
CitÁrio - Panbox, - Pérolas, Versos e Poesias...
| CarniRex VonBlood |
|

Você está se preparando para entrar nas 12 casas do Zodiaco.

Group: Members
Posts: 13
Member No.: 812
Joined: 5-January 09

|
Um Refúgio para que tem a alma do Poeta; Possui inclinação á Citações Ou simplesmente algum Mote de Efeito. Estão Convidados a Participar. Mas Aqui é um Refúgio, Não um Circo. Flammers e Flooders são Cordialmente convidados a se retirarem.
A Primeira Nota é Minha:
"Eu trilhei o Caminho Escuro - A estrada que leva aos recessos onde terríveis segredos foram deixados. Esquecidos. Palavras, vozes e sinfonias que jamais deveriam Ter existido. As sombras das sombras sob as sombras que cercam toda imensidão gélida e silenciosa além dos limites do Círculo Turquesa - o Vaso das Almas. Depois da Abóbada Celeste, existe, muito adiante, um lugar onde as estrelas não mais brilham, e círculos, há muito, deixaram de produzir seres viventes. Lá, no âmago das profundezas, encontrei um campo de batalha iluminado pôr um sol púrpura. Hostis, os elementos do devastado círculo atacaram-me, ardendo meus olhos, que queimavam sob o calor abrasador, e deles, lágrimas rubras tingiam o solo. Meus pés foram feridos pôr espinhos frios, minha pele chicoteada e marcada pelo vento implacável. Tentei gritar, mas minha boca apenas vociferou um gorgolejar sangrento - meu arcabouço ósseo empalara os pulmões. Cego e incapaz de movimentos, foi-me permitido apenas ouvir o glancor do combate, línguas inumanas, a terra contorcendo-se ensurdecedoramente sob os meus pés e o assobio agonizante do vento. Então, algum tempo depois, fui engolfado pelo mais absoluto silêncio. Eu estava sozinho... Nas trevas."
- CarniRex vonBlood
--------------------
"Os Humanos São Apenas uma Doença Sexualmente Transmissível!."- CarniRex VonBlood.
|
|
|
| Juliane.chan |
|

Enroladora-mor

Group: Adm
Posts: 3,347
Member No.: 4
Joined: 27-December 04

|
A FOLHA E A BRISA
Larga-me, brisa! Discorria a folha, com lágrimas a rolar. E a brisa, forte e fria Assobiava, levando a folha.
Larga-me, larga-me brisa! Falava a folha muito forte. No sul eu fui nascida Não me leves para o norte.
E a brisa, perfumada e fria Com um murmúrio estrondoso Por cima das penhas percorria, Percorria levando a folha.
Ai meneios do meu galho, meneios do lar meu; Ai boas gotas de orvalho, Vindas do lindo céu.
Implorava a folha e dizia Tonta, tonta de terror, E a brisa, permanente e fria Levava a folha com furor.
Adeus primavera com flores doçuras da lua nova. Adeus, canções dos pastores Que no meu coração ainda mora.
No ar, perfumes leves Trazidas pelo vento forte. Brisa, brisa não me leves Não me leves para a morte.
A alegria e a tristeza em poemas se escrevem, Como a da folha e da brisa Para que o tempo as recordem.
Janete do Carmo, 1976
--------------------
Amore Mio!  Juíza sempre vigilante e benevolente...u.u
|
|
|
| Kagome-ch@n LP |
|

Vai encarar, 'ttebayo?!?

Group: Members
Posts: 294
Member No.: 78
Joined: 5-April 05

|
Posto aqui um dos poucos poemas que eu gosto do Carlos Drummond de Andrade! ^^/
A Flor e a Náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas, Vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias espreitam-me. Devo seguir até o enjôo? Posso, sem armas, revoltar-me''? Olhos sujos no relógio da torre: Não, o tempo não chegou de completa justiça. O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. O tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse. Em vão me tento explicar, os muros são surdos. Sob a pele das palavras há cifras e códigos. O sol consola os doentes e não os renova. As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase. Vomitar esse tédio sobre a cidade. Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado. Nenhuma carta escrita nem recebida. Todos os homens voltam para casa. Estão menos livres mas levam jornais e soletram o mundo, sabendo que o perdem. Crimes da terra, como perdoá-los? Tomei parte em muitos, outros escondi. Alguns achei belos, foram publicados. Crimes suaves, que ajudam a viver. Ração diária de erro, distribuída em casa. Os ferozes padeiros do mal. Os ferozes leiteiros do mal. Pôr fogo em tudo, inclusive em mim. Ao menino de 1918 chamavam anarquista. Porém meu ódio é o melhor de mim. Com ele me salvo e dou a poucos uma esperança mínima. Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu. Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem. Seu nome não está nos livros. É feia. Mas é realmente uma flor. Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura. Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico. É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
--------------------


Viemos, para conquistar! Vimos, homens bonitos pra babar! Vencemos, porque esse é nosso motivo pra lutar! Triarquia, HÁ!!
.: Meu DeviantArt :.
|
|
|
| TRIARQUIA |
|

Você está na Casa de Aries.

Group: Members
Posts: 25
Member No.: 631
Joined: 30-August 08

|
Retrato
"Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: Em que espelho ficou perdida a minha face?"
Cecília Meireles
--------------------
Viemos, para conquistar Vimos, homens bonitos pra babar Vencemos, porque esse é nosso motivo pra lutar Triarquia, HÁ!

E.... meninas lembrem-se:
Porque para ser GOSTOSO tem que ter CHARME e passar pelo INMETRO!!
|
|
|
| Petit Ange |
|

Lelouch is rebellious love. >D~

Group: Members
Posts: 3,366
Member No.: 19
Joined: 30-December 04

|
Rua dos Cataventos, do mestre Quintana! *-*
Da vez primeira em que me assassinaram, Perdi um jeito de sorrir que eu tinha. Depois, a cada vez que me mataram, Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou O mais desnudo, o que não tem mais nada. Arde um toco de Vela amarelada, Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada! Pois dessa mão avaramente adunca Não haverão de arracar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai! Que a luz trêmula e triste como um ai, A luz de um morto não se apaga nunca!
Um dos poucos poemas que eu decorei por vontade própria. *-*
--------------------
Viemos, para conquistar Vimos, homens bonitos pra babar Vencemos, porque esse é nosso motivo pra lutar Triarquia, HÁ!   C!SYAORAAAAAAAAAN~! ;___;
|
|
|
| Juliane.chan |
|

Enroladora-mor

Group: Adm
Posts: 3,347
Member No.: 4
Joined: 27-December 04

|
FERNANDO PESSOA (1888-1935)
O CORVO Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste, Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais, E já quase adormecia, ouvi o que parecia O som de alguém que batia levemente a meus umbrais «Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais. É só isso e nada mais.»
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro, E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais. Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais — Essa cujo nome sabem as hostes celestiais, Mas sem nome aqui jamais! Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais! Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo, «É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais; Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais. É só isso e nada mais».
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante, «Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais; Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo, Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais, Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais. Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando, Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais. Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita, E a única palavra dita foi um nome cheio de ais — Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais. Isto só e nada mais.
Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo, Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais. «Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela. Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.» Meu coração se distraía pesquisando estes sinais. «É o vento, e nada mais.»
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça, Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais. Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento, Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais, Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais. Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura Com o solene decoro de seus ares rituais. «Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado, Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais! Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.» Disse-me o corvo, «Nunca mais».
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro, Inda que pouco sentido tivessem palavras tais. Mas deve ser concedido que ninguém terá havido Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais, Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais, Com o nome «Nunca mais».
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto, Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais. Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais». Disse o corvo, «Nunca mais».
A alma súbito movida por frase tão bem cabida, «Por certo», disse eu, «são estas vozes usuais. Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais, E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais Era este «Nunca mais».
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura, Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais; E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais, Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais, Com aquele «Nunca mais».
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo À ave que na minha alma cravava os olhos fatais, Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais, Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais, Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais. «Maldito!», a mim disse, «deu-te Deus, por anjos concedeu-te O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais, O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!» Disse o corvo, «Nunca mais».
«Profeta», disse eu, «profeta — ou demónio ou ave preta! Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais, Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais, Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!» Disse o corvo, «Nunca mais».
«Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!, eu disse. «Parte! Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais! Não deixes pena que ateste a mentira que disseste! Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!» Disse o corvo, «Nunca mais».
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais. Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha, E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais, E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais, Libertar-se-á... nunca mais!
--------------------
Amore Mio!  Juíza sempre vigilante e benevolente...u.u
|
|
|
| Juliane.chan |
|

Enroladora-mor

Group: Adm
Posts: 3,347
Member No.: 4
Joined: 27-December 04

|
ANNABEL LEE * (de Edgar Allan Poe)
Foi há muitos e muitos anos já, Num reino de ao pé do mar. Como sabeis todos, vivia lá Aquela que eu soube amar; E vivia sem outro pensamento Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança, Neste reino ao pé do mar; Mas o nosso amor era mais que amor -- O meu e o dela a amar; Um amor que os anjos do céu vieram a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos, Neste reino ao pé do mar, Um vento saiu duma nuvem, gelando A linda que eu soube amar; E o seu parente fidalgo veio De longe a me a tirar, Para a fechar num sepulcro Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu, Ainda a nos invejar... Sim, foi essa a razão (como sabem todos, Neste reino ao pé do mar) Que o vento saiu da nuvem de noite Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor De muitos mais velhos a amar, De muitos de mais meditar, E nem os anjos do céu lá em cima, Nem demônios debaixo do mar Poderão separar a minha alma da alma Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos Da linda que eu soube amar; E as estrelas nos ares só me lembram olhares Da linda que eu soube amar; E assim 'stou deitado toda a noite ao lado Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado, No sepulcro ao pé do mar, Ao pé do murmúrio do mar.
Fernando Pessoa
--------------------
Amore Mio!  Juíza sempre vigilante e benevolente...u.u
|
|
|
0 User(s) are reading this topic (0 Guests and 0 Anonymous Users)
0 Members:
Track this topic
Receive email notification when a reply has been made to this topic and you are not active on the board.
Subscribe to this forum
Receive email notification when a new topic is posted in this forum and you are not active on the board.
Download / Print this Topic
Download this topic in different formats or view a printer friendly version.
|