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 Amon Sûl, O último outono da guarnição?
Dargon
Posted: Aug 10 2008, 10:45 PM





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A coisa que todo guerreiro mais teme é a paz. Quando há guerra e a maestria com armas se faz necessária, ele não irá hesitar pois tem plena consciência do que fazer quando o entrechoque de exércitos acontecer. A expectativa de morte existe, de fato, mas ele não seria um combatente completo se não houvesse deixado esse temor para trás. É nesta época que condecorações são recebidas, patentes são concedidas e a fama é construída. Um soldado competente terá a oportunidade de deixar a obscuridade e se cobrir das maiores glórias. Na ocasião de haver paz, os guerreiros são desnecessários - um peso morto. A tendência natural é que eles aceitem empregos que valorizem sua habilidade, normalmente como guarda-costas, mercenários ou criminosos - caracterizando sua decadência.

Naquela manhã fria, os cavaleiros que chegavam no Topo do Vento vindos de Annúminas eram sinais da eminência do conflito com as forças órquicas ao Norte causando um certo frisson nos soldados. Os vigilantes do portão sussuravam entre si enquanto os recém-chegados iam até as estrebarias para deixar suas exaustas montarias repousarem, especulando sobre a resposta que aqueles homens traziam. Afinal, Dargon não havia escondido de ninguém que pretendia aumentar os muros que circundavam a cidadela e como lhe faltavam engenheiros havia enviado mensageiros até a capital do Reino do Norte requisitando a presença de alguns deles para incrementar suas defesas. A reação geral quando a notícia foi espalhada foi otimista, embora uma pequena parcela soubesse que eles precisariam de muros como os de Minas Tirith se todo o contigente dos orcs lhes sitiasse.

Os mensageiros demonstravam a disciplina militar que se esperava deles, caminhando com um passo ritmíco até a torre. A presença deles ali havia acordado a vila que abrigava as famílias dos soldados ao redor da torre principal mais cedo do que era de costume. Algumas chaminés começavam a expelir os primeiros sinais da fumaça matutina e os primeiros sinais de vida eram percebidos nas ruas à medida que elas eram povoadas pelos moradores locais. Eles passavam pelos cavaleiros mas não ousavam lhes perguntar qual era o conteúdo da resposta que traziam para a guarnição, cientes de que nada lhes seria contado por aqueles homens. Eram esposas, irmãos, irmãs, pais, mães, filhos e filhas de soldados em sua esmagadora maioria e conheciam seus parentes o suficiente para respeitar o silêncio dos recém-chegados.

Aos pés da torre, Dargon havia se sentado em um dos degraus frios de pedra e esperava pensativamente pelos mensageiros de Annúminas. Ele sabia que seria impossível garantir a segurança inviolável daqueles à seu redor apenas com um incremento da muralha mas dificultaria a ação de qualquer grupo de eventuais salteadores procurando por alvos de pilhagem fácil. Além disso, ele sabia que os moradores de Amon Sûl se sentiriam mais seguros com a reforma que ele planejava, reavivando sua moral no processo. Alguns rumores sobre escravização e tortura nos covis dos orcs em Gundabad haviam chegado até a cidadela e fazia com que boa parte dos integrantes da guarnição se questionasse sobre até onde ia sua fidelidade. Não que Dargon os culpasse, pois eram quase todos garotos que ainda tinham toda uma vida pela frente.

O som do metal batendo na pedra fez com que ele despertasse subitamente, notando as figuras dos cavaleiros percorrendo a parte final do caminho. Eles também haviam percebido quem era a figura sentada e lhe saudaram.

- Salve Dargon, capitão da guarnição de Amon Sûl e representante do Rei Elessar - um dos mensageiros disse se adiantando e fazendo um cumprimento que foi repetido por seus companheiros - Sou Bekter, filho de Argos, de Annúminas e trago-lhe uma mensagem de meu senhor.
Dargon fez um meneio distraído de cabeça antes de estender o braço em direção à porta entreaberta da torre:

-Anseio por ler a carta que traz para mim Bekter, mas haverá um tempo para isso. De qualquer maneira, vocês são bem-vindos aqui e podem permanecer como hóspedes por quanto tempo for necessário. Não esperava que chegassem tão cedo e ainda não tive a oportunidade de fazer meu desjejum. Minha esposa e minha filha não estão, de modo que eu gostaria que compartilhassem minha mesa nesta manhã.
Os cavaleiros de Annúminas receberam a proposta com um sorriso e novamente o mensageiro falou por eles:

- Será um honra para nós, senhor. Apressamos o passo logo que os primeiros raios de sol foram descobertos e comemos apenas o suficiente para completarmos a viagem. Se soubéssemos que tão generoso convite nos aguardava...

- Hum ... - interrompeu Dargon, enquanto coçava o queixo - Gostaria muito de trocar cumprimentos e gentilezas com você Bekter, ainda mais quando houver uma mesa posta entre nós. Senhores, me acompanhem - disse adentrando a torre.


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Dargon
Posted: Aug 15 2008, 05:41 PM





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Próximo à janela, Dargon observava a paisagem desfraldada diante de seus olhos pelo sol matutino em silêncio. Seus olhos percorriam com interesse infinito a cidadela de Amon Sûl, circundada pelos sólidos muros de pedra que ajudavam a compôr a fortificação principal. Além das muralhas, havia a vila onde residiam uma parte considerável dos soldados junto com suas família e algumas pessoas que não tinham ligação com o exército - como pastores, mercadores e taberneiros para citar alguns exemplos. Ao redor da vila se estendia uma paliçada precária, cuja única função em uma situação de cerco real seria atrasar os atacantes enquanto os moradores locais se refugiavam na segurança da cidadela.

Havia uma cera movimentação no centro da vila e Dargon sabia a razão. Com o inverno se aproximando, os moradores de Amon Sûl estavam preparando sua tão aguardada Festa da Colheita, que seria realizada dentro de dois dias. Não seria algo tão espetacular quanto os festivais que aconteciam em Annúminas e Fornost, mas seria suficiente para afastar as expectativas sombrias que ocupavam as mentes daquelas pessoas. Até onde Dargon sabia, haveriam menestréis, danças, competições como arqueirismo, arremesso de ferraduras e luta corpo-a-corpo além de uma trupe que incluía artistas variados. Além disso, um banquete composto primariamente de frutas e vegetais do outono também seria servido.

Levantando a mão direita, pôde ler a carta pela terceira vez. Não poderiam lhe mandar os engenheiros que ele necessitava - pois eles próprios precisavam de seus préstimos. Suspirou profundamente, assimilando novamente a negação de seu pedido. A melancolia que o havia dominado não era em função da impossibilidade de ter sua requisição atendida - era o significado maior da carta que lhe deixara pensativo. Amon Sûl, Annúminas e Fornost eram ilhas isoladas em uma tempestade que se aproximava - não havia como as três cidades se auxiliarem mutuamente. Seria suícidio deixar a segurança das muralhas para partir em ajuda dos outros de modo que tudo que as hordas órquicas necessitariam de fazer em uma possível invasão seria conquistar um lugar por vez até que não houvesse mais nada entre eles e o coração do Reino do Norte.

Aquela demonstração velada de fraqueza fazia com que ele se recordasse daquela batalha que havia acontecido naqueles mesmos campos há muitos anos, quando Amon Sûl nada mais era do que um projeto ambicioso de reconstrução comandado por Etharion. Haviam se passado dezoito anos desde então mas Dargon se lembrava com perfeição daquela época. A dor que percorrera toda a extensão de seu braço quando sua mão esquerda fora decepada jamais seria esquecida por ele.

Atrás dele, batidas na porta se fizeram ouvir. Abrindo a porta, Dargon descobriu que o responsável por aquela interrupção de seus pensamentos era um dos soldados da guarnição. Seu nome era Orestes, ele se lembrava, e ele havia se juntado ao contigente de Amon Sûl há pouco menos de três meses. Embora sua idade fosse desconhecida de Dargon, ele podia notar o rubor da juventude se estendendo pela face do rapaz e o inconfundível brilho em seu olhar que denunciava sua pouca idade. Ainda jovem, ainda inexperiente. Talvez sua experiência mais próxima com a morte que assola um campo de batalha tenha sido caçar algum animal nas florestas próximas, e nada mais.

- Senhor, alguns dos representantes do povo estão aqui para discutir com o senhor algumas especificações da Festa da Colheita. Posso deixar que eles entrem?

Dargon sorriu inesperadamente, tomando súbita consciência de que a festividade próxima também serviria para aliviar sua mente das preocupações que vinham lhe assolando ultimamente. Talvez ele até ousasse disputar uma daquelas competições com os garotos, talvez.

- Diga a eles para subirem Orestes. E também diga aos nossos recém-chegados de Annúminas para virem logo depois que eles saírem, pois lhes entregarei a resposta da carta que me trouxeram.

Orestes não se mexeu diante das instruções dadas por Dargon. Embora ele não houvesse feito a pergunta, qualquer um perceberia a dúvida latente que se assomava no rosto do jovem soldado. Colocando a mão no ombro de seu comandado, o capitão da guarnição do Topo do Vento falou a ele em tom baixo.

- Nós não vamos receber as muralhas que queremos, mas faremos nossas próprias pedras para resistir com o melhor material que temos dentro de Amon Sûl. - Orestes piscou enquanto tentava entender o significado das palavras de seu comandante antes de ser despertado pela ordem clara - Dispensado, Orestes!

Enquanto o soldado caminhava de volta pelos corredores, Dargon sabia o que faria depois que a Festa tivesse acontecido. Ele não iria colocar um bando de garotos dentro dos muros para fazer frente aos orcs como havia acontecido à dezoito anos atrás. Se a tempestade viesse, haveriam soldados de verdade - e poucas coisas em Endor são capazes de fazer frente à um guerreiro desse calibre. Sua ilha estaria firme e preparada para quaisquer desígnios que se abatessem sobre ele e seus aliados.
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Guilherme
Posted: Aug 19 2008, 02:21 AM


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Cíntilo ouvia os burburinhos das pessoas ao redor diminuindo à medida em que avançava, e sentia o peso dos olhares curiosos e outros demasiadamente apressados em formular críticas em relação a ele. Porém não intimidava-se tão facilmente.

Já estava bem perto da torre. Apeou de sua égua, amarrando as rédeas numa travede madeira que erguia-se do solo húmido, próximo a um bebedouro para cavalos.

Ainda estava usando o capuz em sua cabeça quando começou a caminhar em direção à torre. Conseguiu chegar próximo à entrada. Parou e observou por um instante. Percebeu que um dos guardas que estava ali na porta havia chamado pelo nome um outro que estava ali dentro. Orestes era o nome.

Cíntilo viu o tal Orestes chegando para conversar com algumas pessoas que ali estavam e se aproximou do soldado. Sabia que a resposta do jovem poderia muito bem não ser a que estava procurando... mas tentou.

- Soldado Orestes? Poderia me dizer o nome de seu comandante ou capitão?

This post has been edited by Guilherme on Aug 19 2008, 02:35 AM
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Dargon
Posted: Aug 27 2008, 10:02 PM





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A surpresa de Orestes não poderia ter sido maior quando o soldado encontrou o pátio da torre vazio. Percorreu a extensão daquele lugar com seu olhar antes de concluir que os representantes da população de Amon Sûl haviam desaparecido. Mas sua dúvida não durou por muito tempo, já que uma voz vinda das portas da imponente construção se fez ouvir:

- Eles disseram que voltariam mais tarde.

Orestes se virou para encarar o guarda que havia lhe falado e deu de ombros:

-O que houve Menethil?! Por quê a pressa?

-Algo em torno das premiações para os torneios Orestes, eles tiveram uma idéia brilhante subitamente e saíram. Bem, você sabe, depois daquela confusão no solstício de verão do ano passado essa comissão está passando por uma reforma. É normal, eu acho...

Orestes fez um meneio de cabeça e respirou fundo. Embora não estivesse devendo nada em sua forma física, a escadaria da torre não era agradável de ser percorrida pela terceira vez tão rapidamente. Foi interrompido ao ver que alguém se aproximava dele e a suspeita em função das vestes do estranho fez com que dedicasse total atenção aquele homem.

- Dargon é o nome de meu capitão, senhor. Isso é uma informação que qualquer um poderia lhe dar mas você vem até a torre do Topo do Vento para obtê-la. Posso saber qual a natureza de seus negócios para com o capitão de Amon Sûl?
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Guilherme
Posted: Aug 28 2008, 01:51 AM


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Então Dargon ainda estava em Amon-Sûl. Uma ótima notícia. Cíntilo não pôde deixar de soltar um sorriso. Um amigo de verdade seria muito bom em sua nova fase por aquelas áreas.
Cíntilo respondeu sem mais demoras ao jovem soldado.

- Me chamo Cíntilo Menelcar. Vim de Bri para Amon-sûl trazendo notícias para Dargon de um homem que foi há muito tempo um grande amigo dele.
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Elendili
Posted: Aug 31 2008, 04:46 PM





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O rapaz permanecia com olhos fixos no caneco enquanto o estalajadeiro o enchia. A pedido de sua mãe havia deixado Khand e tinham vindo para o Oeste. primeiro Bri e agora Amon-Sûl.

Não estava satisfeito. Era o mínimo que se poderia dizer avaliando a fisionamia do rapaz.

- Você não é daqui, não é? O serviçal perguntou curioso.

- Não, e daí?

O homem encolheu-se enquanto limpava a mesa com um pano ensebado.

- Não precisa ficar nervoso rapaz. Foi só uma pergunta.

O rapaz emburrou a cara e nem ao menos se desculpou. Não queria estar ali, queria voltar para sua gente. Havia nascido no oeste ,mas não se considerava um deles. Seu pai o havia ensinado a desprezar a arrogãncia dos dúnedain e seus descendentes.

- Tempos estranhos estes! O serviçal continuou a resmungar, agora para si mesmo. - Nunca vi tanta gente do sul em Amon-Sûl. Se fosse o comandante Dargon expulsava todos eles! Não esqueci do que fizeram na guerra do anel! - Não esqueci mesmo!

O rapaz ainda pôde ouvir o último resmungo do homem e suas narinas se contraíram de raiva. Bebeu o conteúdo de sua caneca de um gole só.

" Se meu pai estivesse aqui estas seriam suas últimas palavras, idiota!"

- Sinto sua falta pai...
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Dargon
Posted: Sep 2 2008, 10:45 PM





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Ocupado em escrever a carta de resposta as autoridades de Annúminas, Dargon não percebeu que os representantes do povo por quem esperava não haviam entrado na sala. Apenas quando já havia finalizado a mensagem foi que se deu conta da demora e ficou intrigado. Orestes deveria ter parado durante o percurso para fazer qualquer outra coisa, provavelmente. Os planos recém-formados para moldar o destino de Amon Sûl urgiam em sua mente. Dargon colocou o pedaço de pergaminho em uma das gavetas e começou a descer a escadaria.

Quando chegou ao pátio da torre, encontrou Orestes falando com uma figura encapuzada. Franziu uma sombrancelha diante da visão do homem encapuzado e o teria deixado de lado por um momento enquanto procurava os representantes do povo, se não tivesse ouvido à menção a seu nome feita pelo guarda da torre:

- Sinto muito senhor, mas não posso deixá-lo ir até a sala do Comandante sem saber quais são seus negócios. Se fizesse o favor de se identificar ou de dizer à que veio, eu poderia ir até Dargon e perguntá-lo sobre sua disponibilidade, entendeu?!

Se aproximou dos dois e, colocando a mão no ombro de Orestes, o dispensou:

- Obrigado por sua precaução Orestes, mas não será necessária. Gostaria que me falasse onde estão nossos amigos.

- Eles saíram, senhor. Tiveram uma idéia de repente e foram discutir sobre ela.


- Obrigado novamente Orestes. Faça um outro favor para mim, sim?! Peça para alguém achar os nossos convidados de Annúminas e, enquanto isso, chame o máximo de veteranos de quem você se lembrar para virem na torre amanhã pela manhã.

Com uma continência, Orestes saiu apressado para cumpir as ordens que lhe foram dadas. Dargon se voltou para o encapuzado e lhe dirigiu a palavra:

- Não lhe reconhecerei enquanto estiver com esse capuz cobrindo sua face, senhor. Se fizer o favor de se apresentar e de especificar seus motivos para procurar o comandante de Amon Sûl, talvez Dargon concorde em recebê-lo. - disse, com um sorriso.
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Guilherme
Posted: Sep 2 2008, 11:32 PM


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Cíntilo falava com o soldado Orestes, quando foram interrompidos. Cíntilo baixou a cabeça por um momento, mais por mostrar-se respeitoso em relação à conversa dos dois do que para esconder seu rosto. Orestes saiu, deixando os dois a sós.

O comandante dirigiu a palavra a Cíntilo:

- Não lhe reconhecerei enquanto estiver com esse capuz cobrindo sua face, senhor. Se fizer o favor de se apresentar e de especificar seus motivos para procurar o comandante de Amon Sûl, talvez Dargon concorde em recebê-lo. - disse, com um sorriso.

Ainda com a cabeça baixa em sinal de respeito, Cíntilo começou a responder:

- Trago notícias de um homem que outrora fora um grande amigo seu, senhor Dargon, comandante de Amon-Sûl. - Cíntilo retirou seu capuz e olhou fundo nos olhos de Dargon - Espero que não tenha se esquecido do rosto de tal amigo.
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Dargon
Posted: Sep 12 2008, 04:47 PM





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Poucos segundos se passaram entre a revelação da identidade do recém-chegado e o reconhecimento de Dargon. Quando conseguiu associar a fisionomia com o nome, uma torrente de memórias assaltou seus pensamentos culminando na separação entre os dois antes que a guarnição de Amon Sûl partisse para combater os orcs em Bri. Quanto tempo havia se passado desde então? Tempo demais.

- Ora, não haveria como esquecer do menestrel Cirandil mesmo que eu quisesse! Olhe ao seu redor, meu amigo, e veja que nossos feitos de outrora deixaram suas marcas na pedra fria e na alma daqueles que já eram nascidos. Dizendo isso andou até o pórtico da cidadela e apontou para mostrar uma construção ao longe. As Casas de Cura, onde tudo começou, se é que você se lembra. Apontou novamente, desta vez para a torre. Reconstruída depois daquele incêndio terrível. Não, nossos feitos estão marcados à ferro em minha lembrança e só serão esquecidos quando chegar meu fim.

Cessou sua fala por um momento, pensando. Com um sorriso se voltou para o amigo recém-chegado:

- Qual a urgência de sua visita ao Topo do Vento? Se estiver com pressa, não vou lhe incomodar mas se houver tempo à disposição, apreciaria muito que me acompanhasse até meu escritório na torre. Há muito que deve ser conversado entre nós.
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Cirandil
Posted: Sep 12 2008, 07:02 PM





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- Marcados a ferro... sem dúvida. - Cirandil baixou a cabeça um instante. Lembrou-se da mulher que mudou sua vida após tão pouco tempo desde que a conheceu. Levantou a cabeça novamente. - Estou em Bri já há algum tempo. Abri uma loja de armas no mesmo lugar onde foi a casa de meu pai... céus, as pessoas parecem que nem se lembram que um dia nós já existimos lá. Lembra-se do velho Zolar, não se lembra? - Olhou para o horizonte pensativo. - Tempo é o que agora tenho de sobra. Ainda tenho coisas a fazer antes de chegar o meu fim. Preciso saber de certas pessoas... Dargon, se não for incômodo, acompanharei-te até seu escritório. Conversaremos mais a vontade lá. Mas há uma coisa que você precisa saber desde agora. Estou sob outra identidade... agora sou Cíntilo Menelcar, apenas como uma forma de dificultar qualquer boatos sobre Cirandil, filho de Zolar. Um obstáculo um pouco fraco ainda, eu sei, mas já é alguma coisa. Pelo menos em Bri isso está dando certo. Espero que me entenda...
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Elendili
Posted: Sep 13 2008, 08:43 PM





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Ela sabia o quanto estava sendo difícil para Aramir se adaptar à nova vida. O quanto estava sendo dificil sem o pai. Um monstro, mas inacreditavelmente um bom pai...

Um ano, um ano livre de Araton.

Dezoito anos sem Cirandil. Em Bri ninguém havia ouvido falar dele. Talvez ele nunca mais tivesse voltado à Eriador. Talvez estivesse morto. Dezoito anos e para ela era como se tivesse sido ontem.

Havia chegado à dois dias em Amon-Sûl, não havia procurado ninguém até então. Não sabia porque tinha medo... Nem mesmo Nestor, e este ela sabia ainda estar vivo.

Contudo, falaria primeiro à Dargon. Pediria para ele arrumar uma posição para Aramir. O treinamento militar faria bem para seu filho, conhecer outros jovens de sua idade, ter responsabilidades. Ele iria se integrar.

Será que Dargon se lembraria dela? Era apenas uma menina naquela época. Eles haviam passado por tanta coisa juntos. Ela, Dargon e Cirandil. Ele haveria de se lembrar.

- O comandante Dargon acabou de sair minha senhora. Foi até seu escritório na Torre, a senhora deve encontrá-lo lá.

O rapaz respondeu meio sem-jeito com aquela linda mulher de roupas ricas e cabelos tão vermelhos quanto o fogo.

Rosa agradeceu e encaminhou-se até o local indicado, onde esperava encontrar o comandante.
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Elendili
Posted: Sep 15 2008, 12:31 PM





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Enquanto caminhava as lembranças afloravam em sua mente. Lembranças boas, lembranças más. Em Amon-Sûl havia acontecido a melhor coisa de toda a sua vida, e também as piores. Coisas que fizeram com ela, coisas que fôra obrigada a fazer. Jamais teria coragem de confessar a alguém, tinha vergonha de si mesma.

A cidadela havia mudado muito, Dargon era o comandante, Etharion um príncipe, e ela... Não sabia mais quem era. Caminhava lentamente em uma espécie de transe hipnótico.

Estava quase chegando ao seu destino, ou pelo menos acreditava que sim. As ruas de pedras estavam cheias de soldados e pessoas que transitavam ocupadas com seus afazeres diários. Crianças corriam despreocupadas por entre as rodas das carroças, ou escondiam-se travessas atrás de grandes barris. Ninguém a havia reconhecido até então, o capuz escondia os cabelos, o rosto, o passado.

De repente sentiu a cicatriz em seu peito arder, de um beco um homem apareceu. Um homem alto de olhos escuros. - Não! Não podia ser. - As pernas dela fraquejaram, e ela começou a recuar. Ele continuava vindo em sua direção, sorrindo aquele sorriso que ela conhecia bem e que gelava o sangue.

Gritou:

- Não!!! Deixe-me em paz!!!

Seus olhos turvaram-se.

Estava nos braços de um rapaz, as pessoas ao redor dela cochichavam curiosas.

- Está tudo bem senhora? O soldado perguntou.

Rosa estava desnorteada, procurava o rosto de Araton entre os muitos ali, mas ele havia desaparecido.

- A senhora gritou e caiu desmaiada. Está sentindo alguma dor?

- Estou bem.
Ela respondeu levando a mão ao peito, a imaginação estava lhe pregando peças.

- Deixe-me levá-la até sua casa.

- Preciso ver o comandante Dargon ...


Um flash no meio das pessoas, aquele sorriso novamente. Ficou pálida como a morte, seus lábios tremeram, desvencilhou-se dos braços do rapaz e pôs-se de pé. Sem que os outros pudessem atinar, saiu correndo:

- Moça! Volte aqui!

O soldado correu atrás dela e a segurou em seus braços. O Olhar verde da mulher estava paralisado pelo medo.

- Vou levá-la até ás casas de cura. A senhora não está bem!

Sem esperar pela resposta tomou-a em seus braços.

This post has been edited by Elendili on Sep 15 2008, 12:35 PM
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Elendili
Posted: Sep 16 2008, 01:21 PM





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- Por Melkor! – Será que ninguém sabe o significado da palavra “bem-passado” por estas bandas?

O jovem resmungou alto enquanto revirava o sangrento assado de carneiro que o estalajadeiro tinha acabado de lhe servir. Estava aborrecido por ter que esperar pela mãe. Ela havia insistido que ele não saísse sem ela, contudo já havia passado da hora do almoço, e nenhum sinal de retorno.

- Não pronunciamos este nome aqui, rapaz! Um homem barbudo, na casa de seus cinqüenta, admoestou seriamente.

- Eu falo o que eu quiser! Aramir replicou desafiador. – Pois saibam vocês que Melkor é o maior Vala de todos!

- Garoto! Você não ouviu o que Margil aqui disse! – Não pronunciamos este nome maldito em Amon-Sûl.

- Só os fracos temem Melkor!
Aramir provocou.

Os dois homens se levantaram bruscamente e caminharam até Aramir. Eram nitidamente corpulentos, mas ele não se intimidou. Encarou-os imitando o olhar que já havia visto tantas vezes no rosto do pai, um olhar que fazia os inimigos tremerem, um olhar que dizia que não haveria piedade.

As pessoas ao redor levantaram suas cabeças assustadas. O lugar estava cheio, era hora do almoço, havia hóspedes e os clientes habituais da taverna.

- Não sabemos de onde você é, mas não permitiremos que pronuncie esta palavra aqui! Gritou Margil enquanto agarrava Aramir pelo colarinho.

Um chute nas regiões baixas mostrou ao agressor que embora Aramir parecesse ser um dúnadan, seus métodos, no entanto não eram.

- Uuuuhhhhhh.

O urro de um e o estupor do outro foi o que o filho de Araton precisava para se aprumar e então acertar um soco no meio da cara do segundo homem fazendo com que ele cambaleasse para trás atônito.

O caos estava formado.

As mulheres gritavam, o estalajadeiro corria para lá e para cá enquanto canecas e pratos voavam pelos ares e mesas eram viradas. Metade dos homens presentes queria apartar a briga enquanto a outra queria massacrar Aramir.

O rapaz mantinha-se a custo, graças sua agilidade e talento no embate corpo-a-corpo. Sangue já escorria pelos seus lábios. Cada soco bem sucedido atiçava o ódio dos homens. Não ia durar muito assim...
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Elendili
Posted: Sep 20 2008, 02:28 PM





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Alguém deve ter chamado os soldados, porque repentinamente o hospedaria foi tomada por eles. Homens jovens trajando o uniforme que exibia a torre, a muralha e a árvore branca. Dirigiram-se ao foco principal da confusão apartando os contendores, provavelmente salvando Aramir de um destino pior.

E ele já estava bem machucado, acuado em um canto empunhando uma espada que havia tomado de alguém. O rosto sangrava em vários lugares e um ferimento no flanco direito também vertia o líquido vermelho copiosamente. Lutava com ferocidade para alguém com tão pouco tempo de vida,havia ódio e um estilo que demonstrava não existir qualquer outro objetivo além de vencer, não importava os métodos para isso. Uma cópia de Araton.

Um homem jazia inerte no chão e se ele estivesse morto, Aramir estaria realmente encrencado.

- O que está acontecendo aqui?

- Esse infeliz começou a proferir insanidades e quando pedimos para calar-se ele nos atacou.


O acusado, no entanto permaneceu em silêncio pouco disposto a colaborar.

- É melhor você largar a espada rapaz, ou não sairá vivo daqui.. Orestes intimou em um tom que não admitia réplica. Não gostaria de matar o forasteiro, mas se fosse necessário o faria. Mandou que dois dos soldados levassem o ferido imediatamente às casas de cura, despachou os curiosos sem tirar os olhos do rapaz que parecia perdido agora que a sanha da batalha começava a se dissipar.

Aramir jogou a espada de lado.

Dois jovens componentes da guarnição ladearam-no indicando que ele deveria estender as mãos para serem amarradas.

- Não há necessidade, não vou reagir...

As pessoas que haviam ficado no local, principalmente os feridos, exaltaram-se novamente proferindo exclamações de revolta.

- Amarre-o Orestes! Ele é um animal e deve ser tratado como um!

O olhar de Aramir informou ao comandante que ele deveria sair logo dali com o rapaz ou então teria uma situação difícil de controlar em suas mãos. Colocou-se ao lado do forasteiro e segurou o braço dele levemente indicando que não havia necessidade de mais violência naquele dia.

- Vou levá-lo ao comandante Dargon, ele saberá o que fazer. Margil, vens conosco também, para prestares teu depoimento.

Os outros mesmo indignados abriram espaço para os soldados passarem com Aramir. Estavam furiosos, mas respeitavam a lei.
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Elendili
Posted: Sep 26 2008, 10:57 AM





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Orestes chegou à porta do local de trabalho de Dargon acompanhado por mais dois soldados, Margil e Aramir. Olhou o rapaz com o canto dos olhos de maneira a verificar se ele poderia ser uma fonte de problemas.

O prisioneiro estava calmo, embora bastante machucado, seu olhar era firme e a cabeça dele estava erguida orgulhosamente.

Bateu duas vezes na porta maciça.

- Comandante?

Abriu-a lentamente.

- Desculpe-me interromper comandante Dargon, mas tenho uma situação aqui que demanda sua atenção imediata.

This post has been edited by Elendili on Sep 26 2008, 10:58 AM
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