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 CitÁrio - Panbox, - Pérolas, Versos e Poesias...
CarniRex VonBlood
Posted: Jan 14 2009, 05:44 AM


Você está se preparando para entrar nas 12 casas do Zodiaco.
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Um Refúgio para que tem a alma do Poeta;
Possui inclinação á Citações
Ou simplesmente algum Mote de Efeito.
Estão Convidados a Participar.
Mas Aqui é um Refúgio, Não um Circo.
Flammers e Flooders são Cordialmente convidados a se retirarem.

A Primeira Nota é Minha:


"Eu trilhei o Caminho Escuro - A estrada que leva aos recessos onde terríveis segredos foram deixados. Esquecidos. Palavras, vozes e sinfonias que jamais deveriam Ter existido. As sombras das sombras sob as sombras que cercam toda imensidão gélida e silenciosa além dos limites do Círculo Turquesa - o Vaso das Almas.
Depois da Abóbada Celeste, existe, muito adiante, um lugar onde as estrelas não mais brilham, e círculos, há muito, deixaram de produzir seres viventes. Lá, no âmago das profundezas, encontrei um campo de batalha iluminado pôr um sol púrpura.
Hostis, os elementos do devastado círculo atacaram-me, ardendo meus olhos, que queimavam sob o calor abrasador, e deles, lágrimas rubras tingiam o solo. Meus pés foram feridos pôr espinhos frios, minha pele chicoteada e marcada pelo vento implacável.
Tentei gritar, mas minha boca apenas vociferou um gorgolejar sangrento - meu arcabouço ósseo empalara os pulmões.
Cego e incapaz de movimentos, foi-me permitido apenas ouvir o glancor do combate, línguas inumanas, a terra contorcendo-se ensurdecedoramente sob os meus pés e o assobio agonizante do vento. Então, algum tempo depois, fui engolfado pelo mais absoluto silêncio.
Eu estava sozinho...
Nas trevas."


- CarniRex vonBlood


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"Os Humanos São Apenas
uma Doença Sexualmente
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CarniRex VonBlood
Posted: Jan 14 2009, 01:02 PM


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"Mesmo que as pessoas sejam estúpidas,
e que o destino delas seja a destruição pelas mãos dos deuses.
Nem que seja apenas um. Eu vou acertá-lo com o meu golpe.
Essa será a prova de que, nesse mundo, a humanidade existiu!"

- Seiya Falando para Apolo


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Juliane.chan
Posted: Jan 14 2009, 02:09 PM


Enroladora-mor
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A FOLHA E A BRISA

Larga-me, brisa! Discorria
a folha, com lágrimas a rolar.
E a brisa, forte e fria
Assobiava, levando a folha.

Larga-me, larga-me brisa!
Falava a folha muito forte.
No sul eu fui nascida
Não me leves para o norte.

E a brisa, perfumada e fria
Com um murmúrio estrondoso
Por cima das penhas percorria,
Percorria levando a folha.

Ai meneios do meu galho,
meneios do lar meu;
Ai boas gotas de orvalho,
Vindas do lindo céu.

Implorava a folha e dizia
Tonta, tonta de terror,
E a brisa, permanente e fria
Levava a folha com furor.

Adeus primavera com flores
doçuras da lua nova.
Adeus, canções dos pastores
Que no meu coração ainda mora.

No ar, perfumes leves
Trazidas pelo vento forte.
Brisa, brisa não me leves
Não me leves para a morte.

A alegria e a tristeza
em poemas se escrevem,
Como a da folha e da brisa
Para que o tempo as recordem.

Janete do Carmo, 1976


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Juíza sempre vigilante e benevolente...u.u
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CarniRex VonBlood
Posted: Jan 14 2009, 09:03 PM


Você está se preparando para entrar nas 12 casas do Zodiaco.
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"E a palavra "amor", que os tolos chamam de "cego"...
Ressoa em homens como você, imbecil, mas não em mim.
Eu sou o meu próprio ego.
Sozinho."

–Shakespeare.


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CarniRex VonBlood
Posted: Jan 15 2009, 12:05 PM


Você está se preparando para entrar nas 12 casas do Zodiaco.
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"From this day to the ending of the world,
But we in it shall be remembered-
We few, we happy few, we band of brothers;
For he to-day that sheds his blood with me
Shall be my brother; be he ne'er so vile,
This day shall gentle his condition;
And gentlemen in England now-a-bed
Shall think themselves accurs'd they were not here,
And hold their manhoods cheap whiles any speaks
That fought with us upon Saint Crispin's day!"

- Henrique V


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Kagome-ch@n LP
Posted: Jan 15 2009, 03:55 PM


Vai encarar, 'ttebayo?!?
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Posto aqui um dos poucos poemas que eu gosto do Carlos Drummond de Andrade! ^^/

A Flor e a Náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me''?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.


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Viemos, para conquistar!
Vimos, homens bonitos pra babar!
Vencemos, porque esse é nosso motivo pra lutar!
Triarquia, HÁ!!



.: Meu DeviantArt :.
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TRIARQUIA
Posted: Jan 15 2009, 03:59 PM


Você está na Casa de Aries.
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Retrato

"Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo,
assim triste,
assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples,
tão certa,
tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?"

Cecília Meireles


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Viemos, para conquistar
Vimos, homens bonitos pra babar
Vencemos, porque esse é nosso motivo pra lutar
Triarquia, HÁ!

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E.... meninas lembrem-se:



Porque para ser GOSTOSO tem que ter CHARME e passar pelo INMETRO!!



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Petit Ange
Posted: Jan 15 2009, 04:17 PM


Lelouch is rebellious love. >D~
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Rua dos Cataventos, do mestre Quintana! *-*


Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!



Um dos poucos poemas que eu decorei por vontade própria. *-*


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Viemos, para conquistar
Vimos, homens bonitos pra babar
Vencemos, porque esse é nosso motivo pra lutar
Triarquia, HÁ!


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C!SYAORAAAAAAAAAN~! ;___;
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Nebula
Posted: Jan 15 2009, 08:41 PM


SOoOoNo!
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Madrigal Melancólico

O que eu adoro em ti
Não é a tua beleza
A beleza é em nós que existe
A beleza é um conceito
E a beleza é triste
Não é triste em si
Mas pelo que há nela
De fragilidade e incerteza

O que eu adoro em ti
Não é a tua inteligência
Não é o teu espírito sutil
Tão ágil e tão luminoso
Ave solta no céu matinal da montanha

Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
O que eu adoro em ti
Não é a tua graça musical
Sucessiva e renovada a cada momento
Graça aérea como teu próprio momento
Graça que perturba e que satisfaz

O que eu adoro em ti
Não é a mãe que já perdi
E nem meu pai

O que eu adoro em tua natureza
Não é o profundo instinto matinal
Em teu flanco aberto como uma ferida
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.

O que adoro em ti lastima-me e consola-me:
O que eu adoro em ti é A VIDA!


Manuel Bandeira


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Don't fear the reaper, baby! XD
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CarniRex VonBlood
Posted: Jan 16 2009, 12:44 PM


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"VonBlood Observou Princess por um Longo momento... Sabia que o tempo de qualquer humano na Terra era contado e que algum dia o tempo de sua amada chegaria ao fim. Imaginou a eternidade seguinte sem ela... Longa, tediosa e insuportável... Que criaturas divertidas foram os humanos ele diria chafurdando em sua danação... Mas somente de uma delas ele realmente sentiria a dor da perda e da passagem. Seria desta frágil, pequenina e gentil criatura: Princess VonBlood. A Humana que o contaminou... Não. Que o ensinou sobre o Amor. VonBlood jogou o antigo Livro para fora da Cama e Abraçou Princess com força, como quem desejasse que o tempo não escorresse mais para ela... Seus olhos estavam umidos. Ele a beijou apaixonadamente, Mas não se atreveu a dizer coisa alguma. Pois suas palavras não poderiam mudar a posição das estrelas nem o destino de seu mais importante tesouro..."
- VonBlood & Princess; O Livro Rubro da Carne


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Juliane.chan
Posted: Jan 16 2009, 05:54 PM


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Momento de romance Von? XD
Adorei...mas cuidado com a censura NC-17! XD


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Juíza sempre vigilante e benevolente...u.u
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CarniRex VonBlood
Posted: Jan 17 2009, 11:37 AM


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"Para os menos poderosos
bem como para os mais poderosos
existem alguns feitos que só podem ser realizados uma vez;
e neste feito seu coração descansará."

- Fëanor; Quenta Silmarillion

"tocar a asa de um anjo não significa que você pode voar"
- Indian Summer


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CarniRex VonBlood
Posted: Jan 18 2009, 09:54 AM


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"posso sentir ela se aproximando,
o seu cheiro aguça meus instintos,
tão perto. Não há como evitar,
mais um sol vermelho amanhã nascerá..."

- Anonimous

"Seco está o dragão,
Seus ossos espalhados;
A armadura partida,
O esplendor humilhado!"

- Anonimous

"A Cidade Muda, Mas os Tolos dentro dela Continuam os Mesmos."
- Anonimous


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Juliane.chan
Posted: Jan 18 2009, 10:43 PM


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FERNANDO PESSOA
(1888-1935)

O CORVO
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
«Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais.
É só isso e nada mais.»

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais —
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo,
«É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isso e nada mais».

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
«Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais —
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isto só e nada mais.

Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
«Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.»
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
«É o vento, e nada mais.»

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
«Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.»
Disse-me o corvo, «Nunca mais».

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome «Nunca mais».

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais
Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais».
Disse o corvo, «Nunca mais».

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
«Por certo», disse eu, «são estas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este «Nunca mais».

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele «Nunca mais».

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
«Maldito!», a mim disse, «deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».

«Profeta», disse eu, «profeta — ou demónio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».

«Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!, eu disse. «Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais,
E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!


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Juliane.chan
Posted: Jan 18 2009, 10:44 PM


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ANNABEL LEE *
(de Edgar Allan Poe)

Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.

Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.

E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.

E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.

Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.


Fernando Pessoa


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