Onya. E diferente de Onya, era uma mulher livre. E mais diferente de Onya ainda, sabia controlar seu gênio com perfeição. Motivos mais que suficientes para que a cortesã de cabelos castanhos antipatizasse com ela.

- Pronto? – Onya respondeu com o rosto fechado e os braços ainda cruzados. Não tinha estômago para tentar ser agradável com Lakésis.

A outra levou as mãos ao colo, com uma expressão de mortificação.

- Ah, querida! Não me entendas mal, por favor! – sorriu. Ònya não era tola, e percebeu algo além do sorriso. – Só queria compartilhar um pouco da tua felicidade... afinal, Onya, a bela dançarina do coração de gelo e gênio de fogo finalmente foi arrebatada!

Onya ignorou Lakésis. Novamente odiou o fato de as notícias correrem tão rápidas no Âncora.

- Diga-me, como era o jovem marinheiro? Ele não parecia ser do tipo dispensável, apesar da origem simplória...

- Lakésis, - Onya irritou-se o suficiente para responder – Se tudo isso é porque Suladân preferes a mim do que a ti, desculpa-me! – imitou o mesmo sorriso gentil de Lakésis. – Afinal de conta, sempre chega a hora em que vamos perdendo a beleza da juventude...

A tez escura de Lakésis assumiu um tom levemente lívido. Qualquer vestígio do seu sorriso desapareceu. Onya gargalhou, triunfante. Ah, a idade, o envelhecer, o grande inimigo da vaidade!

Onya dedilhou algo na harpa. Lakésis inspirou algumas vezes para recuperar a calma.

- Bom, ele há de voltar, imagino... Rever sua bela dançarina! – Lakésis jogou a cabeça com desdém. – Pena que não deve ter dinheiro para comprar tua liberdade e tomar-te para si!

A cortesã mais jovem parou de dedilhar. Ficou calada, pálida.

- Ah, querida, eu lamento tanto! Infelizmente, a liberdade não parece ser para todas...

Um som seco tomou a sala. Numa fração de segundo depois, Lakésis segurava o próprio rosto, contendo um filete de sangue que escapava da têmpora esquerda, no lugar onde um dos anéis usados por Onya cortara seu rosto. Estava boquiaberta.

- Nunca mais ouse...

O olhar de Lakésis foi de ódio. Sim, haveria retaliação, sem dúvida. A cortesã, no entanto, conteve seu sorriso, mantendo a expressão de vítima injustiçada enquanto as outras cortesãs juntavam-se na sala de música, com cochichos que recriminavam o mau gênio e a violência gratuita de Onya.

- Parece que extrapolaste os limites outra vez... – Lakésis disse, baixinho. – Dessa vez, veremos se a Senhora será benevolente contigo...
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Maharet
Posted: Sep 29 2009, 11:47 AM





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Dijii odiava interromper o sono de sua senhora. Ela já dormia tão pouco! Mas as coisas começavam a sair de controle controle e se Maharet demonstrasse fraqueza jamais teria o respeito das mulheres que habitavam aquela casa. Por ele, daria uma boa surra naquelas insolentes, mas sabia que não era o tipo de atitude que a Senhora apreciaria e ainda correria o risco de danificar duas das mais valiosas mercadorias da casa.

Ele abriu a porta suavemente só para encontrá-la já de pé e vestida.

- Qual a crise que o faz entrar aqui a esta hora Dijii?

O eunuco franziu o cenho.

- É Onya outra vez senhora. Ela esbofeteou Lakésis, provocou-lhe um corte no rosto. Por certo Lakésis não poderá estar nos salões hoje, com aquele corte a marcar-lha a face.

Maharet não demonstrou sinais de grande aborrecimento. Pelo contrário, quem a visse de longe acharia que ela estaria tratando de assuntos banais. Contudo, Dijji conhecia os sinais que prenunciavam uma tempestade.

- Onya "recebeu" aquele jovem marinheiro sem cobrar, não foi?

- Livre-se dela minha senhora!
O eunuco pronunciou enfaticamente - Aquela garota é só problema.

- Ainda não Dijii.
A dona do Âncora respondeu com um pequeno sorriso, tão delicado que quase espantou as preocupações do servo.

- Reúna as moças na sala de música.

- Elas já estão lá!

- Então vá até o quarto de Onya. - Eu sei que ela esconde um pingente que pertenceu à mãe. Está em um pequeno saco de veludo em uma falha no piso sob o tapete. Pegue-o! Depois vá ao quarto de Lakésis e traga-me o colar de esmeraldas que lorde Arkmar deu a ela de presente. Ela ama mais aquela jóia do que a si mesma, gosta de dizer que nem mesmo eu tenho um colar como aquele.


Dijii assentiu quase excitado.

- Imediatamente senhora...
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Maharet
Posted: Oct 2 2009, 05:20 PM





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Maharet entrou acompanhada de Dijii na sala de música. Havia vários tipos de instrumentos estrategicamente espalhados pela elegante sala predominantemente azul e dourado embora todo o glamour do local fosse melhor apreciado à noite, o brilho dos raios do sol sobre os detalhes e instrumentos causava um efeito admirável quase mágico.

Surpreendentemente não se ouvia o falatório usual, apenas um silêncio pesado quebrado por olhares atravessados.

A dona do Âncora usava um vestido confeccionado com tecidos finíssimos sobreposto, em uma combinação de cores claras que davam leveza e elegância a figura dela. Sentou-se na cadeira que havia sido deixada no tablado de pouca altura. Maharet esperou que Dijji se postasse ao lado dela enquanto olhava cada uma daquelas moças. Eram 13 no total, treze das mais belas representações que o sexo feminino poderia assumir. Jasmira era a única ausente.

- Eu nunca pedi ou exigi que vocês gostassem de mim... Ela começou a falar calmamente. - Contudo eu exijo, exijo (repetiu a palavra num tom já mais duro de voz) respeito à esta comunidade e às regras que existem para aqueles que aqui habitam. Todas vocês já foram alertadas que a harmonia da nossa convivência é fundamental para o sucesso das atividades que exercemos. Nós vendemos sonhos... Vendemos ilusões, suavidade, paixão... Nossos clientes pagam caro porque o que encontram aqui não encontram em qualquer outro lugar, quando estão conosco eles sentem-se deuses...

Fez uma pequena pausa então olhou diretamente para seu maior “problema”.

- Onya, tu violaste duas das mais importantes regras do Âncora. Além de agredir Lakésis, você recebeu um cliente sem cobrar. Para que te lembres que tua vida e tua vontade não te pertencem informo que o preço de tua liberdade acabou de subir para dez mil peças de ouro. – Aconselho-te a cobrar de agora em diante se não quiseres, quando teu corpo não mais servir aos meus propósitos, passar o resto de tua vida lavando as latrinas da casa.

Inclinou-se um pouco para frente e segurou seu olhar onipotente sobre ela.

- Mais uma coisa... Tenho algo que lhe pertence...

Dijii entregou o pingente à Maharet que o balançou apreciativamente.

- Prove-me que podes ser uma pessoa sensata e terás sua relíquia de volta.

Lakésis deu um sorriso maldoso que a cortesã não deixou passar.

- Quanto a você Lakésis, não pense que não conheço o veneno que destilas por trás deste sorriso. Se Onya a agrediu, por certo merecestes.

Dijii repassou então o colar da prostituta. Foi fácil acessar os pertences das moças, pois nada era segredo no Âncora. As jóias valiosas ficavam no cofre comum e a penalidade para roubo era pior do que a morte.

Maharet exibiu o colar de esmeraldas que brilhou verde.

- Você acha que não sei o quanto te gabas deste presente, Lakésis? – Que não sei que pretendes vender o colar e abrir uma casa tua para concorrer com o Âncora?

Os olhos da bela morena se estreitaram como os de uma serpente, o sorriso maldoso já havia há muito desaparecido.

- Devolva-me o colar Maharet! Ele não pertence à você, como eu também não!

A mulher riu com gosto, uma risada muito jovem e cristalina.

– Você acha que cobiço teu rico colar? – Para teu conhecimento não uso falsificações...

O rosto da prostituta cor de canela ficou rubro como uma rosa.

- Mentira! Você está com inveja! Lorde Arkmar... Ele...

Maharet levantou-se e caminhou até Lakésis.

- Querida... Você acha realmente que lorde Arkmar gastaria uma pequena fortuna com você? Um homem que conta os grãos que come? Sacudiu a cabeça como se estivesse com pena. — Não te disse antes porque queria te privar de tal vergonha. Pobrezinha...

O rosto da dona Âncora mudou então da provocação maldosa para a dureza da pedra de lápide.

- Ouçam todas, pois é a última vez que falo sobre este assunto. – Desobediência não será mais tolerada nesta casa. Aquela que não estiver satisfeita e não tiver dívidas, que pegue seu rumo! As outras sugiro que reflitam sobre as suas atitudes. Embora a maioria de vocês me conidere injusta, o mundo lá fora pode ser muito pior do que eu. - Aqui somos deusas, lá fora somos apenas vadias sujas...

This post has been edited by Maharet on Oct 2 2009, 05:25 PM
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Onya Lilthawen
Posted: Oct 10 2009, 01:28 AM





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Onya pouco prestou atenção às palavras de Maharet, apesar de permanecer em silêncio respeitosamente enquanto a Senhora falava. Seus pensamentos estavam longe da reprimenda – outra reprimenda. Novamente, Onya era a vilã – uma repetição tediosa.

Quase deu ombros quando Maharet disse subiria o preço da sua liberdade, mas controlou-se, . Raramente Onya se deixava lembrar que era uma escrava. Preferia pensar que, se um dia resolvesse deixar o Âncora, juntaria o dinheiro que possuía e iria embora. Ainda assim, era de certa forma inconveniente e perturbador que a Senhora trouxesse aquele assunto à tona ali, em frente às outras prostitutas. Onya não gostava das reprimendas em público.

No entanto, quando a Senhora ergueu a pequena jóia barata em sua frente, foi como que se o ar faltasse à Onya. A cortesã empalideceu e precisou de toda sua força de vontade para manter sua compostura.

Maharet não tinha aquele direito! Foi o primeiro pensamento que passou pela cabeça da cortesã. No entanto, Onya sabia que estava errado. É claro que Maharet podia! A questão era: o que Onya poderia fazer?

A jovem suspirou e baixou a cabeça, derrotada. Não podia contra aquele argumento de Maharet. Inspirou profundamente, sentindo o gosto amargo da derrota. Decidiu que era o momento para apelar para a sua sinceridade.

- Venceste, Senhora. – disse com seriedade e sinceridade. - Sabes que eu sou o lado mais fraco aqui, portanto sou incapaz de criar oposição ou rebeldia. Devolva-me o pingente, pois ele me é caro, por favor.

“Podes dobrar as dez mil peças, eu não me importo. Mas devolva-me o pingente, por favor.”


Onya estendeu a mão. Sabia que suas chances eram mínimas e que o coração duro e frio de Maharet não cederia, mas aquela era uma única lembrança de um passado há muito perdido, de expectativas de uma vida absolutamente diferente e a dançarina não podia deixar de insistir.

(***)

Algumas horas já haviam passado desde a reunião na sala de música e o sol estava à pino em Umbar. A mulher jovem ocultava-se sobre a sombra fresca de uma sombrinha enquanto andava pelas ruas escoltada por um jovem eunuco. Um véu protegia-lhe o belo cabelo e ocultava o rosto harmonioso, conferindo-lhe certa privacidade.

Ainda assim, a maioria do público do Âncora reconheceria com facilidade a mulher alta de pele escura e cabelos anelados que andava com altivez e resignação. Lakésis não abria mão de seus passeios ocasionais no mercado de perfumaria e tecidos. Não seria a humilhação pública sofrida por Maharet que a impediria. Afinal de contas, não era o Âncora um teatro de sonhos? Que fosse fingido que tudo estava bem!

Lakésis sorria e conversava bastante com os vendedores nas bancas. Testou alguns perfumes e cosméticos e parou, visivelmente interessada numa bela peça de organza brocada. Ainda assim, Lakésis nada comprou – sabia para quem e como podia pedir o que quisesse, e presentes de seus clientes não lhe faltariam.

Por fim, ela e o seu guardião sentaram-se à beira de um espelho d’água rodeado por belas figueiras. Lakésis sorriu enquanto enxugava o suor da testa com um lenço delicado.

- O dia está quente. – disse, puxando conversa com o seu acompanhante.

Nmenaar concordou – Está, senhorita. Tempo bom significa navios chegando e bons negócios para Umbar. Bons negócios para Umbar representam bons ventos para nossa Casa.

Lakésis suspirou, com esperança – Ah, que os deuses o escutem!

Depois de alguns segundos de silêncio, Nmennar reiniciou a conversa. – Surpeendo-me com a vossa resilência, senhorita. Poucas garotas conseguiriam recompor-se tão rapidamente depois... – um silêncio constrangido. – Perdoe-me, não devo interferir nos assuntos da Senhora com as cortesãs...

- Não há problema, Nmennar, por favor! – Lakésis riu para provar que estava bem. Como que se ele não se mostrasse mais tranqüilo, a cortesã suspirou em tom jocoso e retirou do decote uma pequena bolsa de cetim. Deu ao eunuco duas moedas de prata.

“Vá, Nmennar. Gaste um pouco contigo, tu mereces, já que és tão solícito ao acompanhar-me nas minhas idas e vindas pela cidade. Tenho assuntos particulares a resolver, coisas de família, e nos encontraremos aqui dentro de uma hora e meia.”

Nmennar mal pôde acreditar na bondade da cortesã. Beijando-lhe a mão com respeito, partiu da praça. O sorriso cândido de Lakésis foi assumindo um tom sombrio.

Não, ela não havia esquecido a ofensa de Maharet. Tampouco deixaria que a vadia escapasse impune... Ah, Lakésis prometeu a si própria que faria Maharet pagar caro! Maharet e Onya: o corte em seu rosto estava oculto pelo véu, mas Onya pagaria...

Lakésis levantou-se. O mercado de especiarias, por vender artigos mais refinados e caros, não era próximo do mercado comum, aliás, estava próximo ao coração da parte mais nobre de Umbar. E o lugar que a prostituta morena buscava não era muito longe dali.

Ela sabia que precisava vingar-se de Maharet. No entanto, sabia que era incapaz de fazer aquilo sozinha...

Mas sabia muito bem como afastar dois problemas com um movimento só.

Lakésis chegou ao escritório de portas suntuosas e entrou, com andar altivo e pose de nobreza. Ninguém atreveu-se a pará-la até que ela chegou na ante-sala do lugar que buscava. Sorriu com altivez para o secretário que ali estava.

- Preciso falar com lord Narukhôr. Diga à ele que é Lakésis, do Âncora Vermelha, quem está aqui e que o assunto é de interesse dele.

This post has been edited by Onya Lilthawen on Oct 10 2009, 01:29 AM
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Narukhôr
Posted: Oct 10 2009, 12:26 PM





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O prefeito estava furioso. A fuga do marinheiro lhe roubara o pouco bom-humor que não tinha. Já havia espalhado soldados por toda Umbar para que vasculhassem cada buraco maldito daquela cidade. Os soldados relapsos, esses ele já havia providenciado para que nunca mais deixassem outro prisioneiro escapar em suas vidas.

- Prenderam o homem, Akon? Perguntou ansioso quando o capitão irrompeu pela sua sala de trabalho.

- Nada ainda senhor, mas tenho certeza que o pegaremos logo. Invadimos o porto com soldados e os capitães das embarcações sabem o quão prejudicial para seus negócios pode ser esconder um fugitivo da lei.

- E o Âncora?
- Vigiado dia e noite.


Narukhôr franziu o cenho, intuía que a casa de Maharet era a chave para a captura do maldito assassino de Lorde Târik. Não toleraria que a notícia de que prisioneiros escapavam de seus homens se espalhassem por Umbar.

- Junte alguns homens agora. Revistaremos o Âncora novamente.

- Senhor... Akon interpelou o prefeito. - Há uma "moça" aí fora pedindo para ser recebida por ti. - Uma das "moças" do Âncora.

- Aqui? - Para falar comigo? - Como ela se...


Maharet quando desejava lhe falar mandava algum dos eunucos ou outro mensageiro qualquer, mas nunca uma das moças. Ela sabia muito bem que ele odiava este tipo de coisa. Contudo, aquela visita inusitada podia ser vantajosa.

- Hummm... mande que ela venha ter comigo...

- Sim milorde. Agora mesmo,
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Onya Lilthawen
Posted: Oct 11 2009, 02:57 AM





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Lakésis olhou rapidamente o ambiente ao seu redor. Respirou fundo antes de encarar o prefeito à sua frente, sem saber o que pensar da expressão dele. Repassara mentalmente uma porção de vezes o que diria.

- Senhor... – murmurrou enquanto fazia uma mesura educada.

Suspirou antes de começar.

- Provavelmente vossa senhoria está se perguntando o porquê de eu ter vindo até aqui. Muito bem, não fui enviada pela Senhora Maharet, tampouco ela sabe que eu estou aqui.

Lakésis fez uma pequena pausa dramática. – Vim, meu senhor, em nome da minha própria consciência... andam acontecendo coisas no Âncora com as quais eu discordo, que acredito que não serão nem um pouco benéficas para aquela casa. O Âncora é meu lar e eu devo honrá-lo sempre, mas não quero ser associada a certos tipos de comportamento...

Os olhos castanhos assumiram uma expressão angustiada. Tudo parte do seu teatro, obviamente. Esperou uma indicação do lorde à sua frente de que pudesse começar a contar sua história para iniciar a narrativa.

- Eu não conheço os desígnios da minha Senhora, milorde. Sei que o capricho cabe às mulheres vaidosas, como somos nós, as cortesãs, no entanto, o capricho sem limites tem seus riscos e danos. Há algum tempo... – ela parou, indecisa. – Digamos que a senhora tem sido negligente...

“A história de Jasmira,” Lakésis mentiu. “Lady Maharet é onisciente dentro do Âncora! Obviamente ela sabia que Jasmira estava tendo um caso com o marinheiro, à despeito do seu relacionamento com lord Târik! Jasmira é ingênua e tola e não teve parte nenhuma no crime pavoroso que seguiu, mas lady Maharet sabia do envolvimento deles... foi um momento de sensatez e medo pelo destino do Âncora que a fizeram recuar e entregar o assassino às autoridades...”

Lakésis sequer considerou a hipótese de mencionar a estadia de Gimilzirân e seu envolvimento na história à Narukhôr, assim como havia isentado Jasmira de qualquer tipo de culpa. Seu objetivo único era atingir Maharet e Onya, mas jamais prejudicaria qualquer um dos Aldamiri.

- Temo que o incidente esteja para se repetir, milorde, mas com proporções muito maiores, catastróficas. – disse num tom aflito e incerto, inseguro. -Ontem foi por capricho que a Senhora recusou-se a recebê-lo a tarde, e foi com um toque de maldade que ordenou que Onya o acompanhasse. Todas nós sabemos que Onya é rebelde e intempestiva como um potro selvagem. Ela não respeita ordens nem hierarquia e só faz o que quer.

“Eu não esperaria nada diferente por parte da Onya do que tentar humilhar vossa senhoria daquele jeito, flertando com o primeiro rapaz que aparecesse enquanto ela deveria estar entretendo a ti, que é o cliente mais importante da casa! Tampouco acredito que a senhora esperasse algo diferente. Por que ela mandou que Onya o recebesse? Por capricho, para provar vossa devoção? Eu não sei dizer!”

- Onya ficou embriagada com a idéia de fazer troça de vossa senhoria. Ainda ontem a noite, um dos meus clientes perguntou-me se era verdade que ela tinha preferido um marinheiro a lord Narukhôr... e todos nós vimos também quando Onya subiu para o quarto com o mesmo marinheiro, que obviamente não tinha dinheiro para pagar por ela... ela dormiu com ele de graça, só pela idéia mórbida de fazer troça de ti!

Lakésis torceu um tecido de sua roupa entre as mãos, simulando nervosismo.

- Ah, milorde... achei que o mais honesto seria contar ao senhor o que aconteceu antes que o falatório do mercado chegasse a vossos ouvidos! Eu tenho tanto medo do que pode acontecer! Não sei o que se passa pela cabeça da minha senhora, mas foi imprudente e negligente permitir que Onya seja solta para agir como a criatura indomável que ela é...

“Eu não deixo de temer pelo senhor, milorde... Ah, pelos deuses, estou tão nervosa! Precisava dizer-te essas coisas...” levou as mãos ao rosto bonito, evidenciando propositalmente, nesse processo, a cicatriz do ferimento sofrido recentemente. Estava transtornada. ”O Âncora é minha casa, meu único lar... temo pelo futuro dele! Ah, deuses, se a Senhora souber que tive coragem de vir até aqui estarei perdida!”
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Narukhôr
Posted: Oct 12 2009, 06:46 PM





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Narukhôr recebeu a mulher em uma sala reservada longe do alcance de olhos curiosos da soldadesca que ja devia estar comentando o fato inusitado da presença daquela linda mulher, que com certeza não fazia parte do círculo social do alcaide. O que era natural, já que os pequenos conheciam todos os senhores e as damas das grandes famílias de Umbar.

Reconheceu-a imediatamente, assim cumprimentou-a discretamente e sem muita satisfação. Contudo, não foi grosseiro já que precisava admitir que estava curioso para saber o quê em nome de Melkor, uma das meninas do Âncora poderia querer com ele. Algum pedido por certo.

Não podia estar mais enganado.

No início ouviu com enfado, mas a cada palavra de Lakésis, o prefeito foi ficando mais pálido. Teria sido capaz de estrangulá-la com suas próprias mãos só para que nenhum outro som jamais saísse daquela boca novamente, contudo forçou-se a ouvir até o fim, impassível, sem sequer mexer um músculo de seu rosto. O ódio e a humilhação o corroíam por dentro,mas sem irromper.

Ao final, quando nada mais havia a ser dito, abriu a gaveta lentamente e retirou algumas moedas de ouro, as quais empurrou em direção à morena.

- Você fez muito bem... Pressinto que este pode ser o início de um relacionamento muito proveitoso para nós dois. - Volte para o Âncora agora. Saia discretamente e se quiser falar comigo não venha aqui, mande recado.

A voz mansa de Narukhôr poderia ser comparada a brisa fresca que anuncia a tempestade. Além de vingança pessoal , ele tinha o sentimento de que a chave para a captura de Zafir estava na casa de Maharet.

Depois que acabasse, Maharet, Onya ou Umbar jamais o desafiariam novamente...

This post has been edited by Elendili on Oct 14 2009, 11:47 PM
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